A importância do brincar no processo de aprendizagem na educação infantil

* Juliana da Rosa Oliveira

RESUMO: O presente trabalho refere-se sobre a importância do brincar na Educação infantil para o desenvolvimento da criança. O presente artigo se propõe aprofundar os conhecimentos diante do brincar e suas contribuições para uma aprendizagem significativa, com o objetivo de apresentar o lúdico como um processo educativo com a finalidade de destacar a importância dos jogos, brincadeiras e brinquedos utilizados pelos educadores na Educação Infantil. Nesse contexto enfatiza o brincar como a principal atividade infantil, pois quando à criança brinca entra em contato com o meio e com outras crianças. As atividades lúdicas proporcionam diversão, alegria e prazer além de desenvolver a imaginação e a autoestima da criança. Os brinquedos, brincadeiras e jogos são ferramentas essenciais que não podem faltar na educação infantil, sendo que os mesmos levam á criança a ingressar no universo sócio cultural ampliando o desenvolvimento das áreas psicomotoras, afetivas, cognitivas e sociais.

Palavras chave: Ensino-aprendizagem, Ludicidade, Educação Infantil.

ABSTRACT:

The present work refers about the importance of play in early childhood education for the child’s development. This article proposes to deepen the knowledge on the play and their contributions to a meaningful learning, with the aim of presenting the playful as an educational process with the purpose of highlighting the importance of the games, games and toys used by educators in early childhood education. In this context emphasizes the play as the main child activity, because as the child a play comes in contact with the environment and with other children. Playful activities offer fun, joy and pleasure in addition to develop imagination and self-esteem of the child. Toys, games and games are essential tools that cannot miss on early childhood education and the same lead the child to join in socio-cultural universe expanding the development of psychomotor, affective, cognitive areas and social.

Key words: teaching-learning, playfulness, early childhood education.

INTRODUÇÃO:

O presente artigo refere-se ao tema ludicidade e suas contribuições para o desenvolvimento da criança, na educação infantil. A escolha do tema surgiu mediante as observações realizadas em instituições de educação infantil. Quando se refere á Educação Infantil, estamos se referindo ao um espaço onde ocorre o processo de desenvolvimento da criança e não apenas um ambiente onde os pais deixam seus filhos para serem cuidados, sendo assim a educação infantil trabalha como mediadora entre o cuidar e o educar. Por isso é fundamental buscar o conhecimento da importância do papel da ludicidade no processo de ensino aprendizagem no espaço escolar, sendo que o ato de brincar é favorável ao processo de desenvolvimento, brincando a criança exercita seus esquemas simbólicos que lhe permitem a estruturação mental e representativa da percepção de si próprios do outro e do mundo em que o rodeia. Diante dessas considerações, ressaltamos a necessidade de conscientizar os pais, educadores e todos os envolvidos a refletir sobre a importância do brincar dentro e fora do espaço escolar, levando os mesmos a compreender que o brincar faz parte do cotidiano da criança, que brincar não é perca de tempo e sim uma forma de ensinar e aprender com prazer.

O artigo destaca a importância do profissional que atua na educação infantil de promover atividades lúdicas que possibilitam o desenvolvimento integral da criança, buscando conhecer as necessidades e potencialidades de cada criança, organizando suas práticas educativas a partir da resolução de problemas, compreendendo que as brincadeiras é um instrumento pedagógico importante para proporcionar uma aprendizagem significativa. Dessa maneira, serão apontados tópicos como: O conceito de ludicidade e a importância das atividades lúdicas no ambiente escolar.

Este artigo faz uma pesquisa de campo, que pode ser conceituada conforme Vyogtsky (1993, p.77), “é precisamente durante o inicio da idade escolar que as funções intelectuais superiores, adquirem um papel de destaque no processo de desenvolvimento”.

Assim, é possível perceber que o brincar assume um papel fundamental na infância, nesse sentido, o objetivo desse artigo é conceituar a importância das atividades lúdicas na educação infantil e no processo do desenvolvimento da criança, conforme os autores pesquisados. Sendo que a primeira etapa é fundamental para o desenvolvimento cognitivo e físico da criança, sendo que no meio escolar a criança interage com as demais crianças despertando sentimentos de amizade, disputa por brinquedos, autonomia, enfim descobrindo um novo mundo.

O artigo também enfatiza a importância do brincar no cotidiano da Educação Infantil para a contribuição do desenvolvimento da aprendizagem, cognitivo e social da criança, orientando a família e a escola para que as mesmas ofereçam essas atividades lúdicas com qualidade no espaço escolar para que a criança se desenvolva de forma completa e prazerosa.

1-DESENVOLVIMENTO DO ARTIGO

1.1-LUDICIDADE

Brincar é a principal atividade que a criança executa com espontaneidade e prazer, pois quando a criança brinca entra em contato com o meio e com outras crianças. Nesse contato ela interage e realiza diferentes atividades para conhecer, aprender e construir-se como sujeito pertencente ao grupo social e cultural no qual convive.

Permite a criança testar situações da vida real ao seu nível, sem riscos e sob seu controle. Objeto que desperta a curiosidade, exercita a inteligência, permite a invenção e a imaginação e possibilita que a criança descubra, pouco a pouco, suas próprias capacidades de apreensão, o brinquedo propõe à criança um mundo do tamanho de sua compreensão”. OLIVEIRA (200, p. 81).

Considerando a citação acima, o autor destaca que a brincadeira de forma específica promove para a criança muito mais que um simples ato de brincar e divertir-se, mas uma forma de se comunicar com o mundo, através de suas expressões, imitações e criatividade. É na hora de brincar que a criança se sente livre para realizar suas imaginações, seus desejos é o momento que ela idealiza seu mundo que transforma seus “sonhos” em realidade. Dessa forma a importância do brincar na vida da criança, sendo que a criança começa a brincar desde cedo, sendo seu próprio corpo o estimulador das brincadeiras. Destacamos também que a brincadeira estimula a socialização, permitindo a criança vivenciar novas experiências através da brincadeira em grupo.

Dessa forma que o brincar é a principal atividade infantil, ou seja, o ato de brincar é essencial á saúde física, emocional e intelectual do ser humano, então brincar é coisa séria, pois é na brincadeira que o ser humano se reequilibra, recicla suas emoções e sacia sua necessidade de conhecer e reinventar a realidade, ampliando suas possibilidades de aprender. Portanto a ludicidade deve estar presente no cotidiano da criança, principalmente nas escolas de educação infantil com o objetivo de desenvolver os aspectos afetivos, cognitivo, motor, linguístico e social da criança.

Quando se fala na expressão ludicidade interpretamos como atividades infantis, ou seja, relacionamos a palavra com crianças ou escolas infantis o que de fato não podemos ignorar, mas devemos fazer uma reflexão, ou seja, o brincar está presente na vida do ser humano dessa forma destaca-se a citação do autor a seguir:

A ludicidade é uma necessidade do ser humano em qualquer idade e não pode ser vista apenas como diversão. O desenvolvimento do aspecto lúdico facilita a aprendizagem, o desenvolvimento pessoal, social e cultural, colabora para uma boa saúde mental, prepara para o estado interior fértil, facilita os processos de socialização, comunicação, expressão e construção do conhecimento. SANTOS (1997, p. 12).

O autor se refere à importância de possibilitar jogos e brincadeiras no fazer pedagógico, porque é preciso de bons profissionais, conhecedores da teoria e da prática nas atividades lúdicas que saibam da importância do seu papel junto à criança. A ludicidade possibilita um desenvolvimento sócio emocional, cognitivo, psicomotor além de estimular formação de hábitos e costumes, tanto na criança como no adulto, sendo que para brincar não tem idade.

Sendo assim, temos mais uma contribuição na importância da ludicidade na vida do ser humano, ou seja, quando o ser humano interage em jogos ou brincadeiras o mesmo se sente livre para expressar seus sentimentos, o brincar nos possibilita momentos significativos, sendo que na hora do brincar não pensamos na realidade do momento porque o brincar acalma, diverte, alegra enfim o brincar favorece a autoestima tanto da criança como no adulto. Portanto é de extrema necessidade que os profissionais da educação infantil priorizem o brincar, que brinquem com as crianças que estimule o desenvolvimento da linguagem, o processo de socialização, autoestima das crianças através de jogos e brincadeiras proporcionadas pelo profissional que atua na educação infantil.

Como a ludicidade é uma ferramenta essencial no desenvolvimento da criança, temos o Vygotsky (1896-1934) de uma concepção sociointeracionista do desenvolvimento da criança que difere da concepção piagetiana. Se Piaget entende que o desenvolvimento procede das experiências que a criança partilha com os outros. Por isso a importância do convívio, inicialmente com a família, mais tarde com outras crianças e com pessoas mais velhas, mais experientes, capazes de proporcionar experiências mais significativas.

Segundo Friedman (1996, p. 55), baseada em obras de Piaget e de Vygotsky, o jogo pode ser usado como meio educacional desde que o educador conheça como ocorre o processo de aprendizagem ou cognição da criança e tenha objetivos bem claros e definidos. Os jogos como meio educacional podem ser espontâneos ou dirigidos. O educador deve ser um observador, papel nem sempre simples, pois existe geralmente um envolvimento afetivo com as crianças que pode interferir no diagnostico. No jogo dirigido, o educador propõe o jogo e deve explicar as regras. Deve participar no começo, incentivando e orientando verbalmente até que a criança possa brincar sozinha. Seu papel passa a ser o de orientador e só deve intervir quando surgem situações de conflito.

De acordo com o autor o professor deve organizar atividades lúdicas de acordo com o nível de desenvolvimento da turma para que a mesma consiga com essas atividades atingir seu objetivo. Sendo que a cada nível a criança vai definindo seus próprios conceitos de regras em cada jogo, isso prova que a cada mudança de regras sobre o jogo que ocorre é uma nova evolução da criança, então brincar é uma coisa séria, pois possibilita evolução no aprendizado e nos seus desenvolvimentos cognitivos desenvolvendo sua autoestima e liderança.

Dessa forma, destaca-se a importância do profissional da área da educação infantil planejar e buscar jogos, brincadeiras e brinquedos coerentes a cada etapa da criança, ou seja, o brincar deve ser oferecido de forma prazerosa e significativa, pois é o professor que estimula todo o processo de desenvolvimento da criança através das brincadeiras proporcionadas no ambiente escolar. Portanto deve oferecer condições em que a aprendizagem aconteça em decorrência de brincadeiras e variadas ações pedagógicas dirigidas por profissionais qualificados que estejam dispostos a conduzir tais atividades para a aprendizagem significativa, servindo como condutor desse conhecimento, fazendo com que eles ocorram de maneira espontânea e prazerosa, contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal, de ser e estar com os outros em atitude de aceitação, respeito e confiança, e o acesso pelas crianças, aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural.

1.2-ATIVIDADES LÚDICAS

A ludicidade é uma necessidade do ser humano em qualquer idade. Sendo que na infância a criança brinca para conhecer o mundo que a rodeia. Sendo assim para o educador, conhecer os fundamentos da ludicidade é condição para saber por que atividades lúdicas nos diferentes contextos.

Pensar a importância do brincar nos remete às mais diversas abordagens existentes, tais como a cultural, que analisa o jogo como expressão da cultura, especificamente a infantil; a educacional que analisa a contribuição do jogo para a educação, desenvolvimento e/ou aprendizagem da criança e a psicologia que vê o jogo como uma forma de compreender melhor o funcionamento da psique, enfim, das emoções, da personalidade dos indivíduos (REVISTA CRIANÇA, 2002).

De acordo com a citação acima o brincar é um ato que não beneficia apenas o desenvolvimento da aprendizagem, mas à saúde física, emocional e intelectual do ser humano, ou seja, a atividade lúdica é tão importante para o desenvolvimento físico e mental do ser humano que merece uma atenção dos pais e educadores, pois reflete para a expressão do ser, é direito de toda a criança para o exercício da relação afetiva com o mundo, com as pessoas e com os objetos.

Conforme Piaget (1896-1980), “a atividade lúdica leva a criança a questionar, a descobrir, a criar e principalmente torna-se um ser social em busca de novos conhecimentos”. Dessa maneira, ao jogar a criança resolve problemas de forma criativa e inteligente, ou seja, a própria criança procura criar soluções para resolver seus conflitos.

Brincar é a principal atividade que a criança executa com espontaneidade e prazer, pois quando a criança brinca entra em contato com o meio e com outras crianças. Nesse contato ela interage e realiza diferentes atividades para conhecer, aprender e construir-se como sujeito pertencente ao grupo social e cultural no qual convive.

Segundo Froebel (1873) apud Dutoit (2004), “brincar é a maior expressão do desenvolvimento humano na infância e, por si só, é a expressão livre do que está dentro da alma da criança”. De acordo com o pensador a criança ao brincar representa seus sentimentos, ou seja, á na hora do brincar que a criança se sente livre para representar suas imaginações, criatividade e para expressar situações vivenciadas no seu cotidiano.

Brincar para a criança, significa um exercício que favorece o processo de seu desenvolvimento. Brincando a criança exercita seu esquema simbólico que permite a estruturação mental e a percepção de si próprio, do outro e do mundo.

Vygotsky (1984) citado por Dutoit (1999, p.38) argumenta que “o ser humano cresce num ambiente social e a interação com outras pessoas é fundamental para o seu desenvolvimento”.

De acordo com o autor é por meio da brincadeira que a criança inicia sua interação social, aprendendo a viver com a família, com as pessoas que a cercam, com o meio em que vive. Kuhlmann Jr (1999, p. 57) afirma que:

Se a criança vem ao mundo e se desenvolve em interação com a realidade social, cultural e natural, é possível pensar uma proposta educacional que lhe permite conhecer esse mundo, a partir do profundo respeito por ela. Ainda não é o momento de sistematizar o mundo para apresenta-lo à criança: trata-se de vivê-lo, de proporcionar-lhe experiências ricas e diversificadas.

Brincando a criança amplia suas capacidades de falar, pensar, imaginar e agir, pois a atividade lúdica é essencial para o seu desenvolvimento intelectual, além de permitir a união entre ação, emoção, imaginação, prazer e representação.

Através do brincar a criança interage com o mundo e com outras crianças desenvolvendo a socialização e contribuindo para o desenvolvimento integral da criança. Brincar, jogar e cantar é atividade que faz parte do cotidiano infantil, sendo que a ludicidade está presente praticamente em todas as atividades desenvolvidas na Educação Infantil. Por isso é de extrema importância refletir sobre o tema abordado, reconhecendo a importância de proporcionar atividades lúdicas no ambiente escolar para auxiliar no desenvolvimento integral da criança, sendo que o brincar é um ato completo de estímulo ao desenvolvimento infantil.

Para Maluf (2003, p.85), “os jogos de regras partem de uma situação-problema, pressupõe uma competição e uma premiação após a resolução”. As regras orientam as ações dos oponentes, estabelecendo os limites da ação e ditam as penalidades e recompensas. As regras são as leis do jogo. De acordo com a autora os jogos de regras possibilitam a socialização, a liderança da criança além de ser necessário para as convenções sociais e os valores morais de uma cultura seja transmitida a seus membros. O jogo de regras também possibilita à criança a situação de aprender a perder, ou seja, essa exigência não é só do jogo, mas da própria vida.

Para ganhar é preciso ser habilidoso, estar atento, concentrado, ter boa memoria, saber abstrair, relacionar as jogadas todo tempo. Por isso, o jogo de regra é um jogo de significado em que o desafio é superar a si mesmo ou ao outro. Desafio que se renova a cada partida, porque vencer uma não é suficiente para ganhar à próxima. (Macedo, 1997, p. 135).

Desse modo, os jogos constituem sistemas complexos de regras que envolvem propósitos, responsabilidades, comparações. As regras morais foram recebidas pelas gerações anteriores de adultos, enquanto os jogos sociais comportam regras elaboradas pelas crianças. Os educadores devem utilizar no seu cotidiano os jogos como ferramentas para contribuir no processo de aprendizagem das crianças. O jogo é essencial para o desenvolvimento do exercício sensório-motor e de simbolismo, uma assimilação do real a atividade própria, o jogo na infância beneficia a motricidade e ajuda a criança a desenvolver conceito de regras, limites e sociabilidade interagindo com o mundo que rodeia. O jogo também proporciona a criança o desenvolvimento do raciocínio lógico não somente para as atividades escolares, mas também para resolução de problemas do nosso cotidiano.

Todavia, o profissional da educação precisa desenvolver uma proposta educativa que propicie experiências lúdicas e prazerosas para as crianças, oportunizando espaços físicos, disponibilizando materiais diversos e principalmente participando das brincadeiras, ou seja, fazendo a mediação da construção do conhecimento de forma integrada por meio de objetivos, respeitando as diferenças existentes em sala de aula e contribuindo para o desenvolvimento infantil.

Assim, quanto mais a criança vivenciar atividades lúdicas interessantes e variadas, mais estímulo terá para desenvolver-se não só no aspecto cognitivo, mas também nos aspectos afetivo, moral, psicomotor e social, como um todo, integrado. Com essas colocações é possível constatar que o uso do brincar e do jogo no ambiente escolar ou não escolar já acumula um referencial teórico que comprova sua influencia no aprendizado e a sua contribuição para o desenvolvimento pessoal, social e cultural da criança em sua infância, mas também o brincar e o jogo podem ser utilizados por qualquer pessoa e em qualquer idade, como forma de interação social e cultural, independente do ambiente em que ocorre.

1.3-O LÚDICO NO AMBIENTE ESCOLAR

Nos últimos tempos a educação vem tendo um avanço significativo, beneficiando diretamente as escolas, sendo que esses avanços vêm fazendo a diferença no currículo escolar. Diante desses avanços o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI), editado em 1998, explica como a brincadeira permite á criança, aproveitando-se de suas experiências reais prévias, adentrar no mundo da fantasia:

A brincadeira é uma linguagem infantil que mantem um vínculo essencial com aquilo que é o ”não brincar”. Se a brincadeira é uma ação que ocorre no plano da imaginação, isto implica que aquele que brinca tenha o domínio da linguagem simbólica. Isto quer dizer que é preciso haver consciência da diferença existente entre a brincadeira e a realidade imediata que lhe forneceu conteúdo para realizar-se. Nesse sentido, para brincar é preciso apropriar-se de elementos da realidade imediata de tal forma a atribuir-lhes novos significados. Essa peculiaridade da brincadeira ocorre por meio da articulação entre a imaginação e a imitação da realidade. Toda brincadeira é uma imitação transformada, no plano das emoções e das ideias, de uma realidade anterior vivenciada. Isso significa que uma criança que, por exemplo, bate ritmicamente com os pés no chão e imagina-se cavalgando um cavalo, está orientando sua ação pelo significado da situação e por uma atitude mental e não somente pela percepção imediata dos objetos e situações (RCNEI, 19998, v. 1, p. 27).

Segundo a citação acima na brincadeira a criança consegue ir além das suas possibilidades, sendo que a brincadeira proporciona a criança a se desenvolver de forma completa e prazerosa. O educador tem a oportunidade de compreender que a atividade lúdica possibilita grandes avanços no desenvolvimento integral da criança. Sendo assim o educador deve ter cuidado com o espaço do ambiente escolar para não ser entulhado de brinquedos, sem nenhum significado para ela. A criança necessita de estímulos, para ocorrer o desequilíbrio para que ela busque, na brincadeira as respostas ás suas necessidades. Cabe ao professor estar atento nas ações de cada criança para observar como ela brinca, do que brincar, e interagir para estimular ou participar das brincadeiras. Brincar com a criança permite ao professor conhecer as possibilidades e dificuldades que cada criança demonstra na atividade lúdica.

A ludicidade muitas vezes não é considerada fundamental por muitos professores e pouco, conhecida pela família. Dessa forma, o que se vê são crianças sendo apenas cuidadas e não estimuladas a construir sua aprendizagem e a desenvolver-se plenamente no ambiente escolar, sendo que todas as instituições de Educação Infantil devem oferecer atividades lúdicas com qualidade, tendo o cuidado com a organização do espaço escolar, ou seja, o ambiente escolar deve oferecer brinquedos, imobiliários de acordo com a faixa etária de cada criança. Cabe ao professor planejar e conhecer as atividades lúdicas adequadas para cada etapa do desenvolvimento da criança, ou seja, a cada faixa etária destacam-se algumas atividades.

O exemplo seguinte, adaptado do Guia de brinquedos e jogos editado pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos- Abrinq- apresenta as principais atividades de cada faixa etária.

  • Zero a dezoito meses são oferecidos brinquedos como chocalhos, mobiles, blocos e argolas empilhar, brinquedos musicais entre outros.
  • Dezoito a trinta e seis meses oferece-se brinquedos como cavalinho de pau, carrinho de boneca, blocos de formas e tamanhos diferentes, caixa de areia, fantasias, fantoches, quebra- cabeça simples, argila e massa de modelar, trens, carrinhos etc…
  • Trinta e seis meses a seis anos os brinquedos são como fantasias, fantoches e teatrinhos, casinha de brinquedo, triciclos maiores, livros para colorir, livros de histórias e caderno de desenho.
  • Seis anos são jogos de tabuleiros, jogos eletrônicos e bonecas.
  • Sete a nove anos são oferecidos jogo para desenvolver o raciocínio logico como jogo da velha e joga de damas.
  • Dos noves anos em diante oferecem jogos mais complexos e estratégias que necessitam de abstração.

As escolhas de brinquedos para as atividades devem ser feitas de acordo com a faixa etária da criança, sendo que foram destacadas algumas sugestões de brinquedos que são oferecidas na Educação Infantil para a contribuição do desenvolvimento integral da criança, no aspecto cognitivo, emocional e social da criança que frequenta a educação infantil.

Segundo Friedman (1996, p. 55), baseada em obras de Piaget e de Vygotsky, o jogo pode ser usado como meio educacional, o educador deve conhecer como ocorre o processo de aprendizagem. Os jogos como meio educacional pode ser espontâneos ou dirigidos. O educador deve ser um observador, papel nem sempre simples, pois existe geralmente um envolvimento afetivo com as crianças que pode interferir no diagnostico.

Com essas colocações constatamos que o uso do brincar e do jogo no ambiente escolar conforme os autores pesquisados e estudados comprovam a influência do lúdico no aprendizado e na contribuição do desenvolvimento pessoal, social e cultural da criança na sua infância, que o brincar e o jogo podem ser utilizados por qualquer pessoa independente da idade, com forma de interação social e cultural. As considerações acima levam pais, professores e todos que fazem parte da comunidade escolar a refletir sobre a importância do brincar no ambiente escolar para o desenvolvimento do processo de aprendizagem da criança.

Sendo que o primeiro espaço lúdico é oferecido pelo ambiente familiar, seguido do da escola e nos espaços públicos, lembrando que a importância do brincar é unanimente admitida, propiciando a socialização entre os participantes, ampliando a comunicação, a expressão desenvolvendo novos aprendizados.

Por isso a necessidade da escola programar e desenvolver atividades, já alicerçada num projeto pedagógico coerente com a sua função, pois no entender de Vyogtsky (1993, p.77), “é precisamente durante o inicio da idade escolar que as funções intelectuais superiores, adquirem um papel de destaque no processo de desenvolvimento”.

Assim, é possível perceber que o brincar assume um papel fundamental na infância. Oliveira (200, p. 81), ao falar das diversas funções do brinquedo, por exemplo, na vida das crianças, menciona que a função brincar:

Permite a criança testar situações da vida real ao seu nível, sem risco e sob seu controle. Objeto que desperta a curiosidade, exercita a inteligência, permite a invenção e a curiosidade, possibilita que a criança descubra, pouco a pouco, suas próprias capacidades de apreensão, o brinquedo propõe à criança um mundo do tamanho de sua compreensão. (OLIVEIRA, 200, p. 81).

Considerando a citação acima, verifica-se que a brincadeira de forma especifica implica para a criança muito mais que um simples ato de brincar e divertir-se, mas uma forma de se comunicar com o mundo, através de suas expressões, imitações, imaginações e criatividade.

As considerações acima levam pais, professores e todos que fazem parte da comunidade escolar a refletir sobre a importância do brincar no ambiente escolar para o desenvolvimento do processo de aprendizagem da criança.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante dos apontamentos realizados ao longo dessa revisão bibliográfica, enfatiza-se que o presente artigo trouxe reflexões pertinentes a respeito do brincar no espaço escolar; apresentando estratégias de práticas pedagógicas nas instituições infantis, com o objetivo de promover o desenvolvimento integral da criança através da ludicidade oferecida no ambiente escolar, sendo que a comunidade escolar é um espaço que contribui para o desenvolvimento da criança. Por esse motivo que chamo a atenção de todos os envolvidos no processo de desenvolvimento infantil para uma breve reflexão sobre suas atitudes em relação ao brincar no espaço escolar.

Enfatizo que o professor deve ter o conceito que brincar é uma forma prazerosa da criança se desenvolver, ou seja, quando a criança brinca entra em contato com outras crianças e com o mundo. O brincar não deve ser visto pelos pais ou educadores como um momento de distração ou uma maneira de acalma a criança, o brincar deve ser oferecido sempre com o objetivo de levar a criança a desenvolver sua criatividade, imaginação, autoestima e socialização entre outros.

A ludicidade é oferecida através dos jogos, brincadeiras e brinquedos que levam a criança a interpretar seu cotidiano ou situações vivenciadas, como expressar seus sentimentos através da ação espontânea que possibilita o momento do brincar. Portanto é de extrema importância o professor oferecer momentos de brincadeiras para observar cada criança em grupo e individualmente analisando seu desenvolvimento. Toda atividade lúdica proporciona momento de aprendizagem na vida da criança independente do ambiente que seja oferecida essas atividades sempre vai haver um desenvolvimento social, cultural e cognitivo da criança.

REFERÊNCIAS

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