Porque as crianças são egoístas?

Não elas não são egoístas. Só se considera uma criança egoísta quando ela não consegue superar a fase “egocêntrica” que é uma fase natural do desenvolvimento das crianças até aproximadamente 5/6 anos. Se a criança se recusar a compartilhar algo, isso não significa que você vai ter que se contentar com uma criança mimada pro resto da vida. Segundo um novo estudo, a culpa de crianças pequenas se comportarem egoisticamente pode ser de uma região de seus cérebros que está ainda imatura. Especialistas acreditam que, conforme as crianças crescem, tornam-se menos egoísta e cada vez mais se concentram em como o seu comportamento pode afetar ou beneficiar os que a cercam.  Aproximadamente até os seis anos de idade, a criança ainda está aprendendo a controlar seus impulsos; é imatura psíquica e neurologicamente. É egocêntrica e não consegue se colocar, no lugar do outro.  Possessiva e enciumada diz constantemente: “é meu”. Quando estão brincando em duas ou mais crianças, e optam por pegar o mesmo objeto ao se sentirem atacadas, mesmo que esta não seja a intenção da outra criança, eles contra-atacam. Sem falar nas variações de humor que ocorrem (reflexo de cansaço, sono e fome) que geram brigas “bobas” e momentâneas. Para que a criança consiga superar o egocentrismo, com o passar do tempo ela deve caminhar para a socialização, que é a inclusão do outro em seu mundinho. O processo de socialização ocorre lenta e gradualmente e exige da criança o cumprimento de regras de conduta sociais e a superação das frustrações por não ter seus desejos satisfeitos imediatamente à sua vontade. Isso é tarefa dos pais e dos professores, que não devem satisfazer todos os desejos da criança.

É importante ser paciente, pois, são crianças, Se você já falou para a criança que ela precisa emprestar o brinquedo para o amiguinho e ela concordou. Não significa que da próxima vez ele vai emprestar facilmente. A educação se dá por meio de muita paciência e repetição. Perder a paciência pode resultar em não educar adequadamente a criança ao mundo social e interativo. Cabe então, aos adultos favorecer situações de condutas de cooperação e empatia com os outros. É importante elogiar qualquer conduta de compartilhamento e cooperação espontânea. Sejam elas em convívios em brincadeiras ou jogos. Se ele não quiser emprestar os brinquedos novamente, relembre aquele dia em que todos jogaram juntos. Proponha, então, que divida o que tem para que a brincadeira se torne ainda mais legal. Se continuar a resistir ao empréstimo, não force a barra nem arranque o brinquedo da mão dele. Dessa forma, a lição se perde em meio ao ataque de raiva.

A criança pode, e deve, se tornar uma pessoa sociável. Em casa, não deixe seu filho interromper a conversa dos adultos, explique que todo mundo tem a sua vez de contar uma história. Controle-se. Só assim, ele vai aprender a esperar e entender que não é o centro do mundo. O exemplo dos pais, dos educadores e a convivência com outras crianças é fundamental nesse aprendizado. Afinal, as experiências vividas em grupo são capazes de moldar o nosso jeito de ser.

POR GIANDRA DORNELES DE MORAES

* Formanda do curso de Pedagogia, da Faculdade de Educação da Universidade de Passo Fundo.