Pesquisa de aluna da UPF avalia fauna silvestre mantida em cativeiro

Papagaio-charão foi uma das espécies mais encontradas em cativeiros domésticos

Por Redação em 03/09/2009

   

nao. (Foto: Divulgação)
Pesquisa de aluna da UPF avalia fauna silvestre mantida em cativeiro

Uma pesquisa conduzida pela bióloga Tatiane Bonfanti, aluna do curso de
Especialização em Biologia da Conservação da Universidade de Passo Fundo
(UPF), buscou avaliar quais as espécies da família dos psitacídeos que
mais sofrem com o tráfico de animais silvestres na região do Planalto
Médio do Rio Grande do Sul. Esse grupo de aves reúne araras, periquitos
e papagaios, que hoje apresentam muitas espécies ameaçadas de extinção,
vitimadas pela destruição do ambiente natural e pela captura de filhotes
nos ninhos, que abastece um milionário comércio ilegal.

O estudo foi realizado nos municípios de Ernestina, Espumoso, Mormaço,
Santo Antônio do Planalto, Tio Hugo e Victor Graeff onde foram visitadas
aleatoriamente 395 residências a fim de constatar a presença de
psitacídeos em cativeiro. A bióloga aplicou uma entrevista aos moradores
que mantinham alguma ave silvestre em cativeiro, coletando informações
sobre a espécie, a idade, a procedência geográfica, a forma de aquisição
e o motivo que levou à compra ilegal.

Em quatro dos seis municípios visitados foram encontrados psitacídeos no
cativeiro, totalizando 22 registros, e as três espécies encontradas
foram: papagaio-verdadeiro, com 54,5% das ocorrências; caturrita (41%);
e o papagaio-charão (4,5%), este último, ameaçado de extinção. O estudo
evidenciou que o comércio ilegal ainda é praticado, pois 53 % das aves
silvestres foram adquiridas por meio da compra. Neste aspecto, a
pesquisadora Tatiane pondera que as pessoas que pagam acabam fomentando
a captura de filhotes nos ninhos.

Por sua beleza, comportamento complexo e capacidade de reproduzir sons
humanos, os psitacídeos se tornaram vítimas de capturadores e
traficantes, e essa incidência é maior em espécies que reproduzem na
própria região. Em estudo anterior, Tatiane Bonfanti demonstrou que o
papagaio-charão é a espécie mais perseguida e vitimada no município de
Lagoa Vermelha, um dos locais de sua reprodução.

A pesquisadora lembra que ter animais silvestres em cativeiro é crime
previsto por lei, e somente através da conscientização da população será
possível desestimular o comércio ilegal e proteger a vida e a liberdade
dos animais. A pesquisa foi orientada pelo professor Dr. Jaime Martinez,
coordenador do Projeto Charão conduzido pela Universidade de Passo Fundo
e a ONG Amigos do Meio Ambiente (AMA) há 18 anos.

   
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