Fast-fashion à brasileira: aumenta o acesso à informação sobre moda

Potencial de consumo da classe C está mudando o perfil dos grandes magazines nacionais

Por Redação em 25/11/2010

   

nao. (Foto: Divulgação)
Fast-fashion à brasileira: aumenta o acesso à informação sobre moda

O fenômeno fast-fashion é sucesso absoluto há alguns anos na Europa e nos Estados Unidos. Marcas europeias copiavam o que se via exclusivamente nas passarelas e vendiam em larga escala a preços modestos 15 euros por casacos, 10 euros por saias. Assim, as tendências começaram a aparecer nas ruas em uma velocidade muito mais rápida. A novidade é que, agora no Brasil, tradicionais magazines, como Renner, Lojas Marisa, Riachuelo e C&A, estão investindo nesse filão.

Além de fechar parcerias com nomes de peso, esses estabelecimentos têm montado uma equipe de compra e criação conectada aos principais bureaus de tendência. Quase na mesma dimensão que as grandes redes do mundo, como a espanhola Zara, a inglesa Topshop (que anunciou a abertura de sua primeira loja no Brasil em 2011, no Shopping Iguatemi, em São Paulo) e a sueca H&M.

Cientes do potencial de consumo das classes C e D e do aumento do desejo dessa faixa da população por moda, as empresas de fast-fashion brasileiras antecipam os desejos do mercado, e, quem diria, acabam atingindo em cheio também os consumidores das classes A e B. Para conseguir tal façanha, as grandes magazines correm atrás de estilistas consagrados para firmar parcerias. As marcas contratam um designer, que desenha uma coleção exclusiva. Os produtos são mais simples, de material mais barato e produzidos em larga escala. As peças chegam às lojas com uma grande estratégia de divulgação. Em alguns casos, há filas no dia do lançamento.

— A ideia é dar condições para todos se expressarem por meio da moda — justifica Flávio Rocha, presidente da Riachuelo.

As parcerias não resultam em uma linha com a mesma qualidade e inovação das marcas originais. Mas estão longe de serem comuns e sem graça.

— É uma oportunidade para as classes C e D terem acesso a peças de design legítimas — argumenta Oskar Metsavaht, estilista e proprietário da Osklen, que fechou a mais recente parceria brasileira com a Riachuelo, lançada semana passada. — Fiz uma coleção pensando na classe C, mas acho que os fashionistas vão gostar. Todo designer quer que suas criações sejam usadas por todo mundo. Eu consegui baratear a produção sem afetar a qualidade do meu design — diz ele.

Oskar nega que seja uma versão mais barata das criações na Osklen. Mas as semelhanças não podem ser ignoradas. Se é válido do ponto de vista fashion ou não, pouco importa.

— Não é o Oskar que está se popularizando é o cliente Riachuelo que está cada vez mais chique — conclui o presidente da loja, Flávio Rocha.

Pode-se considerar uma série de fatores quando se analisa a aceleração do fenômeno no Brasil. Mas a ascensão da classe C à posição de grupo com o maior potencial de consumo do país é determinante. Hoje, esses trabalhadores representam 50,5% da população e 45,66% do poder de compra — maior que os 44,12% das classes A e B. Além disso, são vorazes consumidores de informação.

— O pessoal de baixa renda está ansioso para consumir moda. O desafio é criar roupas para um público sem orçamento, mas com acesso à informação — analisa Flávio Rocha, da Riachuelo.

Grandes parcerias

:: Classe C em números

As consultorias especializadas na classe C estão crescendo no mercado. Elas pesquisam o poder de consumo da nova classe média brasileira. Seguem alguns dados.

As mulheres são:

- 50% das clientes dos supermercados
- 59% dos shoppings
- 51% das lojas de roupa
- 51% das farmácias
- 72% das jovens entre 18 e 24 anos da classe C já trabalham e 14% recebem mesada
- 71% dos gastos mensais dessas jovens são em roupas e acessórios
- 17% das jovens da classe C acham importante ficar na moda
- 28% assumem que são muito consumistas
- 6 milhões de mulheres usam crédito porque não aguentam esperar para pagar à vista. - Quase 90% dessas mulheres são das classes C, D e E
- 11,4 milhões de mulheres afirmam que não conseguem guardar nenhum dinheiro - 10 milhões desse grupo estão na classe C.


Fonte: clicrbs.com.br

   
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