O Autismo e a Aprendizagem Escolar

* Maristela Gomes de Oliveira – Professora

CARACTERÍSTICA DO AUTISMO

São diversas as características comportamentais que podem ser apresentadas por autistas, tais como: distúrbios do relacionamento, distúrbios da fala e linguagem, distúrbios no ritmo de desenvolvimento, distúrbios da motilidade e distúrbio da percepção. Observe cada uma delas detalhadamente:

“Distúrbios do relacionamento: Falta do desenvolvimento de uma relação interpessoal e de contato visual”. Tanto o relacionamento com pessoas quanto com objetos inanimados estão alterados. Ausência de sorriso social, desinteresse em participar de jogos e brincadeiras, preferência por permanecerem sós, etc.

Distúrbios da fala e linguagem – comunicação: Caracterizado por enorme atraso, com fixação e paradas ou total mutismo. A ecolalia é comum, sendo associada ao uso inadequado ou reversão do pronome pessoal. Quando a fala comunicativa se desenvolve, ela é atonal, arrítmica, sem inflexão e incapaz de comunicar apropriadamente as emoções. Na verdade, a comunicação como um todo está comprometida: linguagem oral comunicativa, linguagem receptiva, linguagem gestual e expressão facial.

Distúrbios no ritmo de desenvolvimento: O ritmo mais comum é uma descontinuidade na sequência normal do desenvolvimento.

Distúrbios da motilidade: São os maneirismos, complexos e ritualísticos: exame dos dedos, borboleta- “flapping”, caminhar na ponta dos pés, jogar-se para frente e para trás, ninar-se, balançar (acompanhado de rolar ou balançar a cabeça no ar ou no chão ou bater a cabeça contra a parede), rolar ou girar objetos.

Distúrbio da percepção: Há falhas na modulação de estímulos com distorções na hierarquia normal, nas preferências dos receptores e uma incapacidade na habilidade de usar estímulos sensoriais para discriminar o que é importante ou não, ou seja, ocorre um erro de seletividade. Há alternância em procurar ou fugir de estímulos. “Assim, certos estímulos o apavoram, como o barulho do liquidificador, ou rasgar papel, enquanto outros sons, que seriam desagradáveis para crianças normais, como o arranhar da unha em um quadro negro ou em uma lixa, são procurados com insistência.” (Santos, 2008, p. 18 e 19)

Segundo SCHWARSTZMAN, J.S. e colaboradores (1995) o fato das crianças esfregarem a mão e a língua na parede, dificuldades de notar um alimento sólido e irem de encontro a uma porta ou parede relaciona-se aos distúrbios de percepção.

Estudos de Goodman & Scott (1997) apontam que um terço dos autistas com retardo mental sofre crises convulsivas, que começam a se manifestar dos 11 aos 14 anos. A hiperatividade é muito frequente, mas pode desaparecer na adolescência e ser substituída pela inércia. A irritabilidade também é habitual e comumente é desencadeada pela dificuldade de expressão ou pela interferência nos rituais e rotinas próprias do indivíduo. O autista também pode desenvolver medos intensos que desenvolvem fobias.

Caracteriza também a pessoa autista alterações nos doze sentidos, sendo eles: térmico, tátil, orgânico (capacidade de sentir e defender a vida), equilíbrio, cinestésico (conjunto de movimento do corpo, como um todo), audição, linguagem, “Eu” – (somos únicos e exclusivos), pensamento, visão, paladar e olfato; de acordo ELIANA R. BORALLI (2007) psicomotriscista e coordenadora da – Associação dos Amigos da Criança Autista.

Ainda há outras características que o autismo pode apresentar, conforme ANA MARIA TARCITANO SANTOS (2008): o autista não sente dor, ele não tem noção do eu (o eu não foi constituído), pode comer em demasia e pode ocorrer inversão da temperatura.

Através de observações baseadas nessas características o educador poderá dar o primeiro passo do diagnóstico de um aluno autista podendo assim adaptá-lo ao contexto escolar, preparando os coleguinhas para compreendê-lo e trabalhando com ele de forma personalizada para seu melhor desenvolvimento no processo de aprendizagem escolar.

O AUTISTA NO CONTEXTO ESCOLAR

Devido à grande carência de qualificação profissional para o diagnóstico e atendimento à criança autista, a escola padece ao recepcionar este aluno.

“A escola recebe uma criança com dificuldades em se relacionar, seguir regras sociais e se adaptar ao novo ambiente. Esse comportamento é logo confundido com falta de educação e limite. E por falta de conhecimento, alguns profissionais da educação não sabem reconhecer e identificar as características de um autista, principalmente os de alto funcionamento, com grau baixo de comprometimento. Os profissionais da educação não são preparados para lidar com crianças autistas e a escassez de bibliografias apropriadas dificulta o acesso à informação na área.” (Santos, 2008, p. 9)

Santos (2008) afirma que a escola tem um papel importante na investigação diagnóstica, uma vez que é o primeiro lugar de interação social da criança separada de seus familiares. É onde a criança vai ter maior dificuldade em se adaptar às regras sociais, o que é muito difícil para um autista.

Visto que existem diversos tipos de autismo, suas características podem variar de acordo com essa variedade e consequentemente o processo de aprendizagem, então há a necessidade de adequação do trabalho pedagógico para aluno. Como menciona Santos (2008), os autistas do tipo Aspergers, por exemplo, falam perfeitamente bem, até sem erros; mas eles têm dificuldade de usar a linguagem como meio de contato social, os obstáculos para a comunicação são sua indisposição ao contato e o foco de interesse restrito.

“O nível de desenvolvimento da aprendizagem do autista geralmente é lento e gradativo, portanto, caberá ao professor adequar o seu sistema de comunicação a cada aluno.” (Santos, 2008, p. 30)

Cabe também ao educador adaptar e preparar os demais os alunos para a melhor inclusão do autista no contexto escolar.

“É de responsabilidade do professor a atenção especial e a sensibilização dos alunos e dos envolvidos para saberem quem são e como se comportam esses alunos autistas.” (Santos, 2008, p.30)

Ana Maria Tarcitano dos Santos (2008) ainda alerta que o autista pode apresentar uma reação violenta ao ser submetido ao excesso de pressão, no entanto se o programa de aprendizagem esta sendo positivo ou se há necessidade de realizar alguma mudança.

É utilizado no Brasil um método de ensino com o objetivo de atender as necessidades do autista utilizando as melhores abordagens e métodos disponíveis, é o método TEACCH. Este é um grande aliado do educador que busca eficiência e eficácia no processo de aprendizagem de seu aluno autista, pois trabalha com o autista e toda a sociedade que o envolve.

“No Brasil é muito utilizado o método de ensino TEACCH, que foi desenvolvido no início de 1970 pelo Dr. Eric Schopler e colaboradores, na Universidade da Carolina do Norte.” (Santos, 2008, p.31)

Faz necessário que o educador tenha demasiada paciência e compreensão para com o aluno autista para que ele consiga aprender, pois ela pode apresentar um olhar distante e não atender ao chamado e até mesmo demorar muito para aprender determinada lição. Mas nada disso acontece porque a criança é desinteressada e sim porque o autismo compromete e retarda o processo de aprendizagem, ela precisa de muito elogio, motivação e carinho para desenvolver sua inteligência.

“É importante a continuidade do ensino para uma criança autista, para que se torne menos dependente, mesmo que isto envolva várias tentativas, e ela não consiga aprender. É preciso atender prontamente toda vez que a criança autista solicitar e tentar o diálogo, a interação, Quando ocorrer de chamar uma criança autista e ela não atender, é necessário ir até ela, pegar sua mão e levá-la para fazer o que foi solicitado. Toda vez que a criança conseguir realizar uma tarefa, ou falar uma palavra, ou enfim, mostrar progresso, é prudente reforçar com elogios. Quando se deseja que a criança olhe para o professor, segura-se delicadamente o rosto dela, direcionando-o para o rosto do professor. Pode-se falar com a criança, mesmo que seu olhar esteja distante, tendo como meta um desenvolvimento de uma relação baseada em controle, segurança, confiança e amor.” (Santos, 2008, p.31 e 32)