MEC avalia cursos de educação a distância

Das 13 instituições analisadas até agora, todas apresentaram problemas. Elas representam 12% do total, mas concentram 61% dos estudantes de graduação a distância

Por Jornal Nacional em 15/05/2009

   

nao. (Foto: Reprodução / TV Globo)
MEC avalia cursos de educação a distância

Nesta semana em que o Jornal Nacional apresenta uma série de reportagens sobre educação a distância, você vai ver nesta quinta que a multiplicação de cursos de nível superior também é motivo de preocupação. O repórter Alan Severiano mostra que, em alguns casos, falta qualidade.

Uma visita surpresa: o primeiro passo para avaliar a saúde do ensino a distância. Os 180 inspetores do Ministério da Educação têm a missão de fazer este ano o diagnóstico de todas as instituições que oferecem esse tipo de curso superior.

Numa universidade em São Paulo, a biblioteca e o laboratório de informática foram reprovados. “Eu acho que aqui precisa aumentar o número de computadores”.

Para se ajustar, a universidade vai ter que melhorar as instalações. A avaliação começou pelas instituições com maior número de alunos. Das 13 analisadas até agora, todas apresentaram problemas. Elas representam 12% do total, mas concentram 61% dos estudantes de graduação a distância.

“Ao MEC, só interessa a oferta de educação a distancia de qualidade. Isso é um ponto pacífico e claro para a gente”, afirmou Carlos Bielschowsky, secretário de Educação a Distância do MEC.

Márcia Rodrigues é estudante de Pedagogia da Fael, Faculdade Educacional da Lapa, do Paraná, reclama que os professores demoram muito para tirar dúvidas mandadas por e-mail.

“Demora de 15 a 20 dias para vir uma resposta. Quando ela volta, já passou a sua dúvida e você já tem mais outras”.

Sônia Martins desistiu de fazer Serviço Social na Fundação Universidade do Tocantins, a Unitins. “A faculdade não dava o suporte que o aluno precisava. Achei o material super-ruim, fizemos diversas reclamações, não fomos atendidas, então acabei desistindo da faculdade”.

Em Palmas, onde fica a sede da universidade, os alunos também reclamam. “Nós não temos biblioteca, não temos laboratório”, lista uma aluna.

O crescimento sem controle dos cursos de educação a distância é uma das explicações para as queixas sobre a qualidade do ensino. Nos últimos cinco anos, o número de alunos da Unitins pulou de seis mil para 92 mil. A segunda maior universidade de educação a distância do país virou a primeira em número de irregularidades.

O MEC constatou falta de infraestrutura. O número de alunos por professor passava de mil em alguns cursos, quando o recomendado internacionalmente, segundo o MEC, é 130.

Ainda segundo o MEC, a Unitins deveria se responsabilizar por toda a parte acadêmica, o que não ocorre. Parte dos tutores de sala foi subcontratada por uma empresa parceira, a EADCOM, configurando-se uma situação irregular.

Numa carta à TV Globo, a direção da EADCOM afirma que o projeto de parceria está funcionando segundo o que foi aprovado pelo MEC em 2004, portanto não há ilegalidade. Diz que o MEC mudou as regras em 2007 e que a EADCOM está disposta a fazer as modificações necessárias. Por sugestão do MEC, a Unitins suspendeu novos vestibulares.

O Ministério Público luta para que os alunos deixem de pagar mensalidades. “Ela é uma instituição pública de ensino. E, por isso, o ensino tem que ser gratuito”, afirmou Ludmila Junqueira, do Ministério Público Federal.

A reitora Jucylene Borba diz que a cobrança de mensalidade não é ilegal, já que a faculdade é fundação pública de direito privado. Mas promete rever a parceria e tornar o ensino gratuito.

“Nós precisamos, enquanto Unitins, ter o controle acadêmico, todo o controle de dados, todo o controle de orientação metodológica do ensino que é ofertado. O interesse governamental é de ofertar um ensino de qualidade. Se para ofertar um ensino de qualidade for necessário fazer as alterações que o Ministério da Educação está recomendando, que a gente melhore, que a gente aprimore, nós vamos fazer”.

Num acordo firmado esta semana com o MEC, a Unitins se comprometeu a não matricular novos estudantes com cobrança de mensalidade e vai transferir os atuais alunos para outras instituições credenciadas a partir de julho.

Das outras 12 universidades com problemas, cinco assinaram acordos para corrigir as falhas. Sete ainda discutem uma solução com o governo.

“As instituições estão mudando os seus procedimentos para que elas possam atingir os patamares de qualidade exigidos pelo mec. Caso contrário, elas não vão poder continuar operando”.

Para garantir qualidade, o ensino a distância deve ter, segundo o MEC, pólos com profissionais capacitados, computadores ligados à internet e biblioteca, além de material didático diversificado, sobre todo o conteúdo do curso. Professores precisam estar sempre disponíveis para tirar dúvidas e as provas têm que ser feitas na sala de aula.

Antes de se inscrever, o aluno deve checar se a instituição é credenciada pelo MEC.
O professor Sérgio Nedici de Eston, coordenador do curso a distância da USP, dá outra dica para identificar um bom curso. “É qualidade do material didático. Tem que ser padrão livro de ótimo nível”.

Combater os cursos ruins é o caminho para diminuir o preconceito. Em São Paulo, o Conselho Municipal de Educação vetou a contratação de professores formados a distância. A associação dos estudantes protesta.

“As leis federais que garantem a educação a distância não discriminam o aluno presencial e o aluno à distancia. É um mito, um preconceito, que nós precisamos derrubar inclusive no poder público”, declarou Ricardo Holz, da Associação de Alunos de Educação a Distância.

Os números do Enade, o exame que avalia os estudantes de graduação, são favoráveis aos alunos à distância. Na comparação com os presenciais, eles tiraram notas melhores em sete das 13 áreas analisadas.

“O curso a distância é o futuro da educação, seja para apoiar a educação presencial, seja para permitir que seja feita uma educação simplesmente nessa modalidade”, disse Stravros Xanthopoylos, diretor executivo da FGV-on line


Para a dentista Maria Cecília Vendolo, esse é o presente. Ela viu no curso de especialização on-line da Universidade Federal de São Paulo mais do que uma oportunidade de se atualizar.

“Você conhece pessoas de outras partes do Brasil, estados distantes. Acho que essa interação é muito interessante, é uma troca de experiências. Nós temos que pegar a globalização e pegar o que ela tem de positivo”.

A Fael, mostrada na reportagem, prometeu resolver as falhas do plantão de dúvidas. Das sete instituições que estão em negociação com o governo, a Fatec Internacional, a Facinter, a Uni-Cid, a Ulbra, a Uni-Ube declararam que vão seguir as recomendações do MEC.

A Unit e a Univali afirmaram que ainda não receberam a convocação para fazer os acordos. Nesta sexta, você vai ver como a educação a distância está abrindo oportunidades de trabalho.

   
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