Proibição da venda de caralluma divide especialistas e consumidores

Substância que fazia sucesso entre os malhadores está com uso suspenso

Por Redação em 07/02/2011
nao. (Foto: Divulgação)
Proibição da venda de caralluma divide especialistas e consumidores


Os consumidores ávidos por um corpo saudável e que compõem a sua dieta com suplementos de vitaminas, sais minerais, chás e outras fórmulas milagrosas levaram um susto nos últimos dias de 2010. Com uma canetada, dirigentes da Agência Nacional de Vigilância Nacional (Anvisa) suspenderam a importação e a comercialização da substância Caralluma Fimbriata, famosa e bastante consumida devido às suas propriedades emagrecedoras.

Na primeira semana do ano, técnicos da Anvisa deram também outro alerta: chás não têm efeitos sobre a saúde de uma pessoa. A agência publicou um informe técnico esclarecendo que o produto é classificado como um alimento e, por isso, não conta com propriedades medicinais. Como a venda dos chás das ervas mais comuns, como camomila, hortelã e boldo não precisa de registro no Ministério da Saúde, algumas empresas têm aproveitado a brecha na lei para produzir e vender chás como medicamentos fitoterápicos, em forma de cápsula. O informe, também esclarece o órgão, não concedeu nenhum registro para chá em cápsula, tabletes ou comprimidos. Apesar disso, eles continuam à venda em drogarias e sites da internet.

Consumidores entrevistados pela Revista dizem que os rótulos desses produtos em cápsulas, como o chá verde, costumam prometer, entre outras coisas, emagrecimento e combate ao envelhecimento. Segundo os anúncios publicitários, o produto garante efeito rápido, uma vez que as versões em cápsulas ou comprimidos são feitas com partes trituradas das plantas, que têm maior concentração dos princípios ativos.

O farmacêutico Rogério Tokarski, um dos sócios da rede de farmácia de manipulação Farmacotécnica, acredita que as decisões da Anvisa não acompanham a evolução do mercado.

— O mundo é dinâmico e, geralmente, surgem substâncias novas, devido à comprovação de pesquisas no exterior ou por uso popular em outros países — diz Tokarski, dando como exemplo o caso da Caralluma, usada há dezenas de anos por soldados da Índia.

Ele explica que não é contrário ao papel da Anvisa, mas defende a necessidade de maior eficiência.

— Hoje, determinada substância tem a produção e a venda livres. Amanhã, a prática se torna ilegal.

Segundo Tokarski, em casos como o da Caralluma as empresas sofrem "perda moral, de credibilidade", pois antes ofereciam um produto sem problemas, usado em outras partes do mundo, e que de uma hora para outra se torna proibido no Brasil.

Os consumidores também ficam confusos em casos como o da Caralluma.

— Fiquei chocada com a falta de conhecimento dos nutricionistas. De repente, todos receitam o uso de uma substância que, meses depois, é proibida pelas autoridades de saúde. Acho que eles devem ter mais cuidado em seguir esses modismos — acredita a pedagoga Cristina Bergamaschi.

Ela usou, durante o mês de novembro, um produto à base de citrus, feijão branco e Caralluma. Eram duas cápsulas ao dia: uma antes do almoço e outra antes do jantar. Emagreceu 1,5kg.

— Os fabricantes prometem um milagre: emagrecer 5kg em 30 dias. Acho muito. Atribuo o meu emagrecimento também ao meu estilo de vida, pois tenho uma alimentação saudável e faço atividade física — conta ela.

Cristina ia encomendar um novo frasco, mas foi surpreendida com a proibição da Anvisa.


Fonte: clicrbs.com.br

   
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