Terceira idade forte e protegida

Pesquisas desenvolvidas na UPF querem conhecer comportamento dos idosos para prevenir doenças músculo-esqueléticas e intervir quando necessário

Por Redação em 17/12/2009
nao. (Foto: Cristiane Sossella)
Terceira idade forte e protegida

Com uma expectativa de vida cada vez maior, ultrapassando os 70 anos, o
brasileiro preocupa-se cada vez mais com questões como qualidade de vida
e envelhecimento saudável. Um fator em especial causa inquietação nos
familiares, e mesmo em idosos: as quedas. A literatura estabelece que as
quedas são mais frequentes em torno dos 74, 75 anos, com altas chances
de reincidência em 12 meses. Mas o que fazer para evitar este perigo que
ronda grande parte dos lares brasileiros?

A professora do curso de Fisioterapia da UPF, mestre e doutoranda em
Gerontologia Biomédica pela PUCRS, Lia Mara Wibelinger, é uma estudiosa
do tema. Ela está à frente da linha de pesquisa ‘Prevenção, avaliação e
reabilitação das doenças músculo-esqueléticas em idosos’, na qual
desenvolve vários projetos. “Queremos conhecer melhor a população de
idosos para poder traçar medidas preventivas e de intervenção, quando
necessárias”, explica a professora, que neste ano recebeu o prêmio
Antônio Carlos Araújo de Souza na especialidade de geriatria pela
pesquisa intitulada ‘Avaliação da Força Muscular (Torque Muscular) de
Flexores e Extensores de Joelho de Indivíduos Idosos Socialmente Ativos’.

Lia Mara destaca que os indivíduos atingem os maiores picos de força
muscular dos 25 aos 30 anos. A partir principalmente dos 60 anos, a
força diminui, sendo que os menores parâmetros são encontrados na oitava
década de vida. “Pesquisadores já afirmam também que dos 30 aos 80 anos
perdemos cerca de 45% da força muscular, e que mesmo com atividade
física construída ao longo da vida, existe a perda fisiológica. Assim, é
uma necessidade gerar novos conhecimentos sobre o tema”, pontua.

Na prática, o problema é sentido pelos idosos. Após uma série de quedas,
perna, ombro e costela quebrada, a pensionista Ilda Souza, 68 anos,
comemora dois anos sem cair. Ilda faz parte da pesquisa coordenada pela
professora Lia Mara. “Sentia que não tinha força nas pernas, vivia
tropeçando e caindo”, lembra. Agora, a pensionista faz hidroterapia e
fisioterapia, serviços oferecidos pela UPF, buscando aumentar a força
muscular. “Se não fossem as atividades e o acompanhamento, acho que nem
caminhava”, diz, considerando o trabalho de pesquisa muito importante.
“Tem que prevenir para que outras pessoas não passem pelo que passei”,
afirma.

Força muscular dos 10 aos 90 anos
Para poder avaliar a força muscular, a professora encontrou no
Laboratório de Biomecânica da UPF o instrumento adequado, um dos poucos
que existe no Brasil para a finalidade: o dinamômetro isocinético. Com o
equipamento foi possível realizar as coletas de dados da amostra já
definida para a primeira pesquisa: 10% dos integrantes do Centro
Regional de Estudos e Atividades para a Terceira Idade (Creati), pessoas
socialmente ativas, já que 78% deles realizam atividades físicas
contínuas. “O objetivo era justamente verificar o comportamento nessa
população que faz ioga, ginástica, hidroginástica, e que ainda não tinha
sido estudada com tanta intensidade”, argumenta.

Os estudos realizados pela professora, corroboram com a literatura já
existente, apontando que os músculos extensores de joelho, situados na
parte da frente do joelho, possuem maior pico de torque, ou seja, maior
força muscular do que os músculos flexores. “Essa musculatura, os
extensores e flexores de joelhos, tem uma implicação muito grande na
funcionalidade, no andar do idoso. Sabíamos que o decréscimo da força
muscular era um dos implicantes das quedas, mas ainda faltava amparos
científicos de grandes proporções para ratificarmos isso, então, a
importância desta pesquisa”, considera Lia Mara.

Além dos estudos com idosos, está igualmente em andamento uma pesquisa
para avaliar uma amostra de mil passo-fundenses, de 10 a 90 anos, em
relação à força muscular. “A ideia de analisar os mais jovens é poder
fazer a comparação com os idosos. Queremos, com o decorrer das coletas
de dados poder falar num comportamento da força dos extensores e
flexores de joelhos na população de Passo Fundo”, esclarece, reiterando
a participação dos acadêmicos da graduação em Fisioterapia nos trabalhos.

As informações já disponíveis, decorrentes de várias pesquisas, dão
conta de que a força muscular é maior nos homens do que nas mulheres.
Entre as mulheres, nas que têm osteoartrose de joelho, a força é ainda
menor.

Nova fase
Há muito trabalho ainda por fazer, segundo Lia Mara. “Agora, a pesquisa
entra em uma nova fase, em que estamos submetendo os indivíduos
socialmente ativos, pesquisados anteriormente, a uma intervenção
fisioterapêutica - a hidroterapia. Queremos verificar se vai haver
aumento da força muscular no período de treinamento”, conclui a
professora, que realiza essa pesquisa como parte de sua tese de
doutorado, orientada pelo professor Dr. Rodolfo Herberto Schneider.

Para o início de 2010, Lia Mara deve lançar seu segundo livro
Fisioterapia em Geriatria, fruto de seus estudos na área. A professora
também é autora da obra Fisioterapia em Reumatologia (Ed. Revinter).

   
O Portal ClicSoledade não se responsabiliza pelo uso indevido dos comentários para quaisquer que sejam os fins, feito por qualquer usuário, sendo de inteira responsabilidade desse as eventuais lesões a direito próprio ou de terceiros, causadas ou não por este uso inadequado.

Publicidade