A importância do lúdico na educação infantil

* Viviane Quevedo de Barros

RESUMO: O presente artigo justifica-se pela necessidade de reflexão sobre o tema, com o objetivo de compreender as razões que levam a ludicidade a ser articulada ao desenvolvimento infantil, como propulsora do desenvolvimento biológico, psíquico, social e afetivo da criança. O artigo trata principalmente de conceitos importantes acerca do assunto e ainda aborda as práticas pedagógicas que visam o estimulo do desenvolvimento infantil sadio. As principais conclusões são que a educação lúdica integrada a psicomotricidade, desde a educação infantil são ferramentas importantes para que a criança se desenvolva plenamente em todos os seus aspectos, e para isso é necessária uma postura observadora, critica, e reflexiva do professor e que sua prática pedagógica de conta de proporcionar um desenvolvimento pleno e uma aprendizagem rica e concreta ao educando.

Palavras-chave: ludicidade; Educação Infantil; Psicomotricidade.

ABSTRACT: The present article is justified by the need to reflect on the theme, with the objective of understanding the reasons that lead to playfulness to be articulated to child development, as a propeller of the biological, psychic, social and afetivo development of the child. The article delas mainly with important concepts on the subject and also addresses pedagogical practices that aim at stimulating healthy child development. The main conclusions are that the integrated entertainment education of psychomotricity, since early childhood education are important tools for the child to develop fully in all its aspects, and for this it is necessary an observer, critical and reflexive attitude of the teacher and that his pedagogical practice of providing full development and rich and concrete learning to the student.

Keywords: playfulness; Child education; Psychomotricity.

INTRODUÇÃO:

O presente artigo aborda o tema da ludicidade e sua contribuição no desenvolvimento da criança, na educação infantil. A escolha dessa temática nasceu de observações realizadas em instituições escolares que trabalham com a faixa etária do zero aos cinco anos de idade.

O brincar é um direito fundamental das crianças e deve estar em condições de aproveitar as oportunidades educativas voltadas para fazer suas necessidades básicas.

A brincadeira lúdica não significa apenas diversão, sem fundamentação ou razão e sim caracteriza como uma das formas mais complexas da criança em comunicar-se consigo mesma e o mundo, ou seja, desenvolver se através de trocas desenvolvendo capacidades importantes, a atenção, memória, imaginação que junto com a psicomotricidade possibilita que as crianças se expressem corporalmente ao mesmo tempo que aprendem, isto é, desenvolvam habilidades e competências motoras e cognitivas de forma lúdica, e esta é uma atividade fundamental na infância.

Na infância sabe-se que a brincadeira e o movimento são fundamentais para o desenvolvimento integral da criança, mas muitas não têm na sua família ou na própria escola um espaço organizado e planejado que lhe possibilitem o seu desenvolvimento, no entanto sabe-se o brincar faz parte inerente da infância à criança, ela desenvolve suas habilidades, mesmo que sem esses estímulos próprios fatores biológicos e psicológicos dão condições para a criança desenvolver sua motricidade, mas, os fatores sociais também são importantes. Então, surge a necessidade de compreender o que a ludicidade infantil, na escola de educação Infantil é comum e histórico, que as pessoas achem que é apenas um local de cuidado e não de educação e aprendizagem das crianças. Dessa forma, o que se vê são crianças sendo apenas cuidadas e não estimuladas a construir sua aprendizagem e a desenvolver-se plenamente.

O artigo destaca a importância de se compreender o lugar que a ludicidade ocupa na educação infantil e sua relevância no planejamento pedagógico do profissional que trabalha com este período do desenvolvimento infantil. Dessa maneira, serão apresentados dois tópicos: A ludicidade e seus conceitos e a importância das práticas pedagógicas na Escola de Educação Infantil.

Este artigo faz uma pesquisa de campo, que pode ser conceituada conforme Gil (2007, p.17) como, […] “procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas que são propostos”. Neste sentido, este trabalho justifica-se pela necessidade de reflexão sobre o tema, com o objetivo de compreender as razões que levam ludicidade junto com a psicomotricidade a ser articulada ao desenvolvimento infantil, como propulsora do desenvolvimento biológico, psíquico, social e afetivo da criança.

DESENVOLVIMENTO DO ARTIGO:

REVISÃO DA LITERATURA

1. LUDICIDADE

A ludicidade sempre se fez presente na vida das crianças através dela, elas viajam do mundo real para um mundo imaginário onde tudo pode acontecer. Objetos criam vida, ao mesmo tempo em que desaparecem e adquirem novas formas e sentidos; lugares distantes ficam a ‘um passo’ do alcance e até planetas desconhecidos viram ‘reais’. Pode-se construir e desconstruir ‘mundos’ e objetos. Nas brincadeiras, pode-se ser rainha ou bruxa, herói ou bandido, pequeno ou grande, pois elas nos permitem ir além. Garcia (2002, p. 56) comenta que “ao brincar, o sujeito ensaia, treina, aprende, se distrai, sim; mas se constrói: afirma, assimila, reorganiza, descobre e inventa suas formas enfrenta os enigmas, os desafios, as oportunidades e as imposições que a vida lhe apresenta”. As brincadeiras permitem à criança imaginar e ao interagir nas brincadeiras. Ela, ao mesmo tempo em que cria ‘saídas’ para situações reais, assimila regras sociais, observa o outro e elabora novos conhecimentos. Brincar, contudo, não é apenas ‘coisa de criança’. A ludicidade faz parte de toda a vida do homem e não é porque os adultos não brincam que ela deixa de existir. Brancher (2007) entende o lúdico como atividade inerente ao ser humano. Nós educadores devemos percebê-lo não apenas enquanto prática utilitarista, pois o jogo pelo jogo também pode promover produções de conhecimento. A prática do jogo nos proporciona essa alegria; alegria que também é saber, saber viver e saber ser. Almeida (1990, p. 11) enfoca que “ninguém é mais livre neste mundo do que aquele que consegue viver a alegria na liberdade, a liberdade na alegria e a alegria no viver”. O jogo exige que o jogador crie estratégias envolvendo seus conhecimentos na busca de soluções para sair-se bem. Ao conseguir resolver os problemas, o jogador assimila novos saberes e um sentimento de poder vencer os desafios. As atividades lúdicas, portanto, nos permitem experimentar, sentir, criar e recriar mundos e situações. Através dela podemos nos libertar da nossa realidade mecânica e ir muito além deste mundo, trocar experiências, viver momentos de alegria e liberdade, enfim, aprender com as situações. Além de produzir cultura, a brincadeira faz com que a criança se confronte com a cultura. “Na brincadeira, a criança se relaciona com conteúdo culturais que ela produz e transforma dos quais ela se apropria e lhes dá uma significação.

Tratando o brincar como atividade humana criadora, na qual imaginação, fantasia e realidade interagem na produção de novas possibilidades de interpretação, de expressão e de ação pelas crianças assim como de novas formas de construir relações sociais com outros sujeitos, crianças e adultos. Tal concepção se afasta da visão predominante da brincadeira com atividade restrita à assimilação de códigos e papéis sociais e culturais, cuja função principal seria facilitar o processo de socialização da criança e sua integração à sociedade. Ultrapassando essa ideia, o autor compreende que, se por um lado a criança de fato reproduz e representa o mundo por meio das situações criadas nas atividades de brincadeiras, por outro lado tal reprodução não se faz passivamente, mas mediante um processo ativo. Sendo assim, a criança ao se deparar com situações reais que ela já experimentou em suas brincadeiras e já produziu novos significados e saberes poderá aplicar seus novos conhecimentos na prática. Ao brincar as crianças criam uma nova forma de comunicação entre elas.

A brincadeira só é possível se os seres que a ela se dedicam forem capazes de certo grau de metacomunicação, ou seja, se forem capazes de trocar sinais que veiculem a mensagem isto é uma brincadeira. Além da metacomunicação, a brincadeira exige que sejam formuladas regras a seu respeito. “Uma regra da brincadeira só tem valor se for aceita por aqueles que brincam e só vale durante a brincadeira. É brincando que a criança representa através da imaginação ou da imitação, novas situações ou situações do seu cotidiano. O brinquedo apareceu para dar à brincadeira “possibilidades de ações coerentes com a representação. Pode-se afirmar que o brinquedo adquire valor simbólico enquanto objeto da brincadeira, que só terá sentido enquanto durar a brincadeira e para quem estiver participando dela. Uma vassoura só serve para varrer, quando ela está na mão de uma criança pode ‘transformar-se’ em cavalo, fuzil, ou, até em uma árvore. É através da imaginação da criança que o objeto passa a ‘ter vida’. A criança, através da brincadeira, transforma o ser inanimado em ativo. A criança dispõe de um acervo de significado. Ela deve interpretá-los: a criança deve conferir significados ao brinquedo, durante sua brincadeira. Neste sentido, o brinquedo não condiciona a ação da criança: ele lhe oferece um suporte determinado, mas que ganhará novos significados através da brincadeira. O brinquedo, como objeto, dá à brincadeira uma representação. Ele traz imagens que a farão dar sentido à brincadeira, traduzindo o real ou imaginário. “A brincadeira pode ser considerada como uma forma de interpretação dos significados contidos no brinquedo” (BROUGERE, 2004, p.08). “Os objetos têm uma tal força motivadora inerente, no que diz respeito às ações de uma criança muito pequena e determinam tão extensivamente o comportamento da criança” (VIGOTSKY, 1987, p.110) por exemplo, uma boneca, como representa uma criança, faz com que quem esteja brincando tenha cuidados específicos que se tem com um bebê, como: ninar, cuidar, trocar roupas etc. KISHIMOTO (2003, p.07) aponta o brinquedo como “objeto, suporte de brincadeira, quer seja concreto ou ideológico, concebido ou simplesmente utilizado como tal ou mesmo puramente fortuito. Ludicidade é uma expressão usada na educação que é a forma de desenvolver a criatividade, ou seja, é toda ação voluntaria que proporciona alegria, diversão, prazer, satisfação através de jogos, brincadeiras, músicas e danças. A intuição é de educar, ensinar se divertindo e interagindo com o outro. Na educação infantil o professor enfatiza no papel de cuidar e educar, favorecendo aprendizagem e brincadeiras para as crianças, pois:

Nas obras de Piaget e Vygotsky, os autores sempre enfatizaram a importância da criança se desenvolver de forma integral em todos os aspectos, sendo eles cognitivo, afetivo, físico, linguístico, moral e social. Esse processo de desenvolvimento se dá a partir da interação da criança com meio, ou seja, a criança vai conhecendo o mundo e agindo nele seguindo seu estágio de desenvolvimento, a primeira linguagem que a criança compreende é a linguagem corporal, é por meio do corpo que a criança interage com o meio.

A teoria do desenvolvimento infantil segundo Vygotsky (1982-1984 v. IV p. 281).

É por meio de outros, por intermédio do adulto que a criança se envolve em suas atividades. Absolutamente, tudo no comportamento da criança está fundido, enraizado no social. Assim, as relações da criança com a realidade são, desde o início, relações sociais. Neste sentido, poder-se ia dizer que o bebê é um ser social mais elevado.

Na citação acima o autor enfatiza que a sociabilidade da criança é o ponto de partida de suas interações sociais com o entorno. Podermos afirmar que a criança desde que nasce pertence ao um grupo social e que ao longo tempo a criança vai aprimorando seu relacionamento social, então se destaca a importância da criança se relacionar com outras crianças e com o meio através do brincar, pois, quando a criança brinca ela interpreta, imita, imagina cria seu próprio mundo, o brincar simboliza momentos de aprendizado e descoberta que beneficiam a construção de regras e limites de uma criança.

Na concepção de Lev Vygotsky (1896-1934) a brincadeira, o brinquedo e os jogos são incentivos eficazes para as ações infantis, ou seja, que a cada etapa do seu desenvolvimento a criança tem motivações diferentes, que a cada etapa de seu desenvolvimento as brincadeiras são substituídas por outras, conforme o nível do desenvolvimento de cada criança. Destaca-se o importante papel que tem o professor na teoria sócio interacionista, ou seja, o desenvolvimento do indivíduo ocorre num processo sócio- histórico construído a partir da linguagem e da aprendizagem nas relações intra e interpessoais. É na troca com outros indivíduos e consigo mesmo que vai internalizando conhecimento papéis e funções sociais. Conforme o autor a criança inicia sua vida social na fase inicial, ou seja, desde que nasce a criança já está inserida na vida social aprimorando essa socialização com o decorrer do tempo através de brincadeiras na qual a criança aprende a interagir em grupo e individualmente. As brincadeiras são ações lúdicas, espontâneas, imaginarias e interações sociais que possibilitam à criança a se desenvolver nos aspectos linguístico e social, afetivo, cognitivo, motor e moral, por esse motivo as atividades lúdicas devem ser oferecidas com qualidade para o desenvolvimento da criança, sendo assim destacamos a importância do brincar na educação infantil.

Wallon (1879-1962) defendia a importância da relação entre movimento, afetividade e inteligência para o desenvolvimento da cognição. O autor enfatiza a importância de jogos físicos (movimento) no desenvolvimento da criança. Que toda ação ou movimento que a criança realizar deve ser espontâneo, que o seu brincar seja de forma livre expressando sua imaginação e criatividade. A ludicidade está presente no uso da linguagem, marcado pelo ritmo e rima.

Para Wallon, em educação é importante introduzir a cada atividade o lúdico, a primeira etapa da atividade tem que ser de forma de brincadeiras. Com a linguagem, ocorre o mesmo processo, utilizando a melodia. Brincar com a linguagem, com o gesto para posteriormente usa-los intencionalmente. Na sua concepção, toda atividade da criança é lúdica que ela exerce por si mesma antes de interagir com o meio. Assim é possível perceber que o brincar assume um papel fundamental na infância. Oliveira ao falar das diversas funções do brinquedo, menciona que a função brincar.

2. PSICOMOTRICIDADE

Este conceito remete a distinção da psicomotricidade da motricidade. Enquanto a psicomotricidade implica no sujeito psicológico e motor, em seu movimento e noções espaço, temporais, a motricidade é um movimento pelo movimento, da repetição reflexa.

“O termo psicomotricidade se divide em duas partes: a motriz e o psiquismo, que constituem o processo de desenvolvimento integral da pessoa”. (FONSCECA 2004, p.16). O motriz está relacionado ao movimento (voluntario ou involuntário dos músculos) e o psico ao cognitivo, ou seja, é a junção das funções de corpo e cérebro trabalhando em conjunto no desenvolvimento humano. Entre psicomotricidade e motricidade há uma variedade de significados para se explorar, no entanto, sabe-se que é de extrema importância o seu conhecimento para o docente em sua prática diária.

Para Barreto (2000) a psicomotricidade é a integração do indivíduo, utilizando, para isso, o movimento e levando em consideração os aspectos relacionais ou afetivos, cognitivos e motrizes. De acordo com Alves (2003), a psicomotricidade é toda a ação realizada pelo indivíduo, que represente suas necessidades e permitem a relação com os demais. É a integração psiquismo-motricidade.

A de se destacar que sempre que abordamos o cognitivo temos o afeto interligado, pois conforme Piaget (1984, p.56) “A afetividade e o desenvolvimento da inteligência interligadas, integradas, no desenvolvimento psicológico, não sendo possível ter duas psicologias, uma da afetividade e outra da inteligência para explicar o comportamento”.

Consideramos então esta ligação como um processo indissolúvel, uma vez que não há razão sem emoção, ou sentimento sem pensamento.

Segundo, ainda Piaget (1984), as crianças da faixa etária das escolas de Educação Infantil, estão entre dois estágios do desenvolvimento, do zero aos dois anos no estágio sensório-motor, onde passam dos reflexos ao descobrimento do seu próprio corpo através das experiências que vão adquirindo por meio da percepção e da motricidade. E no período pré-operacional, dos dois aos sete anos, estágio em que a criança se expressa por meio de imagens e habilidades de imitação, fala, jogo de imitação, e corporeidade. Neste estágio a criança desenvolve de forma intensa a seu intelecto, sua corporeidade e socialização, implicadas pelo processo de assimilação e acomodação de estímulos de seu entorno. As crianças se encontram em uma etapa muito significativa do desenvolvimento físico e psicomotor, pois estão ocorrendo transformações notáveis tanto na ação como na representação propriamente dita.

Dessa forma, percebe-se que a psicomotricidade é a ciência que surgiu para que se possa compreender que o desenvolvimento motor está correlacionado ao desenvolvimento cognitivo e afetivo que ambos ocorrem a partir dos aspectos biológicos, sociológicos, psicológicos e afetivos do indivíduo.

Nesse sentido, para se compreender melhor é necessário que se reflita sobre o desenvolvimento motor da criança.

O desenvolvimento motor está relacionado às áreas cognitiva e afetiva do comportamento humano, sendo influenciado por muitos fatores. Dentre eles destacam os aspectos ambientais, biológicos, familiar, entre outros. Esse desenvolvimento é a contínua alteração da motricidade, ao longo do ciclo da vida, proporcionada pela interação entre as necessidades da tarefa, a biologia do indivíduo e as condições do ambiente. (GALLAHUE, 2005, p. 03).

A combinação de fatores internos (neurológicos e biológicos) associados aos fatores externos (ambiente), juntamente com a experiência que vai adquirindo pela psicomotricidade, possibilita a execução de movimentos que ao longo do desenvolvimento infantil vão se aprimorando, e que são divididos nas seguintes fases, segundo Gallahue (2005, p.54). “O desenvolvimento motor apresenta fases, estágios”. Sendo a primeira descrita por reflexos, à segunda por movimentos primários, aonde a criança vai adquirindo melhores movimentos conforme sua maturação neurológica. Tanto a primeira quanto à segunda fase se dá no período neonatal. Já a terceira fase ocorre na primeira infância e a fase dos movimentos fundamentais, como a descoberta do corpo, dos movimentos e da expressão. E a última fase é denominada de fase dos movimentos especializados, onde o indivíduo é capaz de explorar sua motricidade de forma plena, como participar das atividades recreativas e esportivas, chutando, correndo, pulando.

ANÁLISE E RESULTADOS DOS DADOS

A escolha da temática nasceu da minha prática enquanto docente e também das observações que realizo diariamente na escola.

Percebi que as crianças que frequentam a escola onde trabalho, apesar de terem a mesma faixa etária são muito distintas em seu desenvolvimento, cognitivo e afetivo. Comecei a me questionar o porquê dessas diferenças e procurei observar melhor essa questão. Aos poucos fui notando que essas diferenças estavam correlacionadas a forma de estimulo dada pela família e pelo docente.

A ludicidade muitas vezes não é considerada fundamental por muitos professores e tão pouco, conhecida pela família. Ademais, na escola de educação infantil é comum e histórico, que as pessoas achem que é apenas um local de cuidado e não de educação e aprendizagem das crianças. Dessa forma, o que se vê são crianças sendo apenas cuidadas e não estimuladas a construir sua aprendizagem e a desenvolver-se plenamente.

Toda criança tem direito à educação, e a primeira etapa desta é a educação infantil, a qual tem por finalidade o desenvolvimento integral da criança de zero a cinco anos, complementando a ação da família e da comunidade, esta, deve estar baseada nos princípios de cuidado e educação, para que a criança se desenvolva de forma integral, fazendo a mediação entre a criança e o objeto, a criança e o mundo, possibilitando seu acesso às fontes de conhecimento.

O educar já foi erroneamente interpretado, muitos professores achavam que as crianças das Escolas de Educação Infantil, deveriam sair preparadas para o ensino fundamental, não que isso não seja significativo, mas, o mais importante é que este educar esteja voltado para o desenvolvimento integral infantil. O educar é possibilitar a criança momentos de construção da sua identidade, é mediar o conhecimento de si e do outro, promovendo além do seu desenvolvimento cognitivo, o seu convívio social, a sua autonomia, a sua criticidade.

Levar para o espaço da escola de Educação Infantil, as ações do cuidar e do educar agregadas às atividades relacionadas com o brincar e a psicomotricidade as ações de cuidar e educar agregadas às atividades relacionadas com o brincar, onde o movimento nesta fase do desenvolvimento da criança é importante, são os primeiros passos, a ser pensados pelo educador.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente artigo trouxe reflexões pertinentes acerca da ludicidade e da psicomotricidade na infância e apontou estratégias de práticas pedagógicas nas instituições de Educação Infantil que podem contribuir para o desenvolvimento integral da criança.

Por ser, a educação, um direito de todos e um dever da família e do Estado, cada vez mais cedo as crianças entram no convívio do ambiente escolar das instituições de Educação Infantil. Dessa forma, foi muito importante perceber que nestes espaços além das ações de cuidar e educar é fundamental a ação do brincar agregadas a psicomotricidade.

O lúdico intenciona a criança a se expressar, criar, imaginar, se movimentar e aprender por meio de atividades que lhe dão prazer e desejo, potencializando o seu desenvolvimento global e não lhes tirando a condição de ser criança. Ao brincar a criança adquire sua autonomia e independência, conhece a si, constrói sua identidade, desenvolve suas habilidades físicas e motoras, conhece a sua cultura, além de conhecer e ter contato com o outro.

Dessa forma, é fundamental ressaltar que é aqui que entra o papel do professor. A postura deste educador primeiramente deve ser de observador, analisando as práticas psicomotoras em ação na criança, para poder intervir de forma livre e criativa, e ser um eterno pesquisador, buscando um aperfeiçoamento contínuo.

Além, de ter a curiosidade de um investigador, conhecendo a realidade dos seus educandos e um olhar um crítico, compreendendo a importância da educação psicomotora na Educação Infantil, desenvolvendo em sua prática diária atividades lúdicas e ricas pedagogicamente que deem conta que a criança construa uma aprendizagem concreta e significativa.

REFERÊNCIAS

ALVES, F. Psicomotricidade: corpo, ação e emoção. Rio de Janeiro: Walk, 2003.

BARRETO, S. J. Psicomotricidade, educação e reeducação. 2 ed. Blumenau: Livraria Acadêmica, 2000.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. v. 1, Brasília: MEC/SEF, 1998.

_____. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. v. 2, Brasília: MEC/ SEF, 1998.

EMERIQUE, P. S. Aprender e ensinar por meio lúdico. In: SCHWARTZ, Gisele

Maria (Org). Dinâmica lúdica, novos olhares. São Paulo: Manole, 2004.

FILHO, N. F. A; SCHNEIDER, O. Educação física para a educação infantil: conhecimentos e especificidades. Aracaju: Editora UFS, 2008.

FONSECA, V. Desenvolvimento psicomotor e aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2008.

___________. Psicomotricidade: perspectivas multidisciplinares. Porto Alegre: Artmed, 2004.

GALLAHUE, D. L. Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. Trad. De Maria Aparecida da Silva Pereira Araújo, Juliana Medeiros Ribeiro, Juliana Pinheiro Souza e Silva. 3° Ed. São Paulo: Phorte, 2005.

GALVÃO, I. Henri Wallon: Uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. Petrópolis: Vozes, 1995.

GARANHANI, M. C. A Educação física na Educação infantil: uma proposta em construção.

FILHO, N.F. A; SHNEIDER, O. (Org). Educação Física para a Educação Infantil conhecimentos e especificidades. Aracaju: Editora UFS, 2008

KUNZ, E. Didática da educação física. 2ª ed. Ijuí: Unijuí, 2001.

LE BOULCH, J. A Educação Psicomotora: Psicocinética na Idade Escolar. Tradução: WOLF, Jeni. Porto Alegre: Artes Médicas, 1988.

NEGRINE, A. Aprendizagem e desenvolvimento infantil: psicomotricidade: alternativas pedagógicas. Porto alegre: Prodil, 1995.

OLIVEIRA, M.K. Vygotsky – Aprendizado e desenvolvimento: Um processo sócio histórico.5. ed. São Paulo: Scipione, 2010.

PIAGET J. O nascimento da inteligência na criança. 4. ed. Rio de Janeiro: Zahar editores, 1984.

STEFANINI, C. Um olhar na Educação Infantil: A Educação Física Existe? Mato Grosso do Sul: OMEP, 2002.

LUDICIDADE, na pratica pedagógica nas escolas. Disponível no site: www.artigostcc.pedagogia.pdf. Acesso em março 2018.

ALMEIDA, Paulo Nunes de. Educação lúdica: técnica e jogos pedagógicos. São Paulo: Loyola, 1995.

VYGOTSKY, L.S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes 1984.

* Viviane Quevedo de Barros, acadêmica do 6º semestre do Curso de Pedagogia do Centro Universitário da Grande Dourados-UNIGRAN.