Alemanha retoma julgamento de nazista acusado por 27 mil mortes

O julgamento do suposto nazista John Demjanjuk foi retomado.

Por Bruno Quevedo em 21/12/2009
nao. (Foto: Michaela Rehle/AP)
Alemanha retoma julgamento de nazista acusado por 27 mil mortes

O julgamento do suposto nazista John Demjanjuk foi retomado nesta segunda-feira, em Munique, na Alemanha, depois de ter sido suspenso no último dia 2, em virtude de uma gripe do acusado. Com boné de baseball azul e cabisbaixo, Demjanjuk, 89, entrou na corte com cadeira de rodas e manteve os olhos fechados durante os testemunhos da acusação.

A sessão contou com o testemunho de familiares de alguns dos 27.900 judeus mortos no campo de concentração de Sobibor no período em que Demjanjuk serviu como guarda voluntário ("trawniki") -entre março e outubro de 1943. Ele é acusado como cúmplice das mortes.

Nascido na Ucrânia, em 1920, Demjanjuk foi capturado pelas tropas de Hitler em 1942. De soldado soviético, ele virou prisioneiro de guerra e, posteriormente, guarda voluntário em Sobibor e em outros campos de concentração.

Nos anos 50, mudou-se para os Estados Unidos como vítima do nazismo e trocou seu nome de batismo de Ivan para John.

Esta é a primeira vez que a Alemanha processa um estrangeiro acusado de participar do governo nazista como guarda voluntário.

O campo de Sobibor era dedicado ao extermínio de judeus de toda a Europa. Estima-se que aproximadamente 250 mil pessoas morreram lá, a maioria em câmaras de gás.

O único dos poucos sobreviventes do campo a participar do julgamento como testemunha de acusação é Thomas Blatt, 82, nascido na Polônia. Ele já disse, contudo, que não condições de reconhecer o acusado.

As outras 22 testemunhas da acusação são familiares de vítimas, e, por isso, também não podem identificar o acusado.

Entre eles está Philip Jacobs, um holandês de 87 anos que perdeu namorado e os pais em Sobibor. "Eu perdi o amor da minha vida e eu sinto muito a falta de meus pais", disse Jacobs na corte. "Os eventos daquela época marcam cada dia da minha vida".

O principal trunfo da acusação é a carteira de Demjanjuk na SS (tropa de choque nazista), segundo a qual ele serviu no campo de Sobibor por seis meses.

Os "trawniki" eram mais temidos que os integrantes da SS por sua extrema crueldade. Segundo a Promotoria alemã, Demjanjuk participou conscientemente do extermínio nazista, já que o campo polonês era usado apenas com este fim.

Fonte: Folha Online, com informações da Efe e Associated Press

   
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