Participantes de Seminários aprovam Carta Agroecológica de Porto Alegre

Por Redação em 11/12/2009

   

nao. (Foto: Divulgação)
Participantes de Seminários aprovam Carta Agroecológica de Porto Alegre

A pressão sobre o ambiente e a crise climática são alguns dos sintomas do modelo capitalista vigente no planeta. A análise foi feita na palestra de encerramento do X Seminário Internacional e XI Seminário Estadual sobre Agroecologia, realizados de 8 a 10, no Auditório Dante Barone, da Assembleia Legislativa. A geóloga e coordenadora do Núcleo Amigos da Terra (NAT – Brasil), Lúcia Ortiz, falou sobre Territorializando o debate global sobre a crise ética e climática. Logo após, foi aprovada a Carta Agroecológica de Porto Alegre 2009. Nos três dias de evento, participaram 868 pessoas, entre técnicos, extensionistas, estudantes, pesquisadores e representantes de diversos movimentos sociais e ambientais.

Entre as causas da crise ambiental, Lúcia citou o crescimento da população, o agravamento das desigualdades e o limitado acesso aos recursos naturais, "em crescente escassez". A ambientalista lamenta o degelo glacial, acelerado por interesses de mineradoras, que derretem o gelo para extrair principalmente o cobre.

"Estamos vivendo além dos limites, tirando do futuro, inviabilizando a qualidade de vida que temos hoje", salienta Lúcia, ao analisar que "o planeta vive uma perda da sócio-agro-bio-diversidade". Para ela, é preciso rever o padrão de consumo " e não nos deixarmos acreditar que a solução para a crise climática está em Copenhagen, na Conferência do Clima".

Sobre os debates na Conferência do Clima, Lúcia destaca a negociação de créditos de carbono, como alternativa para o cumprimento das metas do Protocolo de Kioto (de redução de 5% das emissões entre 2008 e 2012) e como mecanismo de compensação. Segundo Lúcia, os Estados Unidos querem complensar dois bilhões de toneladas anuais de CO2, que não vão deixar de emitir, comprando carbono de florestas tropicais. "Está surgindo um novo mercado especulativo de U$ 3 trilhões", diz.

O Brasil, analisa Lúcia, tem um peso considerável na COP 15. "Temos uma política energética baseada nas mega-barragens e na manutenção de uma agricultura movida a petróleo, tanto nos insumos como no sistema de distribuição das commodities petrodependentes", analisa.

Para Lúcia, o país precisa garantir a soberania dos povos, incentivar as redes de economia solidária, a reforma agrária e políticas públicas que garantam o avanço e o fortalecimento da agroecologia.

O Seminário sobre Agroecologia integra as Frentes Programáticas Assistência Técnica e Extensão Rural, Responsabilidade Ambiental, Inclusão Social e Cidadania e Alimentos Para Todos, desenvolvidas pela Emater/RS-Ascar em consonância com os Programas Estruturantes do Governo do Estado, ambos realizadores do evento, ao lado da Embrapa Clima Temperado (Pelotas/RS), Ministério do Desenvolvimento Agrário e Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

   
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