Pôquer ganha adeptos, jogadores-celebridade e vira febre no País

Número de jogadores online cresceu 238%. Para atender ao novo mercado, foram criados sites, revistas, programas de TV e até roupas

Por Redação em 05/07/2010
nao. (Foto: Divulgação)
Pôquer ganha adeptos, jogadores-celebridade e vira febre no País

Todos os dias, cerca de 150 pessoas se reúnem em uma casa com fachada de vidro no Itaim Bibi, bairro nobre da zona sul de São Paulo, onde um letreiro indica: Grêmio Recreativo Social e Cultural Hold’em. No imóvel de três andares, dois seguranças e um detector de metal na porta, os frequentadores se acomodam em volta de 20 mesas usadas para disputar partidas de Texas Hold’em, a modalidade mais popular do jogo de cartas pôquer. A jogatina começa às 17h30 e só acaba de manhã – não raro os últimos jogadores deixam a casa com o raiar do dia. As apostas contemplam todos os gostos e variam entre R$ 50 a R$ 3,3 mil. Os prêmios? Em alguns casos chegam a R$ 100 mil. Criado em 2006, o H2 Club tem 14 mil associados e é um retrato da febre do pôquer que tomou conta do Brasil. Levantamento do instituto de pesquisas Ibope mostra que, em abril, 838 mil brasileiros acessaram os principais sites de pôquer, aumento de 238% em relação a maio de 2009. Já o número de inscritos no Brazilian Series of Poker, o campeonato brasileiro da categoria, quase quadruplicou – no ano passado foram 3,2 mil jogadores atrás de prêmios de até R$ 150 mil e fama desfrutada por atletas de esportes mais populares, como o futebol. Para atender a essa nova tribo, nos últimos meses surgiram revistas, sites especializados, programas de TV, coleções de roupas e cursos sobre pôquer no País.

Estima-se que dois milhões de pessoas joguem pôquer no Brasil. Em sua grande maioria, são “atletas” de final de semana. Mas começa a surgir uma safra de jogadores profissionais que levam uma vida que lembra, guardadas as devidas proporções, a de um Neymar ou do Paulo Henrique Ganso, as estrelas ascendentes do futebol. A rotina envolve disciplina para treinar (alguns praticam até 12 horas por dia), muitas viagens (principalmente para Las Vegas, nos Estados Unidos, considerada a capital mundial do jogo), compromissos com patrocinadores (em sua maioria sites), um séquito de fãs que seguem seus passos em blogs e perfis na rede de microblogs Twitter e relacionamentos com mulheres lindas e famosas. Tome como exemplo o jogador Felipe Ramos. Filho de uma família de classe média-baixa de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, largou um emprego de seis anos em uma multinacional para ganhar a vida com as cartas. Aos 27 anos, Mojave (apelido adotado por ele, prática comum no meio) faturou mais de US$ 1 milhão em prêmios e é patrocinado pelo site PartyPoker. Hoje, divide o tempo entre São Paulo, Las Vegas e Los Angeles, onde vive a namorada, Marianela Pereyra, modelo e apresentadora do programa Poker After Dark, exibido nos Estados Unidos pela rede NBC. “Já gastei muito dinheiro com coisas que pobre nunca teve na vida, como carro e jantares caríssimos”, disse Mojave em entrevista ao site MaisEV.

Novos milionários

Um jogador de pôquer pode ficar milionário com seu desempenho nos principais torneios do mundo. O americano Philip Ivey é um deles: ganhou US$ 12,8 milhões em prêmios. O status de celebridade e o conhecimento do jogo ajudam os profissionais a encontrar formas alternativas de aumentar o lucro. A mais convencional são os patrocínios. No Brasil, um jogador de habilidade em início de carreira pode ganhar até US$ 5 mil para emprestar sua imagem para um site ou uma empresa que fabrica cartas. Alguns jogadores de sucesso são convidados para dar palestras onde mostram como a habilidade nas cartas pode influenciar no negócio da empresa. O paulista André Akkari é um dos mais procurados para esse tipo de trabalho. São até cinco palestras por ano por um valor não revelado. Existe ainda a figura do professor particular. Funciona assim: o aluno entra num site e contrata um tutor que vai analisar suas jogadas para apontar erros e acertos. Quando professor e aluno não moram na mesma cidade, a aula pode ser remota – muitas vezes ela acontece via Skype, o programa que permite videoconferência via internet. A hora/aula custa US$ 200 e os jogadores só fecham pacotes de pelo menos 10 aulas. Ou seja, embolsam US$ 2 mil por 10 horas de trabalho.

O sonho de alcançar fama e fortuna no pôquer leva centenas de jogadores para lugares como o H2 Club, onde o ambiente em nada lembra os clubes de pôquer retratados em filmes. Por causa da Lei Antifumo, em vigor em São Paulo desde meados de 2009, o ambiente não fica empesteado de fumaça. É difícil encontrar jogadores com bebida alcoólica nas mãos. A explicação é simples: o abuso do álcool atrapalha o desempenho. “A geladeira fica sempre cheia, o pessoal não bebe”, diz a garçonete. As mulheres são raras e não existe música ambiente. A trilha sonora dos jogos é o barulho das fichas. Cada jogador tem uma forma de manipulá-las: alguns passam as fichas de uma mão para outra enquanto outros fazem malabarismo entre os dedos. Brincar com as fichas é apenas uma das manias ou superstições dos jogadores. Não é difícil encontrar um amuleto da sorte sobre o monte de fichas. Durante a partida, alguns ouvem música, outros encobrem a cabeça com capuz e gorro e é comum deparar-se com jogadores de óculos escuros, que servem para esconder as contrações involuntárias das pupilas quando recebe uma mão boa. Entre os mais jovens, a última moda é usar roupas que fazem alusões a torneios (como a sigla BSOP, de Brazilian Series of Poker, estampada no peito) ou de sites, como Pokerstars.com.


Fonte: ig.com.br

   
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