Brasileiras se destacam no mundo da ciência

No mais importante prêmio do mundo voltado para mulheres cientistas, elas só perdem para as americanas

Por Redação em 10/03/2010

   

nao. (Foto: Divulgação)
Brasileiras se destacam no mundo da ciência

Quando Marie Curie ganhou um Nobel em 1903, a presença feminina no meio científico podia ser esparsa e vista como novidade. Hoje, novidade é o avanço na direção de uma divisão igual dos microscópios, em que o gênero de quem veste o jaleco não é motivo de surpresa ou curiosidade. Na última edição do Nobel, Curie só roubaria a cena por seu trabalho, não por suas saias: 2009 foi o ano com o maior número de premiadas até hoje. Das treze pessoas laureadas, quatro eram mulheres.

No Brasil, não é diferente. No mais importante prêmio do mundo voltado para mulheres cientistas, o “Mulheres na Ciência”, as brasileiras só perdem para as norte-americanas no número de premiadas. Maioria nas universidades e entre os cidadãos com mais escolaridade, a conseqüência natural do caminho trilhado atualmente pelas brasileiras parece ser repetir esse avanço na área científica. E, pelo menos em parte, a expectativa se cumpre: elas representam 56% das bolsas de iniciação científica do CNPq, por exemplo.

Apesar dos nomes que se destacam individualmente, no entanto, à medida que a especialização cresce as brasileiras vêem na área científica os mesmos desafios que em demais segmentos do mercado, e acabam ficando para trás. “Quando falamos de bolsas para o topo da carreira, elas não chegam a 25%”, diz Wrana Panizzi, vice-presidente do CNPq.

Para amarrar as duas pontas desta história, algumas organizações têm investido em programas de incentivo a cientistas mulheres. O próprio CNPq, junto com o Ministério da Educação e a Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, promove o programa “Mulher e Ciência” que, entre outras coisas, premia desde redações de alunos do ensino médio até artigos científicos de doutorandos, todos discutindo o mesmo tema: a construção de igualdade de gênero. “É um tipo de política pública para estimular e dar mais visibilidade”, afirma Panizzi. Outro caso é a versão local do internacional “Mulheres na Ciência”, promovido pela Unesco em parceria com a empresa de cosméticos L’Oreal, que dá anualmente bolsas de US$ 20 mil para jovens cientistas mulheres em diversas áreas do conhecimento. “É um programa de responsabilidade social mesmo. É uma grande representação para essas jovens cientistas”, afirma Simone Nogueira, diretora de comunicação da L’Oreal Brasil.

Panizzi não teme que os programas de incentivo para mulheres reforcem a segregação. “Qual é o princípio básico da equidade? É que não se trata de forma igual o que é diferente”, afirma. “As mulheres enfrentam muitos obstáculos, e não são obstáculos formais. São originários principalmente de nossa ordem cultural, invisibilidade das mulheres”, diz. Beatriz Barbuy, astrofísica brasileira premiada na última edição mundial do “Mulheres na Ciência”, concorda que os projetos são uma boa idéia. “Eu acho espetacular. Discuti um pouco com a (geneticista) Mayana (Zatz) outro dia que a gente precisa aparecer mais, porque as jovens não têm modelos que sejam cientistas”, acredita. “Tem que mostrar mais que as mulheres podem ter suas carreiras, incentivar as jovens, mostrar que a ciência é uma opção. Não sei por que tem essa ideia de que as mulheres têm que ir para a área de humanidades”.

Tanto Barbuy, 60, quanto Panizzi, 60, relatam que enfrentaram dificuldades diretamente relacionadas ao fato de serem mulheres ao longo de suas bem-sucedidas carreiras. “As mulheres têm que ser um pouco melhores que os homens para chegar ao mesmo lugar”, diz Barbuy. “E tem muitos homens que não se casam com colegas, há uma exclusão como mulher”. Panizzi também não esconde que passou por problemas. “Digamos que não foi fácil, mas consegui sobreviver”,

Para a nova geração, no entanto, as dificuldades podem estar diminuindo. Lisiane Porciúncula, 34, neurocientista premiada no “Mulheres na Ciência” brasileiro por seu estudo que liga a cafeína a uma boa saúde mental no processo de envelhecimento, diz que nunca se sentiu prejudicada pelo fato de ser mulher. “Eu não tive muito esse problema, de ter que trabalhar mais para provar alguma coisa. A mulher já está sendo reconhecida também na ciência”, relata. “Mas há toda uma particularidade da vida feminina e a gente tem que se adaptar”, diz sobre o fato de também ser mãe. A bolsa de US$ 20 mil que ganhou com o prêmio, segundo ela, foi o que possibilitou montar seu laboratório e ser publicada internacionalmente. E, nesse aspecto, ela acredita que a questão de gênero fica em segundo plano. “O prêmio proporciona uma possibilidade em início de carreira mais como cientista do que como mulher. É um incentivo para jovens cientistas, que é algo que existe pouco ao redor do mundo. Essa foi a visão e experiência que eu tive.

Fonte: ig.com.br

   
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