Cientista brasileiro desvenda como o sono consolida a memória

Sidarta Ribeiro mostrou os resultados de sua pesquisa hoje de manhã na reunião anual da SBPC

Por Redação em 28/07/2010

   

nao. (Foto: Divulgação)
Cientista brasileiro desvenda como o sono consolida a memória

Dormir faz bem para o aprendizado. O sono, além de servir para a conservação de energia, faz a reposição das biomoléculas na vigília e atua para o processamento da memória. Freud, já dizia, em 1900, que o sono contém restos diurnos. E estudos ainda da década de 20, chegaram à conclusão que o sono favorece a consolidação da memória.

Agora, uma pesquisa dirigida pelo neurologista Sidarta Ribeiro, do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS,) vai estudar os mecanismos biológicos que comprovam tais afirmações. O pesquisador apresentou seus resultados hoje de manhã na reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Natal.

A memória adquirida transita por regiões do cérebro até se transformarem em aprendizado ou lembrança. Primeiro elas ficam no hipocampo, migrando depois para a região córtex. Este processo é consolidado durante o sono. “Agora conseguimos medir como isto é feito”, contou Ribeiro.

A memória é construída numa sequência específica do ciclo do sono - na fase de ondas lentas (sono profundo) e na fase REM, aquela em que sonhamos. O pesquisador analisou a movimentação de neurônio de ratos. Um animal ficou em uma caixa completamente vazia e com ciclos de luz que duravam 12 horas e depois 12 horas sem luz. Depois quatro novos objetos colocados na caixa. Depois de algumas horas o objeto é retirado. “A ideia era monitorar a vigília, sono de ondas lentas e sono REM e eu presumo que na caixa onde foram colocados os objetos, o animal vai se lembrar de alguma coisa”, disse.

Nos animais que tiveram contato com os objetos, foi observado um intensa movimentação de impulsos elétricos durante o sono de ondas lentas. Os neurônios foram ativados neste período, quando a memória foi reverberada do hipocampo para o córtex.

Durante o sono REM foi registrado um aumento no córtex, mas não no hipocampo. “As duas fases do sono têm funções complementares”, explicou o pesquisador. Na fase de ondas lentas ocorre a reverberação da memória e durante o sono REM, os genes são ativados e a memória é armazenada. “A gente acredita que o sono de ondas lentas é um processo biológico que preserva as memórias e fica reverberando, fica trazendo estas memórias a tona até que venha o sono REM. A combinação destas duas preserva a propagação das memórias”.

Dormir pra aprender
Se o sono é importante para o armazenamento da memória, se faz necessário aproximar o horário das aulas com o do sono. Em outro experiência, desta vez com alunos de uma escola de Natal, a equipe constatou que o sono ajuda no aprendizado. Em uma aula de 10 minutos, os alunos aprenderam palavras novas. Logo depois, dormiram por 2 horas. O grupo que dormiu conseguiu lembrar mais das palavras que o grupo que não dormiu. Aqueles que ficaram de olhos fechados, mas não conseguiram cair no sono, ficaram em posição intermediária. “O sono facilita a reestruturação da memória”, disse.

Não sonhe demais
Outro estudo do IINN-ELS analisou o desempenho de jogadores do Doom, videogame como monstros e desafios como caminhos secretos e bolas de fogo. A pesquisa, ainda em fase de conclusão, monstrou que o sonho interfere no desenvolvimento de tarefas no dia seguinte.

Na primeira noite, uma noite controle, a pessoa dorme com eletrodos, quando se observa que ela atinge o sono REM, ela é acordada e relata o sono. Na segunda noite, a pessoa joga videogame por uma hora, o jogo é gravado. Em seguida a pessoa dorme e o sonho é coletado outra vez. No terceiro dia ela joga Doom outra vez. O que foi identificado foi que a pessoa melhora no jogo.

A pesquisa queria medir a intrusão onírica no desempenho, ou seja, ao usar a memória adquirida do dia anterior, a pessoa fica mais preparada para o futuro. Quem sonhou pouco com o jogo, teve pouca melhora do desempenho, quem sonhou muito com o jogo, melhorou; e quem sonhou demais piorou. “Acreditamos que quem sonhou demais entrou em estresse e piorou o desempenho no jogo”, disse Ribeiro.


Fonte: ig.com.br

   
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