Conferência com Pierre Lévy é destaque na Pré-Jornada de Literatura

Filósofo apresentou sua concepção de inteligência coletiva e as implicações das novas tecnologias na educação, cultura, democracia e mesmo na economia

Por Redação em 29/09/2009

   

nao. (Foto: Maria Joana Chaise)

Os leitores de toda a região tiveram nesta terça-feira, 29 de setembro,
uma oportunidade única. A Pré-jornada de Literatura, evento que antecede
a programação da 13ª Jornada Nacional de Literatura – de 26 a 30 de
outubro – trouxe a Passo Fundo o estudioso da vida digital e das
mudanças que as novas tecnologias provocam nas relações humanas, Pierre
Lévy. A conferência especial “Rumo a uma civilização de inteligência
coletiva”, realizada à noite, no Centro de Eventos da UPF e transmitida
a diferentes auditórios da instituição por videoconferência, foi
precedida de uma entrevista coletiva de Lévy à imprensa.

Além de explicar sua concepção de inteligência coletiva, ele também
apresentou sua opinião a respeito das novas tecnologias e sua relação
com o livro, com a educação, com o jornalismo, com a ciência e a
economia, e destacou a pertinência do tema da Jornada de Literatura
deste ano “Arte e Tecnologia: novas interfaces”. “É completamente
relevante”, afirmou o autor de uma dezena de obras filosóficas sobre a
cultura do mundo virtual e as novas tecnologias. Pierre Lévy é filósofo
e realizou seus estudos na França; doutorou-se em Sociologia e em
Ciências da Informação e da Comunicação. Lecionou em várias
universidades de Paris e Montreal e atualmente é professor da Université
du Québec à Trois-Rivières, na cidade de Quebec, Canadá.

Lévy enfatizou, primeiramente, que a inteligência coletiva está presente
em todas as formas de vida, inclusive na vida social. “Como seres
humanos temos a capacidade de pensar coletivamente. Mais do que pensar,
temos a linguagem, que nos diferencia dos animais e nos dá condições de
manipular melhor os símbolos e agir coletivamente”, referiu. De acordo
com ele, os seres humanos estão passando por uma revolução de cultura, o
que se faz com a manipulação de símbolos, como palavras, imagens,
gestos, e sistemas mais complexos, como leis e religiões. “A minha
teoria filosófica afirma que a mídia e esses outros sistemas de
manipulação de símbolos são motores da evolução cultural”, disse.

Na opinião de Lévy, o grande significado da computação é a manipulação,
a automação desses meios simbólicos. “Quando nossa capacidade de
manipular os símbolos é ampliada pelos computadores, consequentemente a
nossa inteligência coletiva também é ampliada”, salientou.

Sobre a informação livre, como na Enciclopédia Wikipédia, em que as
pessoas atualizam ou corrigem livremente conteúdos, Lévy lembrou que num
novo contexto, as questões de propriedade intelectual e direitos
autorais terão de ser repensadas. “De alguma forma essas pessoas que
estão trabalhando precisam ser remuneradas”, argumentou.

E o futuro do livro e dos jornais? Lévy prevê que estão fadados a
perecer segmentos como os editores e as gravadoras. “Temos dois pólos,
os consumidores e os criadores de cultura, pólos que se misturam, pois
ao mesmo tempo em que sou consumidor de cultura, sou produtor de
cultura”, pontua. Já quanto ao jornal tradicional, o filósofo é
enfático: “está morto, é uma questão de tempo”. Na opinião dele, a
função dos jornalistas será cada vez mais online e a nova situação é
tentar compreender a internet como espaço em que novas mídias surgem a
cada momento. “Antes eram as comunidades virtuais, agora o Twitter.
Amanhã, quem sabe?”, questionou, reiterando que cada mídia é uma forma
de comunidade.

Sobre o papel do professor em sala de aula frente às novas tecnologias,
Lévy declarou que são três aspectos a serem observados. Conforme ele, as
ferramentas tecnológicas são as mesmas para a educação e comunicação,
isto é, não há diferença entre fazer um blog em sala de aula ou fora
dela; igualmente, para o filósofo, o professor precisa participar mais
da vida cultural da comunidade, e ainda, o professor precisa animar,
incentivar os alunos a participarem ativamente da tecnologia e
utilizá-la na sua vida e na sociedade.

O filósofo também comentou os aspectos da democracia, da ciência e da
economia neste novo contexto tecnológico. Pierre Lévy acredita que a
inteligência coletiva aumenta com o uso do ciberespaço. “Hoje, numa
democracia, mais pessoas podem dar opinião através da internet”, finalizou.

A coletiva de imprensa, assim como a palestra do filósofo à comunidade
acadêmica, foram traduzidas simultaneamente pelas professoras do curso
de Letras da UPF Luciana Lhullier Rosa e Daniela de David Araújo.

   
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