Ele não vai deixar a mulher

Acreditar em promessa e não na própria necessidade é o primeiro passo para sofrer nos complicados relacionamentos extraconjugais

Por Redação em 27/09/2010
nao. (Foto: Divulgação)
Ele não vai deixar a mulher

Se tem uma coisa que ofende os apaixonados é tirar a singularidade de seu caso de amor, que sempre parece tão único. Mas quando "o casamento dele está em crise" é mais ouvido do que a música-tema do casal, fica difícil não encarar o fato de que se está em uma situação clichê. O que não seria problema nenhum, especialmente em se tratando de relacionamentos amorosos, quando a repetição parece tão única, para sorte de quem vive de vender comédias românticas e canções de amor. O problema existe quando há uma dissonância entre o que um dos parceiros deseja e o que o o outro está disposto a oferecer. O que é quase sempre a regra no caso das amantes. "Com raríssimas exceções, que geralmente acontecem quando a mulher também é casada, a outra sempre tem o desejo, ainda que secreto, de ser a única", diz a psicóloga especializada em relacionamentos Marília Terra. "E, na minha experiência, isso acontece muito pouco".

Casais podem sim se apaixonar quando um dos parceiros está comprometido e mesmo assim darem certo. Acontece. Há muito pouco que não aconteça quando o assunto é relacionamento. Mas casos extraconjugais em que ela espera tudo e ele oferece muito pouco são bem mais comuns, e uma grande fonte de sofrimento para mulheres. Talvez não à toa a expressão "A Outra" não seja "A Futura".

Amantes esperançosas formam um universo vasto em que de oficiais não existem nem estatísticas, mas que é perceptível a ponto de gerar demanda para publicações como o recém-lançado "Será que ele vai mesmo deixar a mulher?" (Ed. Best Seller), da terapeuta norte-americana Rona B. Subotnik. No livro, a autora propõe situações para que a leitora tente encontrar, nos diferentes estágios do relacionamento retratado, aquele em que o dela se encaixa melhor e, a partir daí, avaliar se o caso tem futuro - e que tipo de futuro é esse. Entre outras coisas, ela cria listas de sinais para que as mulheres descubram, por exemplo, se o que elas consideram amor é considerado pelo parceiro apenas uma aventura. No rol de sintomas, estão coisas como: "você sabe que ele mente para você", "ele desaparece por semanas" e "ele mentiu ou tentou esconder seu estado civil".

Para Marília, se um dos parceiros precisa procurar sinais ocultos para tentar descobrir a natureza da relação, a coisa já não vai muito bem. "Um relacionamento amoroso, qualquer que seja sua configuração, precisa de confiança e respeito mútuos para funcionar de forma saudável. Se apegar demais a pequenas interpretações parece um bom caminho para o autoengano", diz. Ela acredita, no entanto, que esse tipo de publicação pode ajudar a dar perspectiva para mulheres que encontram no texto semelhanças com o que vivem e diferenças em relação ao que esperam. Em outras palavras: que ouvem de fontes imparciais que a coisa não vai terminar necessariamente em final feliz.

Vale-tudo

"Algumas mulheres, especialmente quando estão apaixonadas, nem consideram a possibilidade de estabelecer limites. Diante da oportunidade de viverem uma ideia de amor romântico, abrem mão dos próprios desejos e necessidades em troca de muito pouco", explica Marília. Isso quer dizer que, mesmo que a amante sonhe ainda em ser a única, muito rapidamente isso pode se tornar uma questão secundária, quando "estar com ele" é tudo o que importa. O resultado costuma ser doloroso para elas.

Foi o que aconteceu com a sergipana Vivi Souza, 20. Ela conheceu um homem com o dobro de sua idade em um chat. "Estava solteira e carente. Ele me ligava o dia inteiro, mandava mensagens, virava noites na intenet conversando comigo. Foi me conquistando aos poucos", conta. Depois de alguns encontros reais, ele contou que era casado e tinha um filho. "Aí já estava apaixonada. Fiquei horrorizada, mas aceitei a situação".

Vivi conta que no começo acreditou que ele ia se separar. "Ele me tratava como uma boneca de porcela, uma princesinha. Muitos cuidados e carinhos, fazia tudo que eu queria". Mas, ao longo dos quatro meses em que ficaram juntos, isso deixou de ser condição para o romance. "Eu realmente sempre quis estar no lugar da esposa. Mas aceito. O importante é ficar com ele".

Ao longo do curto caso, a esposa do amante de Vivi descobriu o relacionamento. Ele terminou o caso algum tempo depois, segundo Vivi por outros motivos, como stress e falta de tempo. Ela continua apaixonada, e diz que sofre muito.. "Quero evitar o máximo me apaixonar novamente, ainda mais por homem casado. Mas, se acontecer, fazer o quê? Acho que poderia sim ser feliz com um homem que não fosse só meu. A felicidade está dentro de nós", acredita.


Fonte: ig.com.br

   
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