A importância da ludicidade na educação infantil

* Taís Oliveira

A brincadeira é uma atividade fundamental para o desenvolvimento infantil, sendo defendida como uma maneira de expressão, interação, pensamento e comunicação entre as crianças, onde também é compreendida como uma atividade que favorece o desenvolvimento global, solução de conflitos e ainda a construção de pessoas críticas e pensativas, interagindo com o mundo ao seu redor, obtendo vivências lúdicas, aprendendo a realidade e se descobrindo (QUEIROZ, MACIEL E BRANCO, 2006).

O brincar para uma criança possui sentido diferente do que para um adulto. Para ela, o ato de brincar não quer dizer apenas fazer nada, contrariamente, este é o trabalho, onde desenvolve capacidades, vivencia novas habilidades, compreende seus limites, descobre o viver. Brincar é uma atividade em que a criança precisa de aprendizagem. A medida que a criança vai crescendo, as atividades de faz de conta são trocadas por outras do seu interesse. Por isso, o trabalho da criança, é o brincar e é através do jogo que ela adquire seu poder, explora, entende e interpreta as regras do mundo da sua maneira (RODRIGUES, 2015; RUIZ; BATISTA, 2014).

Quando a criança brinca no seu dia a dia, ela possui mais facilidade em se relacionar com todos ao seu redor. Além dos jogos e brincadeiras educarem as crianças, ainda inclui aspectos físicos e mentais. Por meio das atividades lúdicas, as crianças demostram seus valores, interagindo com os professores e colegas e ainda aumentam suas práticas mentais, motoras e sociais (BECKEMKAMP, TORNQUIST E BURGOS, 2011; GIMÉNEZ E RIO, 2010). Segundo Ecke (2010), por meio do brincar, a criança forma conceito, troca experiências, familiariza-se, produz e aprimora expressões corporais e orais, compartilhando com a comunidade a sua volta e contribuindo para formação do seu conhecimento.

O jogo é muito significativo para o desenvolvimento infantil ideal. Além de ser essencial para a criança, ele auxilia no desenvolvimento social, emocional, e no desenvolvimento cognitivo, contribuindo para que a criança se ajuste ao ambiente escolar, melhorando a sua aprendizagem, habilidades comportamentos e, também possibilitando que as crianças utilizem sua criatividade. Por meio do jogo as crianças desenvolvem um cérebro saudável, e aquelas prematuras conseguem interagir com o mundo ao seu redor, permitindo a criação e exploração de um mundo em que elas consigam vencer seus medos (GINSBURG, 2007).

Segundo Fernandes e Elali (2008), as atividades lúdicas e o brincar, são experiências essenciais para pessoas de diversas idades. Para as crianças com idades entre três e sete anos, as brincadeiras e as ações desempenhadas nelas são maneiras de experimentar o mundo ao seu redor. No ambiente de brincadeira, a criança é o motivador do seu desenvolvimento, na proporção que escolha suas atividades e objetos, locais favoritos, seus colegas, mas por outro lado ela também é influenciada pelo ambiente em que se encontra, onde contribui e também o modifica. Por isso, é fundamental que a escola ofereça locais adequados para o andamento das brincadeiras das crianças.

A partir disso, é fundamental analisar alguns aspectos, como: tamanho, formato, quantidade e qualidade dos brinquedos e materiais existentes, idade das crianças incluídas, entre outros. Para tornar o espaço mais acolhedor, principalmente para as crianças mais novas, é importante acomodar os locais disponíveis em lugares menores, e ainda variações de turnos, assim os locais podem ser pequenos e íntimos, enquanto outros são grandes e provocadores. Essa variação de espaços, amplia a utilização da área pelas crianças, proporcionando diversos acontecimentos.

Percebe-se que pouco é o tempo que a criança tem com a família, e é na escola que ela cresce e se desenvolve. O professor da educação infantil tem que ter o olhar atento e sensível a esse aspecto, procurando interagir e agir no espaço de forma dinâmica, proporcionando a ludicidade, o prazer, a autonomia, pois como consta no RECNEI

Brincar é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da identidade e da autonomia. […] Nas brincadeiras as crianças podem desenvolver algumas capacidades importantes, tais como a atenção, a imitação, a memória, a imaginação. Amadurecem também algumas capacidades de socialização, por meio da interação e da utilização e experimentação de regras e papéis sociais (BRASIL, 1998 p.22).

Dessa forma o lúdico deve estar presente diariamente na rotina da educação infantil, seja em momentos dirigidos, em que o professor proponha o brincar, seja em momentos como observador. Este último muito importante, sendo que quando a criança brinca, escolhendo o seu papel, ela cria e recria o ambiente em que vive, e é observando que o educador poderá ocupar-se do que os pequenos representam, entendo, muitas vezes, o que acontece na vivencia familiar de cada um pois brincar é experimentar, é descobrir, é se encantar com o mundo. É brincando que as crianças reproduzem seu cotidiano, imaginando, fantasiando, assim a brincadeira é significativa e indispensável na construção do conhecimento.

Dessa forma o trabalho com o lúdico deve ser algo planejado, zelado, responsável. Essa conexão entre o brincar e o planejar é importante para o desenvolvimento da criança, pois assim ela vivencia, constrói, analisa, imagina e cria seu jeito de se relacionar com o mundo.

Referências Bibliográficas

BECKEMKAMP Daiana. Brincadeiras praticadas no recreio escolar e nas horas de lazer: um estudo em uma escola de rede particular de ensino fundamental de Santa Cruz do Sul-RS. 2009, p. 26. Monografia (graduação) Universidade de Santa Cruz do Sul.

BECKEMKAMP, D.; TORNQUIST, L.; BURGOS, M. S. Brincadeiras praticadas no recreio escolar e nas horas de lazer. Lecturas, Educación Física y Deportes. Buenos Aires, v. 16, n.156, 2011.

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial Curricular para a educação infantil. Brasília: MEC, 1998.

BURGOS, M.S. et al. Projeto de pesquisa brinquedos e brincadeiras tradicionais do sul do brasil: uma interpretação na abordagem da teoria dos sistemas ecológicos. Santa Cruz do Sul, 2003.

ECKE, M. K. et al. Atividades e brincadeiras preferidas durante o recreio escolar e tempo de lazer: um estudo comparativo entre escolas da rede pública e particular. Cinergis, Santa Cruz do Sul, v. 11, n. 1, p. 69-76, 2010.

FERNANDES, O. de S.; ELALI, G. A. Reflexões sobre o comportamento infantil em um pátio escolar: O que aprendemos observando as atividades das crianças. Paidéia, v. 18, n. 39, p. 41-52, 2008.

GIMÉNEZ, A. M.; RIO, J. F. Los juegos tradicionales infantiles: un marco privilegiado para el trabajo interdisciplinar y competencial. Tándem. Didáctica de la Educación Física, n. 1, n. 33, p. 67-76, 2010.

GINSBURG, K. R. The Importance of Play in Promoting Healthy Child Development and Maintaining Strong Parent-Child Bonds. American Academy of Pediatrics. v. 119, n. 1, p. 182-193, 2007.

HERTZ Eliana de Araújo. Jogos e atividades preferidas no recreio escolar: um estudo nas séries iniciais do ensino fundamental da zona urbana e rural do município de Venâncio Aires- RS. 2014, p. 37. Monografia (Graduação) Universidade de Santa Cruz do Sul.

KRUGER L. M. Recreio escolar e brincadeiras: atividades preferidas dos alunos de uma instituição de ensino em Vera Cruz – RS. Universidade de Santa Cruz do Sul. (Monografia de graduação), 2013.

RODRIGUES, M. M. P. F. Memories of fun side primary school portuguese. História da Educação, v. 19, n. 47, p. 213- 227, 2015.

RUIZ, Letícia Coelho; BATISTA, Cecília Guarnieri. Interação entre crianças com deficiência visual em grupos de brincadeira. Revista brasileira de Educação Especial, v. 20, n. 2, p. 209-222, 2014.

SANTOS, D. B. dos. Perfil de brincadeiras preferidas durante o recreio escolar e tempo de lazer: um estudo com estudantes do ensino fundamental do município de Santa Cruz do Sul – RS. 2015, p. 35. Monografia (Graduação) Universidade de Santa Cruz do Sul.

QUEIROZ, N. L. N.; MACIEL, D. A.; BRANCO, A. U. Brincadeira e desenvolvimento infantil: um olhar sociocultural construtivista. Rede de Revistas Científica da América Latina, Caribe, Espanha e Portugal, v. 16, n. 34 p. 169-179, 2006.


* Curso normal concluído pelo Instituto Estadual de Ensino Médico Felipe Roman Ross. Cursando pedagogia pela UPF.