CBF busca “técnico perfeito” para 2014. E rápido

Scolari, já procurado, e Mano Menezes, indicado por Andrés Sanchez, estão na briga. Leonardo é tido como ideal para coordenador

Por Redação em 05/07/2010

   

nao. (Foto: Divulgação)
CBF busca “técnico perfeito” para 2014. E rápido

A CBF demitiu Dunga e sua comissão técnica nesse domingo. E sabe o que quer. Um técnico disciplinador, mas com carisma, querido pelos torcedores. Que desfrute de credibilidade e respeito no cenário internacional. Alguém com vitórias e histórias edificantes no currículo. Um profissional mais experiente que Dunga, com jogo de cintura para lidar com jornalistas e patrocinadores. Que colabore com decisões estratégicas da programação da seleção e da preparação para torneios a serem disputados.

É também fundamental que esse treinador saiba ouvir a comissão técnica, executar decisões tomadas em consenso e acatar pedidos da alta cúpula da CBF — leia-se presidente Ricardo Teixeira. Ele deve aceitar não ter poderes ilimitados como Dunga e conviver em harmonia com um coordenador técnico, que irá aconselhá-lo sobre procedimentos do cargo. De quebra, deve ajudar a transmitir a imagem de sucesso que o presidente da CBF quer passar ao planeta sobre a Copa do Mundo de 2014, a ser realizada no Brasil.

Se esse profissional existisse, ele teria assegurado o cargo de técnico da seleção brasileira para o próximo Mundial, pois é esse o perfil buscado por Ricardo Teixeira, segundo pessoas próximas ao dirigente. E, de acordo com Rodrigo Paiva, diretor de comunicação da CBF, o técnico deve estar disponível para assumir o cargo "o mais rápido possível".

Integrantes da cúpula da CBF dizem que os nomes estudados pela entidade são os de Luiz Felipe Scolari, campeão do mundo em 2002, e o de Mano Menezes, atual técnico do Corinthians. Nenhum dos dois se encaixa plenamente no perfil proposto — Scolari até já bateu em jornalistas, enquanto Mano não tem experiência internacional.

Candidatos fortes num passado recente, como Vanderlei Luxemburgo e Muricy Ramalho, têm chances reduzidas de serem lembrados. O ex-jogador Leonardo, demitido do Milan em sua primeira temporada como técnico, aparece como nome ideal na função de coordenador. Antes de se arriscar como “professor”, Leonardo ocupou com sucesso diferentes cargos na diretoria do clube italiano.

Abaixo o dunguismo
A urgência em definir o técnico e sua nova comissão é mais que justificável. O Brasil volta a campo logo na primeira quinzena de agosto para jogar amistoso contra os Estados Unidos. A eliminação na África do Sul ainda estará fresca, e por isso a CBF quer alguém forte à frente da equipe para contrabalancear essa memória negativa.

Teixeira irá anunciar a decisão apenas quando retornar da África do Sul, mas até o fim deste mês. Na próxima quinta-feira, ele participa em Joanesburgo, ao lado do presidente Lula, de Pelé e da alta cúpula do futebol, do lançamento oficial da Copa no Brasil. A logomarca da Copa, que será exibida na cerimônia, foi revelada com exclusividade pelo iG em 31 de maio.

Quando a delegação ainda estava na África do Sul, Teixeira disse a pessoas próximas que não quer repetir a "experiência Dunga". O cartola não gostou principalmente da “guerra” que o técnico travou com a imprensa, especificamente com a TV Globo, parceira comercial da CBF, e da sucessão de treinos fechados, que irritaram os vários patrocinadores da entidade e até mesmo a Fifa.

Neste domingo, a CBF fez questão de formalizar a demissão de Dunga e de toda a comissão técnica poucas horas depois de o treinador ter afirma afirmado, ao desembarcar em Porto Alegre, que pretendia conversar com Ricardo Teixeira para definir seu futuro: "Daqui a uma semana ou duas, a gente vai se reunir. Meu projeto era de quatro anos, agora vai depender do que o presidente for conversar comigo".

Apesar das esperanças de Dunga em permanecer no cargo, o iG apurou que o principal dirigente da CBF começou a se mexer atrás de um novo nome quando o Brasil ainda corria atrás do hexa. Scolari foi procurado por Ricardo Teixeira em contato telefônico — o técnico está no país da Copa para comentar o torneio para a TV estatal.

O problema para Teixeira é que Felipão já acertou com o Palmeiras e seu auxiliar, Flavio Murtosa, foi até apresentado e comanda treinos na Academia de Futebol. A data de apresentação do técnico, que ainda não assinou contrato, está marcada para 14 de julho e, um dia depois, ele estará no banco no clássico contra o Santos, no Pacaembu.

Mesmo assim a diretoria palmeirense está preocupada, e não é de hoje. Quando negociava com Felipão sempre quis fechar o quanto antes para evitar o convite da CBF, como revelou o iG em 10 de junho. Foi a primeira vez que o nome de Felipão foi cogitado para substituir Dunga.

Um acordo para “dividir” o treinador por algum tempo é visto como inviável por fontes do Palmeiras e da CBF, ainda mais porque as relações entre as duas entidades não tem sido das melhores. O presidente do Palmeiras Luiz Gonzaga Belluzzo apoiou Fábio Koff contra Kleber Leite, candidato de Ricardo Teixeira, na eleição do Clube dos 13. O palmeirense também ficou do lado do São Paulo na batalha para manter o Morumbi na Copa de 2014, o que teria desagrado o presidente da CBF.

Amigo do Andrés
Mano Menezes, técnico do Corinthians, foi sugerido por Andrés Sanchez, chefe da delegação brasileira e presidente corintiano que hoje em dia é quase o melhor amigo de Teixeira. Mano renovou recentemente com o clube paulista, mas há uma cláusula no contrato que o libera, sem ônus a ninguém, para a seleção brasileira. Mano tem títulos no currículo e bom trato com jogadores e jornalistas.

“O Mano tem contrato com o Corinthians até dezembro de 2011”, desconversou Sanchez no desembarque da seleção, neste domingo pela manhã, em São Paulo.

Mas o cartola já deu provas do seu encantamento com o treinador. E o presidente do clube paulista é o hoje o dirigente mais próximo do presidente da CBF. Por isso, foi escolhido para ser o chefe da delegação brasileira na África do Sul.

Apesar do padrinho influente, Mano ainda é visto como aposta na seleção brasileira por integrantes da cúpula da CBF. Mesmo com um histórico recente vitorioso, ele é um técnico novo, com apenas cinco anos de experiência em grandes clubes.

A seu favor conta o fato de ser disciplinador e, assim como Felipão, saber lidar com as estrelas. Porque, apesar das incontáveis escapadas de Ronaldo, Mano engoliu os sapos sem perder o controle do time e conseguiu usufruir de instantes de genialidade do atacante que determinaram as conquistas corintianas em 2009.


Fonte: ig.com.br

   
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