Polícia Civil conclui inquérito e indicia ex-chefe de escoteiros de Fontoura Xavier

André Carvalho Lacerda é acusado por estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude. Ao todo, foram 19 depoimentos de jovens

Por Redação em 24/10/2019

   

(Foto: Arte / ClicSoledade)
Polícia Civil conclui inquérito e indicia ex-chefe de escoteiros de Fontoura Xavier

Foi concluído o inquérito pela Polícia Civil de Fontoura Xavier que apurou suspeitas de abuso sexual em integrantes do Grupo Escoteiro Guamirim. O ex-chefe, André Carvalho Lacerda, foi indiciado por estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude. Ao todo, foram tomados depoimentos de 19 jovens que teriam sido vítimas do acusado.

A advogada de defesa, Claridê Chitolina Taffarel, relata que o homem trocava carícias e sexo com os ex-escoteiros. Acrescenta que também existem indícios de que existem mais pessoas quem devam ter passado pela mesma situação, mas, por medo, ainda não aceitaram falar. Essas práticas teriam ocorrido durante anos.

Durante a investigação, foram encontradas conversas do suspeito com os ex-escoteiros em aplicativos como WhatsApp e Messenger, fortalecendo detalhes que os jovens revelaram à polícia. Os fatos apurados teriam ocorrido com crianças e adolescentes que tinham, à época, entre 10 e 17 anos. Todos afirmam terem sido submetidos a atos sexuais sem dar consentimento.

A investigação de 10 meses identificou, além das vítimas, a forma como André agiria para envolver os meninos. Conforme os depoimentos dos jovens, o então chefe dos escoteiros, que também era gerente de banco em Fontoura Xavier, os atraía com videogames e computador moderno, além de dar presentes e pagar almoços e jantares. Os abusos teriam ocorrido em residências de André em Fontoura Xavier e em Porto Alegre, mas também em atividades do Grupo Escoteiro Guamirim, como acampamentos.

Segundo a advogada dos jovens, a constatação de que os meninos recebiam presente de André fez a polícia enquadrar o suspeito por violação sexual mediante fraude. Ou seja: ele os agradaria e trataria bem, quase como uma figura paterna, para poder praticar os abusos sem ser denunciado. Até o começo da investigação, nenhum ex-escoteiro havia contado sobre os abusos para familiares.

Em janeiro, a polícia havia feito buscas no apartamento de André, na Região Metropolitana, onde foram apreendidos telefones celulares, pendrives, tablets, notebooks, DVDs, videogame, HDs externos, MP3 e um revólver. O conteúdo dos equipamentos foi analisado pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP).

Ao longo da investigação, a Polícia Civil pediu a prisão do suspeito duas vezes, o Ministério Público concordou, mas o Judiciário indeferiu os pedidos. O MP recorreu e aguarda decisão do Tribunal de Justiça.

O inquérito, que foi conduzido pelo delegado Marcos Veloso, agora será analisado pelo promotor de Justiça que atua no caso em Soledade, Bill Jerônimo Scherer, que decidirá se denuncia ou não André com base no indiciamento feito pela polícia. O caso tramita em segredo de Justiça.

Em depoimento à Polícia Civil, André negou todas as suspeitas. André Machado Maya, advogado do acusado, salienta que vai buscar informações sobre a conclusão do inquérito para se manifestar depois.

   
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