Cruz Vermelha diz que terremoto afetou até 3 milhões no Haiti

Terremoto no Haiti.

Por Bruno Quevedo em 13/01/2010
nao. (Foto: Reuters )
Cruz Vermelha diz que terremoto afetou até 3 milhões no Haiti

A Federação Internacional da Cruz Vermelha (FICV) estima que até 3 milhões de pessoas foram atingidas pelo terremoto devastador de 7 graus de magnitude que atingiu o Haiti na terça-feira.

Ainda não há números do governo haitiano sobre mortos ou feridos, mas as autoridades locais temem que possam chegar aos milhares diante do estado de devastação. O Ministério de Defesa do Brasil confirma que ao menos quatro militares brasileiros morreram.

O porta-voz da FICV Paul Conneally disse que o fato do terremoto, registrado às 16h53 desta terça-feira (19h53 no horário de Brasília), ter epicentro a cerca de 16 km da capital haitiana, Porto Príncipe, "não é um bom sinal".

Ele disse ainda que o Haiti é um dos países mais pobres do hemisfério Norte e que está mal preparado para lidar com um desastre destas proporções.

Conneally disse ainda à Associated Press que levará entre 24 horas e 48 horas antes de saber com precisão a extensão dos danos causados pelo tremor.

Mais cedo, um outro porta-voz da FICV disse que as reservas de emergência da organização no Haiti são suficientes para ajudar 3.000 famílias por apenas três ou quatro dias e pediu uma operação de ajuda internacional em massa para ajudar as vítimas do terremoto.

A FICV realizou nesta quarta-feira uma reunião de crise em sua sede de Genebra, afirmou o porta-voz, Jean-Luc Martinage, citado pela agência de notícias France Presse. A FICV prepara uma intervenção coordenada com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

"Reservas de urgência estão armazenadas no Haiti e permitem ajudar 3.000 famílias durante três a quatro dias, mas teremos que levar rapidamente o material de socorro de nosso centro regional de reação para as catástrofes, o Padro, com sede no Panamá", afirmou.

Seis funcionários da FICV --entre eles o delegado regional, uma especialista em logística e dois responsáveis por saúde e socorro de primeira necessidade-- devem chegar ao Haiti, procedentes do Panamá, durante a manhã desta quarta-feira se conseguirem aterrissar no aeroporto de Porto Príncipe. A rede de televisão CNN informou mais cedo que o aeroporto foi fechado.

Um outro porta-voz, Shimon Schorno, afirmou que os nove representantes do CICV no Haiti estão seguros, mas a organização ainda não conseguiu fazer um balanço sobre a situação de todos os seus funcionários.

"Sabemos que as necessidades médicas são consideráveis, assim como a necessidade de água", destacou Schorno. "Tudo que é infraestrutura não funciona".

Vítimas

O Ministério da Defesa do Brasil confirmou nesta quarta-feira que uma das instalações da ONU, denominada "Ponto Forte 22", um sobrado de três andares, desabou completamente. As tropas brasileiras passaram a madrugada procurando por colegas desaparecidos sob os escombros. O Ministério confirmou há pouco quatro soldados mortos.

O Brasil tem 1.266 militares na Força de Paz da ONU, a Minustah, dos quais 250 são da engenharia do Exército. Os militares já tiveram participação no socorro às vítimas dos furacões de 2004 e de 2008, que atingiram o Haiti.

A força foi trazida ao país depois de uma sangrenta rebelião em 2004, que seguiu décadas de violência e pobreza. A missão é liderada pelas tropas brasileiras.

Uma fonte militar, citada pela agência de notícias France Presse, disse que três soldados jordanianos da missão de paz da ONU (Organização das Nações Unidas) morreram no terremoto e outros 21 ficaram feridos.

Eles foram identificados como os majores Atta Issa Hussein e Ashraf Ali Jayus e o cabo Raed Faraj Kal-Khawaldeh. A mesma fonte afirmou que nenhum dos 21 feridos corre risco de morte.

A imprensa estatal chinesa informou que pelo menos oito soldados chineses foram soterrados, e que outros dez estão desaparecidos.

O chanceler francês, Bernard Kouchner, afirmou em pronunciamento nesta quarta-feira que um dos funcionários da embaixada do país no Haiti ficou gravemente ferido.

Jornalistas da agência Associated Press descrevem danos graves e generalizados pelas ruas, onde sangue e corpos podem ser vistos. Segundo a agência, dezenas de milhares de pessoas estão desabrigadas. A rede de TV CNN informou que possui imagens de mortos pelas ruas da capital haitiana, mas que são muito fortes para exibição.

Danos

Mesmo prédios importantes como o palácio presidencial e a sede da missão da ONU não resistiram e sofreram sérios danos. O subsecretário-geral para Operações de Paz da ONU, Alain Le Roy, disse em um comunicado divulgado em Nova York que a sede da missão sofreu graves danos, juntamente com outras instalações das Nações Unidas e que um grande número de pessoas que trabalham para a organização continuava desaparecido.

Há relatos de casas que caíram de barrancos e de um hotel de luxo que teria desabado, soterrando 200 pessoas. Repórteres e testemunhas relatam grande destruição e cenas sangrentas na capital, Porto Príncipe.

As comunicações foram em grande parte interrompidas, tornando impossível obter um quadro completo sobre os danos, enquanto vários tremores que se seguiram ao grande sismo continuaram a assustar a população do país, onde muitas construções são precárias. A eletricidade foi cortada em alguns lugares.

Os embaixadores do Haiti no México e nos Estados Unidos informaram que o presidente René Préval está vivo, apesar do colapso do palácio presidencial

"A situação é muito grave", especialmente nos bairros mais populares, disse Manuel durante uma entrevista coletiva de no Ministério das Relações Exteriores do México, após conversar com o vice-chanceler mexicano, Salvador Beltrán.

Devastação

O embaixador haitiano nos EUA, Raymond Alcide Joseph, demonstrou preocupação com os efeitos do terremoto, a partir dos danos a prédios governamentais. "Se esses prédios estão danificados, você pode imaginar o que aconteceu com todas aquelas frágeis residências ao redor de Porto príncipe, nas encostas dos morros?", perguntou.

Ele lembrou seu desânimo crescente com a construção de barracos não regulamentados nas encostas dos morros, e como ele tinha escrito um artigo há alguns anos, dizendo que isso era uma "catástrofe".

Um funcionário do governo americano relatou ter visto casas que tinham caído em um barranco.

Um cinegrafista da agência Associated Press viu um hospital destruído em Petionville, perto da capital, bairro que abriga muitos diplomatas e haitianos ricos, assim como muitas pessoas pobres.

Em uma das primeiras informações disponíveis com número estimado de vítimas, o secretário francês para a Cooperação, Alain Joyandet, disse, em Paris, que cerca de 200 pessoas estariam sob os escombros do hotel Le Montana, um dos mais luxuosos de Porto Príncipe.

Com os telefones sem serviço, algumas das comunicações são feitas por meio de redes sociais na internet, como o Twitter. Richard Morse, um músico bem conhecido que gerencia o famoso Olafson Hotel, manteve um fluxo de relatos sobre as réplicas do tremor e os relatórios de danos.

Efeitos

A maior parte dos 9 milhões de haitianos vivem em profunda pobreza, e, após anos de instabilidade política, o país não tem normas reais de construção. Em novembro de 2008, após o colapso de uma escola em Petionville, o prefeito de Porto príncipe estimou que cerca de 60% por cento dos edifícios eram construídos de forma precária.

O terremoto foi sentido na vizinha República Dominicana, que compartilha a fronteira com o Haiti, na ilha de Hispaniola, e deixou em pânico moradores da capital, Santo Domingo, muitos dos quais fugiram de suas casas. Mas nenhum dano maior foi relatado.

No leste de Cuba, casas balançaram, mas também não houve relatos de danos significativos.

Fonte: Folha Online, da Associated Press

   
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