Sojicultores do RS anseiam por chuva e melhor preço

Baixa cotação e falta de água nas lavouras mais tardias preocupam produtores gaúchos que deram início à colheita do grão.

Por Bruno Quevedo em 24/03/2010
nao. (Foto: DIvulgação)
Sojicultores do RS anseiam por chuva e melhor preço

Com as cotações em baixa e se aproximando do custo de produção, sojicultores do Rio Grande do Sul se amparam na perspectiva de uma boa produtividade para poder fechar as contas no azul este ano. A torcida é para que chova nas áreas cultivadas com atraso em razão do excesso de precipitações durante a primavera causada pelo El Niño e já afetadas pela falta de água.

Segundo a Emater, o preço médio da saca (60 quilos) no Estado é de R$ 33,76, ante R$ 35,67 na semana anterior, enquanto o custo médio de produção calculado pela Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro) ficou em R$ 32,47. Em simulação feita por Zero Hora, o valor obtido na negociação do produto aos preços atuais, mesmo com uma safra estimada em 23,6% acima do ciclo anterior, seria praticamente equivalente ao do ano agrícola passado (veja quadro).

Para o analista Flávio França Júnior, da Safras & Mercado, o cenário segue tendendo para baixo no curto prazo:

"Aqui no Rio Grande do Sul, a cotação está em torno de R$ 33, mas a colheita mal começou. Pela pressão da colheita, o preço no Estado deve cair", cita França.

No Planalto Médio, uma das zonas produtoras que mais sofreram com o atraso do plantio, já é possível notar o estresse hídrico das plantas, diz Claudio Doro, gerente regional adjunto da Emater de Passo Fundo. Segundo ele, 40% dos 680 mil hectares cultivados na região – cerca de um quinto da área total do Estado – foram plantados fora da época recomendada e estão agora na fase de enchimento de grãos, quando mais necessitam de água.

"A tão falada supersafra de soja não vai ocorrer. Será uma safra normal. Estamos com um déficit hídrico de cem milímetros", estima Doro.

A apreensão é dividida pelo presidente da Comissão de Grãos da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Jorge Rodrigues.

"Com um preço abaixo de R$ 35, as margens já ficam no limite. Nesse caso, o produtor precisa uma boa produtividade, e o clima preocupa", segundo Rodrigues.

O consultor técnico da Fecoagro Tarcísio Minetto explica que o cálculo do custo de produção leva em consideração uma utilização média de tecnologia e, para não ter prejuízo, o agricultor teria de produzir pelo menos 38,5 sacas por hectare.

Fonte: Canal Rural - RBS

   
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