Formação do Professor em Serviço: Prática Pedagógica Ressignificada

* Gisele Lamaison de Freitas

É essencial (re)pensar a formação dos professores para concretizar as mudanças no quadro social configurado de modo desigual e injusto. As reformas educacionais definem políticas públicas que apontam para mudanças. Inovar e agir são práticas fundamentais nesse processo.

Com o objetivo de pesquisar SE e COMO o processo de formação do professor em serviço contribui para que o aluno-professor ressignifique a sua prática pedagógica nos anos iniciais do ensino fundamental, os textos apresentados e discutidos nas aulas do Curso de Pós-Graduação em Políticas e Gestão da Educação, realizado na modalidade In Company UPF e prefeitura de Soledade suscitou a reflexão. Assim sendo, é fundamental que o processo de formação continuada de professores lhes possibilite saírem da “menoridade”, ou seja emanciparem-se, libertarem-se, pois essa é uma premissa para uma sociedade que carece de determinação e conhecimento para opor-se à estrutura social e as condições que impedem o processo de emancipação.

Em relação à prática docente, muitos professores continuam copiando modelos de aprendizagem de conformismo e submissão “aos que outros dizem ou escrevem”, reforçando a ideia de que um professor tem a função de formar, plasmar o aluno, considerando-o como puro objeto da educação. Autores como Sartori (2011) e Levinski (2008) acreditam que a prática pedagógica que se desenvolve a favor dos sujeitos e da emancipação, se constrói pela reflexão DA e SOBRE a própria prática educativa escolar. A atitude crítica se (re) constrói na práxis pedagógica, com base no processo de construção do conhecimento que por meio do diálogo repensar a educação, o mundo. A teoria permite o entendimento do real enquanto a prática ao se tornar real poderá se constituir em princípio teórico. O ensino escolar preocupa-se com a transmissão de conteúdo, de informações. Para Freire (1980) trata-se da prática essencialmente narrativa, enlaçada à concepção de educação bancária- depositar conteúdo. Isso consiste na explícita “negação da educação e do conhecimento como processo de procura” (FREIRE,1980) distanciada das práticas que mobilizem o professor como ser histórico e inacabado. Por meio da ação docente analisada, refletida, avaliada e fundamentada é possível (re)planejar e (re)orientar a prática pedagógica.

A educação básica é indicativa de recomeço, um ponto de partida, onde o sujeito é envolvido por inteiro, desenvolvendo-se como base em princípios que visam à construção da autonomia e a preparação para o exercício pleno da cidadania.Com base no entendimento do autor Bernstein (1996), pode-se aduzir que as escolas não podem prescindir de um projeto pedagógico enlaçado ao contexto social, orientando que o professor aja na perspectiva de uma educação emancipatória, direcionada a dar condições ao educando se tornar compromissado com a intervenção e a transformação social.

A cultura que se produz e reproduz no micro contexto da comunidade escolar configura-se em CÓDIGOS, estes para Bernstein (1996), resultam em significados e sentidos, identificação e reconhecimento. Os códigos de alguma maneira interferem no modo de ser, pensar, agir tanto do professor como do educando. A necessidade de ressignificação dos significados e dos sentidos agrega-se aos princípios de ordem e desordem, de dependência e interdependência, de controle e de liberdade, implicando na forma de conceituar “código”. A ressignificação da prática pedagógica também precisa ser discutida, tendo como âncora o método dialético, sustentada na explicação de uma prática educativa articulada à realidade e necessidades do aluno.

Nesse sentido, o discurso pedagógico é transmissor das relações de classe, de gênero, de raça, crenças religiosas de relações patriarcais. É ele que faz difusão dos modelos de relações dominadora- dominado, opressor e oprimido. De acordo com Apple (1982), “O terreno em que se dá o processo de escolarização formal é marcado pela instabilidade, questionamentos e dúvidas sobre as incertezas de “ao quê” e ao “como quê” e ao “como ensinar”.

O processo educativo escolar sempre estará em movimento, em busca de adequação e readequação, conforme a evolução dos tempos e as necessidades. A escola como espaço aberto e sinalizador de expectativas pode receber e exercer influências sobre a sociedade mais ampla. Os sujeitos formados nas práxis enfrentam contradições que perpassam a prática docente, articulando conhecimentos teóricos que lhe permitam (re) significar a ação docente.

De acordo com McLaren (1997), a escola é um terreno cultural que confere poder ao estudante e promove a auto formação. A prática emancipatória constitui-se no horizonte em que o professor deve ter direito de formular juízos sobre sua prática profissional baseada numa ciência educativa. Também de acordo com Zeichener (1993), num programa curricular é necessário estabelecer uma ponte entre cultura da escola e a cultura da casa… Facilitar a entrada na sala de aula, de elementos culturais que são relevantes para os alunos. Para Giroux (1983), teoria e prática são inter-relacionadas, mas previne contra uma suposta unidade. Uma aliança singular não uma unidade na qual uma se dissolve na outra. No que se refere à interação, professor-aluno, segundo os pesquisados, o diálogo se constituiu em possibilidade real, pois favorece a problematização dos conhecimentos curriculares que facilitam o aprendizado do educando.

De acordo com Rays (1999), é o educador que faz e refaz o método de ensino, conforme o contexto. Segundo Martinazzo (2005), a reflexão é uma prática indispensável para a emancipação humana como geradora de uma força esclarecedora. O ser humano dá significado e sentido a tudo aquilo que se relaciona com o espaço onde está seu fazer e seu existir. Contudo, a formação do professor viabiliza o reconhecimento de um sujeito singular, num cotidiano diverso, a educação formal não pode ser uniforme. A despeito disso, será possível influenciar na (re) construção de novas visões teóricas, que influenciarão na prática pedagógica dos professores no sentido de ressignificar o ato de ensinar e por consequência o de aprender.

* Gisele Lamaison de Freitas – Acadêmica do Curso de Pós-Graduação em Políticas e Gestão da Educação – In Company- Campus Soledade