Muita calma nessa hora! Nem todo estresse é ruim

Veja como diferenciar os fatores negativos dos normais

Por Redação em 10/05/2010

   

nao. (Foto: Ricardo Chaves)
Muita calma nessa hora! Nem todo estresse é ruim

É melhor parar de reclamar que sua rotina anda agitada demais. Em pequenas doses, a tensão gerada diante de um novo desafio, como uma fala em público, a entrega de um trabalho ou até uma discussão em família, diminui os riscos de doenças como Alzheimer, artrite e alguns tipos de câncer, revelam pesquisas recentes.

O velho ditado de que a diferença entre o veneno e o remédio está na dose se aplica muito bem ao estresse, que nada mais é que uma reação natural do ser humano diante de uma situação de perigo. Picos curtos de estresse durante o dia servem de motivação para encarar algo inesperado e terminam por gerar satisfação, explica Ana Maria Rossi, Ph.D., presidente da seção brasileira da International Stress Management Association (Isma-BR).

Se estressar de vez em quando também ativa o sistema imunológico. Um estudo recente da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, sugere que levar uma vida calma demais aumenta em 43% as chances de morrer prematuramente. O motivo? Se nunca estimulado, o sistema imunológico não se fortalece e a pessoa adoece com mais facilidade.

Entretanto, o estresse só é bom se dura de minutos a alguns dias. Se passa desse tempo torna-se um desgaste emocional crônico e, em vez de bem, começa a fazer mal à saúde. Quando o estresse é ruim, a sensação após determinado episódio é de opressão, nunca de excitação, e leva a um descontrole que gera desde fugas emocionais até reações agressivas, explica Ana Maria.

Uma pesquisa realizada em 2009, pela Isma com 1mil executivos, brasileiros revelou que 53% têm comportamentos agressivos no dia a dia. Entre os sintomas físicos do estresse negativo, 86% reclamam de dores musculares, 38% de distúrbios do sono, 26% de problemas gastrointestinais e 13% de pressão arterial elevada. Já entre os sintomas emocionais mais frequentes estão ansiedade e angústia.

O motivo para tanto estresse? Os executivos ouvidos pela Isma reclamam de excesso de tarefas, medo de demissão (real ou imaginário), muita responsabilidade, pouca autonomia para tomar decisões e desequilíbrio entre esforço e gratificação. O efeito prolongado desse tipo de estresse é devastador, podendo levar ao efeito inverso do estresse positivo, com o surgimento de doenças cardiovasculares, câncer e Alzheimer, apontam estudos da Sociedade Britânica de Longevidade.

Para retornar ao eixo de equilíbrio, a maioria dos estressados crônicos costuma recorrer aos consultórios em busca de soluções em comprimidos. Nem sempre é o caminho. Muitas vezes, a terapia é mais eficaz.

– O problema é que não somos acostumados a prestar atenção aos sinais emitidos pelo nosso organismo. Se estou ansioso, tomo um ansiolítico em vez de parar para refletir por que estou sentindo isso, por exemplo. O segredo para manter o autodesempenho e a boa saúde é aprender a dosar – enfatiza a presidente da Isma.

Nem todo mundo tem a mesma reação diante de um mesmo tipo de estresse. Enquanto muita gente adora falar em público, outras preferem se esconder em um buraco a se expor. Uma promoção a um cargo de chefia é motivo de comemoração e estresse positivo para a maioria, mas outros perdem o sono.

A separação conjugal é outro exemplo. Para alguns gera efeito negativo, sentimento de rejeição. Mas outros se sentem livres, com o desafio de se reinventar. A reação depende do jeito de ser e da autoestima.

Sintomas comuns de estresse negativo:

Físicos
- Dores musculares, incluindo dor de cabeça
- Distúrbios do sono
- Problemas gastrointestinais
- Pressão arterial elevada

Comportamentais
- Consumo de álcool e drogas
- Agressividade
- Distúrbios de apetite
- Mudanças na libido

Emocionais
- Ansiedade
- Angústia
- Preocupação
- Raiva

Estressores
- Falta de tempo (sobrecarga ou excesso de tarefas)
- Medo de demissão – real ou imaginário
- Falta de controle – muita responsabilidade e pouca autonomia para tomar decisões
- Conflitos interpessoais
- Desequilíbrio entre esforço x gratificação
Fonte: Ana Maria Rossi, Ph.D., presidente da International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR). Dados da pesquisa Isma-BR (World Psychiatric Association, Florença 2009) 1.000 executivos (gerentes, supervisores e CEOs) de 25 a 60 anos

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