Jogos dão sobrevida às redes sociais

Plantar, colher, criar...

Por Redação em 25/03/2010

   

nao. (Foto: Divulgação)
Jogos dão sobrevida às redes sociais

São Paulo, 24 (AE) - "É questão de se organizar - plantar antes de sair e colher de manhã, na hora em que chega em casa", explica Fernando Bueno, de 27 anos. Santarosa Barreto, 23, que estuda Artes Plásticas na mesma sala que ele, tem até um pavão em sua fazenda e sabe o período de plantio e colheita de vários vegetais. Eles até são motivo de piada entre os amigos devido à obsessão rural. Mas não ligam. Afinal, fazem parte da principal tendência nos games hoje em dia: a dos jogos sociais.

Estes jogos estão dando uma sobrevida às redes sociais: só o FarmVille, a fazenda virtual do Facebook em que Bueno e Santarosa aram seus terrenos, reúne quase 100 milhões de pessoas. No Orkut, maior rede social do Brasil, o similar Colheita Feliz, reúne 18 milhões de jogadores, sendo que 11 milhões jogam toda semana. Estes jogos atraem (e viciam) um público que nunca se interessou por games. A mecânica é simples, não há muito esforço mental, o nível de competitividade é baixo e não é preciso instalar nada no computador.

No FarmVille, plantar e colher na hora certa garante a venda de estoques, o que gera dinheiro - virtual - para a aquisição de mais itens. Exige dedicação: o tempo de plantio e de colheita de um morango, por exemplo, é de oito horas. Os jogadores gerem suas fazendas, plantam, colhem, criam bichos e trocam itens com seus vizinhos de fazenda.

E um dos segredos para subir de nível é ter mais vizinhos, que podem ajudar o jogador a ganhar presentes e poupar tempo. "No início, o vício está em subir de fase, e como você ainda não sabe direito como as coisas funcionam, fica ansioso e entra o dia inteiro no jogo para acompanhar as plantações", explica Santarosa. Ela começou a jogar em outubro passado, influenciada pelo namorado. "Ao contrário dele, eu nunca gostei de videogame."

Eis o público deste tipo de jogo: em fevereiro, uma pesquisa feita pela produtora de games Popcap apontou que o público-médio dos jogos sociais são mulheres na faixa dos 40 anos. Fernando e Santarosa confirmam - e recebem mensagens de amigos que pedem para que adicionem suas mães no FarmVille.

"Eles me ajudam a passar o tempo, conhecer pessoas e refrescar a cabeça enquanto trabalho", confirma a professora da Escola de Comunicação e Artes da USP, Nancy Nuyen, 49 anos. Apesar de ter chegado aos jogos pela insistência de um aluno, ela mergulhou fundo nesse universo e também se dedica a outros games cuja temática passa longe do mundo rural, como Fishville, Café World e Mafia Wars.

A própria mecânica repetitiva do jogo faz que as produtoras preparem, de tempos em tempos, conteúdos especiais para motivar os jogadores. No Facebook, os itens mais cobiçados nos últimos tempos faziam parte de um pacote promocional do novo filme de Tim Burton, "Alice no País das Maravilhas".

Dá para comprar, com dinheiro de verdade, moedas virtuais para gastar no jogo. A própria Santarosa já fez isso e, no Natal, ela e o namorado se presentearam com moedas do FarmVille. Este câmbio entre dinheiro virtual e real, além das ações publicitárias, são a principal fonte de renda das produtoras deste tipo de jogos.

Mas há quem critique os métodos destes jogos - que viciam por causa de prestígio social na rede - e se baseiam em estatísticas de cliques. De acordo com alguns produtores, apesar das recompensas externas funcionarem (não há dúvida, e os games sociais são a prova disso), esta motivação empobrece os jogos em vários aspectos e tem inclusive consequências psicológicas pouco desejáveis. (COLABOROU CARLA PERALVA)

Fonte: yahoo.com.br

   
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