Curso Superior de História

O aluno graduado nessa área encontra-se apto à pesquisa, estudo e interpretação do processo histórico, identificando sua natureza, significados e desdobramentos.

Por Bruno Quevedo em 28/12/2009
nao. (Foto: Bruno Quevedo)
Curso Superior de História

O Curso Superior de História tem, em média, quatro anos de duração e contempla disciplinas como Introdução ao Estudo da História, História Moderna, História Contemporânea, História da América, História Antiga, História Medieval, Filosofia da Cultura, Economia Básica, Filosofia e Geografia Básica.

O aluno graduado nessa área encontra-se apto à pesquisa, estudo e interpretação do processo histórico, identificando sua natureza, significados e desdobramentos.

Em essência, o Historiador investiga e interpreta, com criticidade, os acontecimentos, resgatando a memória da humanidade, ampliando, assim, a compreensão da condição humana.

Além dos conhecimentos que adquire, o aluno desenvolve habilidades em buscar documentos como manuscritos, impressos, gravações, filmes, objetos e fotos. Pode selecionar, classificar e relacionar os dados coletados em bibliotecas, arquivos, entrevistas ou estudos arqueológicos. Após datar, em geral, confere o fato dando ao mesmo, autenticidade, analisando sua compreensão quanto ao acontecimento em estudo.

O profissional pode atuar no Ensino Fundamental e Médio em escolas públicas e privadas, museus, arquivos históricos, empresas de assessoria histórica e cultural, pesquisa em universidades, editoras, etc.

Curso de História: Aspectos Favoráveis

Não faltam vagas para professores de história nas redes públicas e privadas de ensino do Brasil, o que pode significar um mercado não saturado.

Curso de História: Aspectos Desfavoráveis

Infelizmente falta estímulo, investimento e oportunidade para o profissional de história que deseje trabalhar na área da pesquisa. Porém, a pesquisa em universidades, museus e órgãos de cultura é um mercado sempre aberto. As especializações em História Econômica e Social estão em alta, pois permitem o trabalho em empresas, organizando bibliotecas e hemerotecas (coleções de jornais e revistas). Também na consultoria, o historiador encontra o mercado aberto: nas reconstituições históricas em novelas, filmes e documentários.

Currículos de História

Universidade Federal do Rio grande do Sul

Universidade de Passo Fundo

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

Entrevista com Joice da Silveira

Formada em Licenciatura Plena em Filosofia, pela UPF, em 1985, a professora de História, Joice da Silveira, leciona há 22 anos, possui formação para atuar nas áreas de História, Filosofia, Psicologia e Sociologia. Começou no Magistério, pela Escola Maurício Cardoso, onde atualmente é professora do Ensino Médio, da disciplina de História, com 20 horas, para cerca de 180 alunos. Fez vários cursos rápidos, inclusive o de Língua Inglesa, que lhe possibilitou uma bolsa no Japão, no ano de 2000. Iniciou dando aulas em Ibirapuitã e após, foi para Porto Alegre, onde prestou concurso e começou a dar aulas na rede estadual de ensino. Ao voltar para Soledade, iniciou sua trajetória na Maurício Cardoso, onde é professora até hoje. Além da sua profissão, ainda realiza um trabalho beneficente, junto ao Roupeirinho Margarida Pujol, onde costura enxovais para mães carentes da cidade.

Clic - Como era o currículo do curso?
Joice -
O curso na época durava três anos. O currículo continha disciplinas ligadas à história, filosofia, psicologia e sociologia. Um ponto que talvez seja negativo, é que o currículo era muito teórico, deixava a prática um pouco de lado, o que talvez não dê a preparação necessária. O bom do curso na época era que ele habilitava para quatro áreas bastante distintas. Eu escolhi a história porque era a que eu mais gostava.

Clic - Qual das disciplinas você considerava mais difícil?
Joice -
Na realidade, todas elas eram fáceis, o currículo era fácil. Mas História Contemporânea e do Brasil era duas que exigiam mais, assim eram um pouco mais difíceis.

Clic - Como são as suas aulas de história?
Joice -
São ótimas, os alunos adoram! Todo dia eu tento chegar com alguma coisa nova, pois o aluno precisa de algo que o motive, que chame a sua atenção. Eu abro as aulas com uma notícia, pois a história não é só o passado, nós estamos fazendo a história agora, no presente. Sou do tipo que usa muito o giz e o quadro, mas sempre alternando com o uso do laboratório de informática. Na avaliação, trabalho apenas com provas, sem trabalhos, e com questões que sempre tem a ver com o vestibular e com o Enem, para que os alunos se preparem para quando tiverem de realizar provas de seleções. E as minhas aulas sempre têm bom humor, o que faz com que as aulas não sejam tão chatas, na visão do aluno.

Clic - Você é do tipo que prepara as aulas antes de chegar em sala de aula?
Joice -
Sim, com certeza. Sempre se deve preparar as aulas, além do que, sempre busco relembrar o que já foi visto.

Clic - Como é a sua rotina?
Joice -
Muito cansativa! Tem vezes que é até estressante, pois nós, professores, não estamos lidando apenas com um personagem, são vários. Eu tenho uma turma que tem 36 alunos, que vêm de diferentes famílias, com vidas e realidades diferentes e você tem de ficar ali, fazendo com que esses 36 interajam com você durante um tempo recorde. Eu li que os adolescentes não conseguem manter a atenção por mais de cinco minutos, e então imagina segurar a atenção de 36 pessoas ao mesmo tempo, durante mais de uma hora.

Clic - Apesar dessa rotina difícil, você escolheria novamente a mesma profissão?
Joice -
Sabe que eu falei isso essa semana! Com certeza, escolheria novamente. Mesmo sendo complicado, quando você consegue repassar para o aluno aquilo que você queria, você tem a sensação do dever cumprido.

Clic - Como é o relacionamento com os alunos?
Joice -
Eu sou bem exigente. Acho que o professor está ali para formar para o mercado de trabalho, mas mesmo assim o relacionamento é ótimo, pois consigo repassar tudo o que planejo e eu acho que isso se deve à caminhada que cada professor trilha. Mas mesmo assim, eu acho que o grau de exigência diminuiu em relação há alguns anos atrás e constato isso com meus colegas de profissão.

Clic - Como os alunos recebem a disciplina de História?
Joice -
No início sempre há uma certa resistência, acham que a História não serve para nada, mas com o passar do tempo, eles percebem a importância da disciplina.

Clic - A remuneração é satisfatória?
Joice -
Nem um pouco! O professor não é reconhecido, recebe um salário muito baixo. Eu acho que os governantes deveriam dar mais valor para a profissão, ter consciência do papel da educação na vida das pessoas. Nem mesmo os pais valorizam, temos casos em que se o aluno reprova, o pai vem querer satisfações de como é que o seu filho rodou, ou seja, a culpa é do professor. Se o aluno não estudou e não se dedicou, foi porque o pai não cobrou isso dele, não é nossa culpa. Está havendo uma inversão dos papéis, onde os pais estão passando esse dever para a escola.

Clic - Você se sente realizada com a sua profissão?
Joice -
Sim, mas exceto no setor financeiro.

Clic - Que mensagem você deixaria para quem pretende seguir nessa área?
Joice -
A carreira está um caos hoje, mas se é o que a pessoa gosta, vá em frente! “Só existe dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama o ontem e o outro se chama amanhã. Portanto, hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e, principalmente, viver”. (Dalai Lama). Quem quer seguir na profissão deve lutar sempre, se atualizando e correndo atrás, porém, os bons sempre terão o seu lugar.

A História necessita de pessoas que gostem de saber de tudo o que acontece, aconteceu e ainda acontecerá. Se você se encaixa nesse perfil, boa sorte!

   
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