Função Social da Leitura

* Bianca Grolli

O texto a seguir fundamentou-se em leituras de artigos e obras de (Brito, Freire e Lener ) As mesmas me esclareceram o assunto possibilitando uma boa aprendizagem e crescimento pessoal e profissional.

Ensinar a ler é uma, se não a principal, função da escola. Através da leitura as pessoas se apropriam dos conhecimentos adquiridos pela sociedade no decorrer dos tempos.

A criança aprende com a sociedade e para a sociedade. Sendo a escola a entidade oficial e responsável para transmitir os conhecimentos sociais, é dever da escola proporcionar aos educandos condições para que leiam, não saber ler é estar a margem da sociedade.

Inicialmente coloco a definição de ler a leitura para uma maior compreensão do processo de letramento que ocorre em nossas escolas, em especial aquelas que se dedicam a alfabetização das classes populares.

Ao iniciar o estudo sobre a leitura, considerei importante entender o que significa a palavra ler Lener (2002, p.73) nos ajuda a compreender o que seja o ato de ler ao afirma:

Ler é entrar em outros mundos possíveis. É indagar a realidade para compreendê-la melhor, é se distanciar do texto e assumir uma postura critica frente ao que se diz e ao que se quiser dizer, é tirar carta de cidadania no mundo da cultura escrita.

Sendo assim, a ação de escrever se configura como um meio transmissor de informações e a leitura se configura como um meio de aquisição do que se passa ao redor do homem. A leitura é, portanto, um ato social, que merece relevância e atenção das práticas educacionais escolarizadas.

Ensinar é dar condições ao estudante para que se aproprie do conhecimento historicamente construído e se insira nessa construção como produtor de conhecimento. Ensinar a ler é ensinar o individuo capaz dessa apropriação, pois o conhecimento acumulado está, em grande parte, escrito em livros, revistas, jornais, relatórios, arquivos, internet… Ensinar a ler é tarefa da escola, desafio indispensável para todas as áreas e disciplinas escolares, uma vez que ler e escrever são os meios básicos para o desenvolvimento da capacidade de aprender e constituem competências para a formação do estudante, responsabilidade maior da escola. Ensinar a ler é alfabetizar, levar o aluno ao domínio do código escrito. O acesso ao aprendizado da leitura apresenta-se como um dos múltiplos desfio da escola e, talvez, como o mais valorizado e exigido pela sociedade, facilitando o status social do individuo.

Há muitos anos pedagogos e educadores, como Paulo Freire, contestam a alfabetização como forma de dominação e instrumento de opressão e defendem uma educação voltada para a libertação. Ler para entender o mundo, ler para constatar, ler para se apropriar dos acontecimentos.

Paulo Freire (2003) deixa claro que a leitura é vida e nos leva para o mundo. O mesmo ao relatar como aconteceu o seu processo de alfabetização fala das relações que os textos, as palavras e as letras mentiam com o seu universo, com a sua vivência cotidiana. Ao defender que a leitura da palavra deve estar relacionada com a leitura de mundo (Freire) (2003, p.41) coloca que:

As palavras com que organizar o programa de alfabetização deveriam vir do universo vocabular dos grupos populares, expressando a sua real linguagem, os seus anseios as suas inquietações, as suas reivindicações, os seus sonhos. Deveriam vir carregadas da significação de sua experiência existencial e não da experiência do educador.

Neste sentido a leitura crítica da realidade, acontecendo juntamente com o processo de alfabetização e associada a prática de organização, constitui-se num instrumento de ação contra o domínio social. Britto (2003, p.89) complementa afirmando:

O discurso dominante da leitura como um bem em si, desprendida do embate ideológico, tem como resultado a legitimação de chavões falseadores da responsabilidade e a valorização das práticas e valores que em nada contribuem para a democratização do poder.

Reconhecer a dimensão política da leitura é reconhecer que através dela pode-se reproduzir a ideologia dominante, quanto possibilitar a reelaboração dos conhecimentos, permitindo ao sujeito, enquanto ser social, a crítica da sociedade na qual está inserido, bem como de sua própria existência.

Nos dias de hoje, em que a sociedade está cada vez mais centrada na escrita, ser alfabetizado, isto é, saber ler e escrever são condições insuficientes para responder adequadamente às demandas contemporâneas. É preciso ir além da simples aquisição do código escrito, é preciso fazer uso da leitura e da escrita no cotidiano, apropriar-se da função social dessas duas práticas.

Ao ler, o individuo constrói os seus próprios significados, elabora seus próprios conceitos e adquire informações de interesse restrito e de interesse coletivo.

O maior desafio dos educadores não é apenas alfabetizar seus alunos (decifrar códigos), mas sim integrá-los a uma comunidade de leitores e escritores capazes de questionamentos e avaliações próprias e que busquem través da leitura, respostas, informações e argumentos para os seus questionamentos ao mesmo tempo em que consigam expor suas ideias através da escrita. A prática da leitura e escrita deve formar seres humanos críticos e que sejam capazes de apreciar a qualidade literária, conseguindo manejar com eficácia os diferentes escritos que circulam na sociedade e cuja utilização é necessária.

O grande desafio do professor é construir uma nova versão, do ensino da leitura e escrita, que se ajustem mais a prática social e permita aos alunos apropriarem-se efetivamente dela.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Um dos principais objetivo da escola, hoje é a instrumentalização do aluno para que ele possa ter acesso ao acervo científico-cultural da humanidade. Todo o conhecimento dos homens está de alguma forma registrado à espera de um leitor. Através da leitura um universo de informações e de emoções se abre diante do leitor.  A leitura deve ser a mediadora entre o leitor e o mundo para que a partir dela ele poça redimensionar  valores e buscar novos horizontes para si e para a sociedade. Sendo assim a leitura assume função crítica e social, possibilitando o direito à opção e criticidade ao mesmo tempo em que amplia a capacidade de pensar sentir e interagir nas relações sociais.

Uma educação que se queira libertadora, humanizaste e transformadora  passa necessariamente pelo caminho da leitura. Da mesma forma, na organização de uma sociedade mais justa e mais democrática, que vise a ampliar as oportunidades de acesso ao saber, não se pode desconhecer a importante contribuição política da leitura.

Soubemos que a leitura pode ser um instrumento de dominação, porém sabemos também que a mesma leitura pode ser um instrumento de cidadania. Conhecimento, leitura e cidadania complementam-se, pois, sem leitura não há conhecimento nem cidadania.

Todos os professores devem assumir a posição ampla de educadores comprometidos com a formação crítica dos alunos e possibilitar-lhes acesso a textos de qualidade, que intervenham na formação de mentes críticas e reflexivas formando-os da melhor maneira possível para exercer a sua cidadania.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRITO, Luiz Percival Lemo. Leitura e Política. In: EVANGELISTA, Aracy Alves, BRANDÃO, Eliana Maria Brina e MACHADO Maria Zélia Verciani. Escolarização da leitura literária. 2ª ed. Belo Horizonte: Autentica, 2003

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. 1ª ed. São Paulo: Moderna, 2003.
__________ Pedagogia do oprimido. 17ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

LENER, Dália, Ler e escrever na escola o real, o possível e o necessário. Porto Alegre: Artmed, 2002.