Agricultor de Soledade investe no Manejo Integrado de Pragas e recuperação de solo

Propriedade da família do agricultor Vinícius Bellini Ottoni está apresentando os primeiros resultados do trabalho.

Por Redação em 14/01/2017

   

(Foto: Divulgação / Emater)
Agricultor de Soledade investe no Manejo Integrado de Pragas e recuperação de solo

Localizada na comunidade de Rincão do Bugre, distante 26 quilômetros da sede do município de Soledade, a propriedade da família do agricultor Vinícius Bellini Ottoni está apresentando os primeiros resultados do trabalho de Manejo Integrado de Pragas (MIP), atividade na qual a propriedade é Unidade de Referência Técnica da Emater/RS-Ascar.

Em uma área de oito hectares (ha) de soja o agricultor, juntamente com o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Roger Terra Moraes, realiza o monitoramento semanal da lavoura por meio da utilização do pano de batida. Nesta técnica, o pano é estendido entre duas fileiras de soja, e as plantas no entorno sacudidas para que os insetos existentes caiam sobre ele. Em seguida, é realizada a contagem dos insetos e anotados em uma planilha para o acompanhamento da evolução da incidência destes na lavoura. A técnica é repetida em outros pontos da lavoura de forma a possuir uma amostragem total da área. A lavoura também é acompanhada pela técnica em agropecuária Carine Peglow Harter e pelo assistente técnico do Escritório Regional de Soledade da área de Produção Vegetal, Josemar Parise, ambos da Emater/RS-Ascar.

A implantação da Unidade de MIP foi realizada em novembro de 2016, com o plantio da soja. “Eu já cheguei a colocar nove produtos no pulverizador. Isso foi o limite. Será que precisa tanto?! Então, decidimos começar uma nova técnica, a do Manejo Integrado de Pragas, de começo em uma área pequena. No restante da lavoura tenho utilizado produtos biológicos que não agridem os inimigos naturais”, relata Vinícius. Ao todo, o agricultor cultiva 450 ha de soja, área responsável pelo sustento das famílias de Vinicius, dos pais e dos dois irmãos.

“Semanalmente analisamos a área em seis diferentes pontos da lavoura. Em seguida, quantificamos as pragas e inimigos naturais. Quanto a doenças, trabalhamos de acordo com o estágio que a planta se encontra. A aplicação de produtos nessa área será recomendada quando as pragas estiverem em um nível de dano que justifique o custo da aplicação e na quantidade exata, evitando excessos”, explica o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar.

Além do MIP, a família do agricultor também está inserida nos programas da Secretaria Estadual do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR) de Conservação de Solo e Água e Gestão Sustentável da Agricultura Familiar e na Chamada Pública da Sustentabilidade – Lote 49, do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA).

Na área de solos foram utilizadas diferentes técnicas para realizar o diagnóstico do solo da propriedade. Foram retiradas amostras de 0-10 e 10-20 para análise química. A compactação do solo foi determinada por meio de uma trincheira escavada na lavoura e outras mini-trincheiras, para melhor amostrar a área. Já a taxa de infiltração de água no solo foi determinada pelo método dos anéis de infiltração. Por meio das análises foi observado que a área possuía características como compactação, grande índice de erosão e baixa infiltração da água da chuva. “Estamos esquecendo de cuidar a parte biológica do solo”, observa Vinícius.

Para solucionar os danos apresentados, foram construídos terraços para contribuir na absorção da água chuva, aplicação de calcário e a utilização de plantas de cobertura para a recuperação e manutenção dos nutrientes do solo. “Aqui não temos o cuidado com a raiz, temos o habito de só observamos a parte aérea da planta. Para muitos eu regredi nas técnicas de plantio quando voltei a trabalhar com perfil de solo e com terraço, mas hoje eu aprendi que onde cair a água, ele tem que ficar. Precisamos pensar a longo prazo, pois vou levar muito tempo para recuperar o dano causado no solo”, relata o agricultor.

O extensionista já aponta os resultados na área em que as ações de recuperação de solo foram realizadas. “Observamos que depois da chuva a água infiltrou, o que em períodos de seca vai reduzir o estresse hídrico das plantas, também registramos o bom desenvolvimento das raízes e a manutenção dos nutrientes no solo, pois não houve erosão na área”, analisa Roger.

   
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