Magistério aposta em outras formas de pressão para conquistar objetivos

Expectativa do Cpers é reunir milhares de professores a partir das 7h na Praça da Matriz.

Por Bruno Quevedo em 22/12/2009
nao. (Foto: Mauro Vieira)
Magistério aposta em outras formas de pressão para conquistar objetivos

por Letícia Duarte, com colaboração de Juliana Almeida e Leandro Belles

Baixo nível de adesão ao movimento grevista faz com que magistério aposte em outras formas de pressão para conquistar objetivos

A greve declarada pelo magistério chega hoje ao seu sétimo e decisivo dia sem sinetas na porta das escolas e com uma aparente normalidade neste final de ano letivo. Ao contrário das tradicionais paralisações do Cpers, os professores não interromperam o trabalho em sala de aula, para expressar sua opinião, apenas se deslocaram para a Praça da Matriz, de onde os apoiadores pretendem pressionar os deputados a não aprovarem o projeto do governo que reformula o plano de carreira da categoria, previsto para entrar em votação hoje, com os projetos da Brigada Militar.

A expectativa do Cpers é reunir milhares de professores a partir das 7h. De acordo com a Secretaria Estadual da Educação, 774 dos 80 mil professores da rede paralisaram no primeiro dia da greve, o que representaria menos de 1% do total. E o índice teria despencado para 73 no quarto dia.

– Não estou considerando que existe um estado ou existência de greve – afirma o secretário estadual da Educação, Ervino Deon.

A presidente do Cpers, Rejane de Oliveira, contesta a versão. Entende que se trata de uma greve diferenciada, que não deve ser medida pelo número de faltas em sala de aula, e sim pela capacidade de pressão na Praça da Matriz. Tanto que o Cpers sequer está fazendo levantamento dos grevistas.

– Se o movimento estivesse fraco, o governo já teria aprovado a proposta – diz Rejane.

Seja para não prejudicar os alunos, ou para evitar o corte do ponto pelo governo, mesmo professores que apoiam a manifestação têm optado por trabalhar, como a representante do 38º núcleo do Cpers, Carmem Maia, que segue conduzindo turmas de 1ª a 4ª série na Escola Baltazar de Oliveira Garcia. Mas a instituição está mobilizada. A fim de garantir a participação na praça da Matriz sem perder aulas, a professora Narie Brandão Gil Fontes, do 1º ano do Ensino Fundamental, fez uma reorganização de horários: os alunos da tarde hoje também terão aulas pela manhã.

– Não paramos, mas não estamos satisfeitos – explica Narie.

Ônibus trazem professores

Para incentivar a participação na mobilização de hoje, o Cpers ofereceu transporte gratuito aos professores – e até ontem à tarde contabilizava 42 ônibus e 18 vans.

– A greve é lá (em Porto Alegre), para pressionar, não adianta ficar parado em Caxias. Mas não podemos desistir, é o último dia de votação – afirma Cleudete Piccoli, diretora do 1º Núcleo do Cpers, em Caxias do Sul.

Para o professor Manuel Candido dos Santos, 61 anos, de Passo Fundo, a decisão do governo de penalizar professores parados com corte nos salários esvaziou as fileiras dos grevistas. Apesar de continuar atuante, decidiu continuar dando aula este ano.

– O desconto inibe a greve – resume o professor de educação física, que nesta terça-feira deve estar na Capital para acompanhar o ato da classe.


A rotina de uma grevista

Com 33 anos de magistério, Maria Amália de Oliveira Dreyer, 53 anos, foi a única da sua escola a entrar em greve. Ela conta como é sua rotina:

É uma greve diferente, bem no final do ano. Eu passei todos os dias do acampamento lá na praça. Os colegas sempre que podiam e tinham um furo no horário apareciam, mas é um momento atípico, de fim de ano, por isso a maioria das escolas continua aberta. Passei em todas as salas de aula para conversar com meus alunos e explicar o que significavam esses projetos que os deputados vão votar, e eles me apoiaram. Na Escola Júlio Grau fui a única a entrar em greve.

A partir de terça-feira fui para a praça, dormi na praça. Montei uma barraca de camping. Levei cobertor, travesseiro, barraca. Fizemos até janta comunitária. Pela manhã a gente fazia vigília, e à tarde ia para o plenário da Assembleia, para dar apoio aos brigadianos. Amanhã (hoje) volto para a praça, desta vez sem barraca. A gente não sabe o que vai acontecer agora.”

Fonte: zerohora.com

   
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