Para o MEC o analfabetismo preocupa no Brasil

Pnad 2008: Para MEC, atendimento e escolaridade estão "razoáveis" e analfabetismo "preocupa"

Por Bruno Quevedo em 18/09/2009

   

nao. (Foto: Divulgação)
Para o MEC o analfabetismo preocupa no Brasil

por Karina Yamamoto - Editora do UOL Educação

Na visão do ministro Fernando Haddad (Educação), o cenário da educação está mais animador do que pode parecer ao se observar os números da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2008, divulgados nesta sexta-feira (18) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Dentre os três eixos pelos quais o MEC analisa a pesquisa, o atendimento (dado pela taxa de escolarização) e a escolarização (indicacada pelos anos de estudos) estão "de razoáveis a bons" e apenas a alfabetização de adultos "preocupa".

Analfabetismo

"O analfabetismo entre adultos ainda é preocupante", admite o ministro diante da taxa de 10% entre a população com 15 anos ou mais no país. O número sinaliza que um em cada dez brasileiros nessa faixa de idade não consegue escrever um bilhete simples. Eles somam 14,2 milhões de brasileiros nessa suituação.

"No entanto, a queda da taxa no Nordeste [de 0,9 pontos percentuais em relação ao índice de 2007 na população acima de 25 anos] é uma boa notícia", defende Haddad uma vez que a taxa no país caiu 0,1 ponto percentual. "Trabalhamos com foco no Nordeste, mas estamos atentos ao Sul e ao Sudeste que estão com a taxa estável", complementa. Segundo os dados da Pnad, o Sul manteve a taxa de 5% e o Sudeste aumento seu índice de 5,3% (2007) para 5,4% (2008).

Segundo Haddad, investir na alfabetização de adultos "é um resgate que tem de ser feito". Para ele, "uma vez informados dos benefícios do letramento" os adultos aderem aos programas destinados a eles, que são considerados um público difícil de atingir. "Até aquela desconfiança de que alfabetizar adultos não tem validade [pois o investimento não traria retorno financeiro] acabou", disse Haddad, citando a pesquisa da FGV (Fundação Getúlio Vargas) "Efeitos da alfabetização de adultos sobre salário e emprego".

Ensino médio sobe 2 pontos

O aumento de dois pontos percentuais na taxa de escolarização dos adolescentes com idade entre 15 e 17 anos é vista com muito bons olhos por Haddad. Em 2008, 84,1% dos jovens dessa faixa etária estavam na escola, contra os 82,1% de 2007. Em números absolutos, a população de adolescentes matriculados em 2008 é de 8,65 milhões, contra 8,35 milhões em 2007.

"Na faixa dos 15 aos 17 o esforço para ampliar matrícula é maior. Não se trata apenas de um problema de oferta, é necessário tornar a escola mais atraente", diz o ministro, que defende que essa etapa se torne obrigatória. Hoje, apenas o ensino fundamental é universalizado.

"Existe uma intensa mobilização para repensar o currículo, dar apoio estudantil e oferecer o ensino regular associado ao profissionalizante", diz Haddad. "Esses dois pontos percentuais cresceram entre setembro de 2007 e setembro de 2008, quando a economia estava gerando empregos no país."

Os dados de atendimento apontam que 97,5% das crianças com idade entre 6 e 14 anos estão na escola. Segundo Haddad, o fato de que 97,9% das crianças entre 7 e 14 anos estão na escola revela que "os indicadores estão convergindo" e que a implantação do ensino fundamental de nove anos está em pleno funcionamento.

O ensino médio tem sido foco de programas do MEC. Neste ano, o ministério propôs o ensino médio inovador, que reorganiza as disciplinas tradicionais, aumenta a carga horária, oferece conteúdo profissionalizante e possibilitaria a escolha de parte do currículo. Além disso, estão sendo implantadas mudanças no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) para que ele possa servir como exame de ingresso nas instituições de ensino superior e, com isso, possa induzir mudanças no ensino médio.

Escolarização em "ritmo acelerado"

O ministro comemora "o ritmo acelerado mantido" no aumento do número de anos de estudo. "Países com o mesmo perfil do Brasil ampliam um ano de estudo na população a cada década, estamos ampliando dois anos de estudos a cada dez anos", compara Haddad. "Não é pouco e podemos acelerar mais, mas dependemos de mecanismos como esse da DRU (Desvinculação de Recursos da União) aprovada na Câmara esta semana", diz. Especialistas, como Célio Cunha, apontam que o mínimo de escolarização necessária é 10 anos de estudo.


Para o ministro, é preciso observar ainda os indicadores de qualidade do ensino, ou seja, os resultados do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). "Os indicadores de qualidade estão melhorando", afirma.

Fonte: educacao.uol.com.br

   
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