Testes detectam 14 agrotóxicos na água que abastece Soledade

Os dados são do Ministério da Saúde e se referem a análises realizadas entre 2014 e 2017.

Por Redação em 20/04/2019

   

(Foto: Arquivo / ClicSoledade)
Testes detectam 14 agrotóxicos na água que abastece Soledade

Em publicação feita nesta semana, a Agência de Jornalismo Investigativo (Agência Pública) revelou que 27 agrotóxicos foram encontrados na água de um a cada quatro municípios brasileiros durante análises realizadas entre 2014 e 2017.

Dentre os municípios que aparecem na lista, figura Soledade com 14 agrotóxicos encontrados na água, sendo 5 deles considerados perigosos, ainda que nenhum acima dos limites estipulados pela legislação, e que são associados a doenças crônicas como câncer, defeitos congênitos e distúrbios endócrinos.

Além de Soledade, Fontoura Xavier também está na lista com 13 agrotóxicos detectados na água, sendo quatro associados a doenças crônicas como câncer, defeitos congênitos e distúrbios endócrinos. Contudo, segundo o estudo, nenhum deles está acima dos limites estipulados pela legislação brasileira.

Os dados são do Ministério da Saúde e foram obtidos e tratados em investigação conjunta da Repórter Brasil, Agência Pública e a organização suíça Public Eye. As informações são parte do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua), que reúne os resultados de testes feitos pelas empresas de abastecimento.

Os números revelam que a contaminação da água está aumentando a passos largos e constantes. Em 2014, 75% dos testes detectaram agrotóxicos. Subiu para 84% em 2015 e foi para 88% em 2016, chegando a 92% em 2017. Nesse ritmo, em alguns anos, pode ficar difícil encontrar água sem agrotóxico nas torneiras do país.

Embora se trate de informação pública, os testes não são divulgados de forma compreensível para a população, deixando os brasileiros no escuro sobre os riscos que correm ao beber um copo d’água. Em um esforço conjunto, a Repórter Brasil, a Agência Pública e a organização suíça Public Eye fizeram um mapa interativo com os agrotóxicos encontrados em cada cidade. O mapa revela ainda quais estão acima do limite de segurança de acordo com a lei do Brasil e pela regulação europeia, onde fica a Public Eye.

Saiba o nível de contaminação da sua cidade clicando no link abaixo:
http://portrasdoalimento.info/agrotoxico-na-agua/

Entre os agrotóxicos encontrados em mais de 80% dos testes, há cinco classificados como “prováveis cancerígenos” pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos e seis apontados pela União Europeia como causadores de disfunções endócrinas, o que gera diversos problemas à saúde, como a puberdade precoce. Do total de 27 pesticidas na água dos brasileiros, 21 estão proibidos na União Europeia devido aos riscos que oferecem à saúde e ao meio ambiente.

Confira a reportagem completa no link:
https://apublica.org/2019/04/coquetel-c...o-seu/


CORSAN DIVULGOU NOTA DE ESCLARECIMENTO

A Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) emitiu nota de esclarecimento sobre informação de que amostras de 27 agrotóxicos foram encontrados na água de um a cada quatro municípios brasileiros, repercutida por diversos veículos de comunicação do país, nos últimos dias.

Sobre matéria publicada nos últimos dias, relacionando a contaminação por agrotóxicos na água tratada, a Corsan informa que a água distribuída à população nos 317 municípios gaúchos atende rigorosamente a legislação brasileira que determina os parâmetros de potabilidade da água para os sistemas de abastecimento. E ainda que também são monitorados outros 46 tipos em atendimento à legislação estadual (Portaria 320/2014 da Secretaria da Saúde).

A Corsan ressalta que os dados utilizados na pesquisa apresentada foram retirados do Sisagua (Sistema de Abastecimento de Informação de Vigilância de Qualidade da Água para Consumo Humano) e referem-se a amostras de água bruta (ainda não tratada). A empresa informa que, sempre quando é detectado algum agrotóxico na água bruta, é realizada a análise da água tratada correspondente, não havendo histórico de presença desse agente após o tratamento.

A Corsan e a Associação das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe) estão pedindo esclarecimentos ao Ministério da Saúde sobre os valores disponibilizados com relação à presença de agrotóxicos na água usada para consumo humano, a fim de não ocorrer interpretação equivocada como ocorreu no material divulgado por veículos de imprensa.

   
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