Haiti quer retirar 400 mil da capital; ONU promete alimentar 2 mi

Haiti e ONU buscam ajudar desabrigados.

Por Bruno Quevedo em 26/01/2010

   

nao. (Foto: Tiago Petinga/Efe)
Haiti quer retirar 400 mil da capital; ONU promete alimentar 2 mi

"Temos de desocupar as ruas e realocar as pessoas. Isso é o mais importante para nós", disse a ministra das Comunicações, Marie Laurence Jocelyn Lassegue. "Esperamos que possamos começar no próximo final da semana."

O ministro da Saúde, Alex Larsen, disse que ao menos 1 milhão de pessoas tiveram de deixar suas casas na região de Porto Príncipe. O governo tem tendas para abrigar 400 mil pessoas nos assentamentos temporários, mas precisaria de mais.

Ainda há tremores quase diários depois do forte terremoto. No total, o Haiti já teve pelo menos 50 tremores de magnitude 4,5 ou maior desde o grande tremor. Nenhum deles causou novos danos ou vítimas, mas houve alarme entre a população.

Na última quinta-feira (21), dois fortes tremores --um com magnitude 4,8, conforme medição do Serviço Geológico dos EUA (USGS, na sigla em inglês)-- voltaram a assustar Porto Príncipe. Na quarta-feira, houve mais um forte reflexo do primeiro tremor, de magnitude 6,1.

ONU

O PMA (Programa Mundial de Alimentos) da ONU (Organização das Nações Unidas) estima que deverá levar alimentação a cerca de dois milhões de haitianos pelo menos por um ano, dobrando as expectativas iniciais, disse ontem sua diretora-executiva, Josette Sheeran.

"Precisamos alimentar a população por mais tempo e com mais quantidade de comida do que achávamos. A situação é desalentadora", afirmou em entrevista coletiva a diplomata americana.

Josette afirmou que os primeiros cálculos divulgados pouco depois do terremoto de 12 de janeiro previam a necessidade de alimentação parcial de cerca de dois milhões de pessoas por seis meses, pois confiavam na recuperação dos mercados locais de alimentos após algum tempo.

No entanto, a devastação da infraestrutura pública, imóveis e estabelecimentos comerciais causada pelo violento terremoto é maior que o esperado. "Não se sabe como a situação pode retornar à normalidade por um bom tempo", acrescentou Josette.

Por isso, a diretora ressaltou que agora a ONU considera que será necessário cobrir praticamente todas as necessidades nutritivas de pelo menos dois milhões de desabrigados por um ano, já que não deve ser possível conseguir no mercado os alimentos para complementar as porções proporcionadas pela ajuda humanitária.

Vítimas

O terremoto aconteceu às 16h53 do último dia 12 (19h53 no horário de Brasília) e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe, que ficou virtualmente devastada. O Palácio Nacional e a maioria dos prédios oficiais desabaram. O mesmo aconteceu na sede da Minustah, missão de paz da ONU, liderada militarmente pelo Brasil.

Ainda não há um dado preciso do total de mortos. O balanço das Nações Unidas divulgado nesta segunda-feira indica um total de 112.250 mortos e outros 194 mil feridos. Já o governo haitiano confirmou neste domingo que o número de mortos no país já atingiu 150 mil somente na região metropolitana de Porto Príncipe.

Entre os brasileiros, 21 morreram, sendo 18 militares e três civis --a brasileira Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança, o chefe-adjunto civil da missão da ONU no Haiti, Luiz Carlos da Costa, e uma brasileira com dupla-cidadania europeia que não teve a identidade divulgada a pedido da família.

Conferência

Nesta segunda-feira, doadores internacionais se reuniriam em Montreal, no Canadá, para avaliar formas de passar da ajuda humanitária imediata para a reconstrução de longo prazo do Haiti, que mesmo antes do terremoto já era o país mais pobre das Américas.

O primeiro-ministro haitiano, Jean-Max Bellerive, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, o chanceler Celso Amorim, e o chanceler francês, Bernard Kouchner, entre outros, discutiram questões como o perdão da dívida haitiana e as estratégias de reconstrução.

Bellerive disse na conferência que o Haiti precisará da ajuda mundial por um prazo de pelo menos cinco a dez anos. "O povo do Haiti precisará de cada vez mais para completar a reconstrução."

Amorim defendeu o papel central do governo haitiano na reconstrução do país e disse que a coordenação dos esforços internacionais no Haiti deve ficar a cargo das Nações Unidas.

"O Haiti não é o Afeganistão, o Haiti é um país que tem um governo eleito [...] e precisa ser reconstruído com ajuda da comunidade internacional", disse o chanceler brasileiro em entrevista ao vivo à rede CNN de Montreal.

Fonte: Folha Online

   
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