O poder dos irmãos

O mais velho, o do meio, o caçula: a ordem de nascimento interfere na personalidade da criança. Pensando em ter mais de um filho? A gente conta como um irmão ajuda o outro a se desenvolver

Por Redação em 08/02/2011

   

nao. (Foto: Divulgação)
O poder dos irmãos

Até os anos 80, a média de filhos por mulher no Brasil era de 4,5. Ou seja: era comum o trio irmão mais velho, irmão do meio e caçula. Claro que existiam filhos únicos, mas eram menos comuns: quase todo mundo tinha irmãos. Hoje, é normal que uma criança com irmãos seja vista com certo espanto pelos colegas de escola (ainda mais quando tem mais de um irmão então). Seja por causa da situação financeira, falta de tempo ou prioridades diversas, os filhos únicos e os primogênitos e caçulas são, hoje, em muito maior número. Ainda que esses números tenham subido no final de 2009, pela primeira vez em setes anos, de 1,8 para 1,94, o fato é que as famílias brasileiras têm diminuído cada vez mais.

Essa mudança nas casas brasileiras tem afetado a dinâmica familiar e a personalidade das crianças. Isso porque cada filho tem seu papel dentro da família, e a ausência de um membro acarreta numa distribuição de funções e particularidades. Ou seja, o caçula e o primogênito incorporam algumas ações e facetas da personalidade que são comumente associadas aos filhos do meio.

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O filho do meio costuma ser o mais independente deles. Isso se deve ao fato de que, os primeiros filhos são os mais incentivados e “desbravadores” e os mais novos, os queridinhos e bebês da família. A falta de atenção faz com que eles se sintam livres para passar bastante tempo fora de casa e gostarem de tudo que é externo à família. Além disso, eles são os menos exigentes e os que apresentam um temperamento mais tranquilo, já que não convivem com nenhum tipo de pressão. Por isso, é comum que, em famílias com dois filhos, o caçula assuma esse lado mais independente, já que o irmão mais velho é o que carrega as expectativas maiores dos pais. Já o primogênito tem a tendência de tomar para si a responsabilidade de ser um exemplo para o irmão mais novo, e diminui o seu lado teimoso e bravo.

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Muitos especialistas acreditam que a ordem de nascimento influencia nos passatempos que a criança escolhe, nas notas que ele vai ter na escola, e em quanto dinheiro ele vai ganhar quando crescer. Para os irmãos do mesmo sexo, as diferenças em muitos aspectos da personalidade são tão grandes como seria entre um irmão e uma irmã. A ordem de nascimento não é o único fator que interfere no modo como a criança se desenvolve, mas prestar atenção nisso pode ajudar você a entender as personalidades de seus filhos e a ajudá-los a desenvolver, ao máximo, suas potencialidades.

O primogênito
* Primogênitos famosos: Sigmund Freud, George W. Bush, Oprah Winfrey, Jackie Onassis, Winston Churchill, Albert Einstein, Beyoncé Knowles.

* Pontos fortes: Ele costuma ser o centro das atenções: tem o pai e a mãe só para si, ao menos durante um tempinho, até chegarem os irmãos. Os filhos mais velhos ficam cerca de 3 mil horas a mais com os
pais (brincando, interagindo, se desenvolvendo...), entre os 4 e os 13 anos, do que o próximo irmão ficará, apontou um estudo da Universidade Brigham Young, em Utah, nos EUA. Muitos pais passam mais tempo lendo e explicando as coisas para os primogênitos. Sabe como é: primeiro filho, a gente quer fazer tudo certinho, como mandam os livros sobre bebê. Não é tão fácil quando outras crianças entram em cena. Essa atenção tempo integral pode estar por trás do fato de os primogênitos terem mais tendência a ser superdotados. Eles também costumam se sair melhor nos testes de QI e geralmente estudam mais anos que seus irmãos, fazendo faculdade, pós, etc. Nos EUA, uma pesquisa feita pelo CareerBuilder.com mostrou que os filhos nascidos em primeiro lugar têm mais chance de ter uma renda de ao menos U$100 mil por ano em comparação com os irmãos.

* Fique atento: O sucesso tem um preço: os primogênitos são daquele tipo que se cobra em excesso, nunca se dão uma folga. Geralmente, têm pânico do fracasso. Para eles, o ótimo é inimigo do bom, sabe como é? Nada que fazem é bom o suficiente. E por temer dar um passo em falso, os mais velhos tendem a ser certinhos e não ultrapassar limites. Eles são geralmente inflexíveis – não gostam de mudanças e hesitam em sair da sua zona de conforto. Além disso, geralmente, os primogênitos assumem mais responsabilidades em casa (você já tem 6 anos, pode levar o prato até a pia!) ou cuidam dos irmãos mais novos (mas lembre-se de que ele é criança e não pode ter a responsabilidade de vigiar o mais novo na piscina, no playground, enfim, você entendeu). O problema é que, com tanta responsa, eles podem ficar mandões. Essa carga pode estressar uma criança que já sente pressão para ser perfeita. "Estou constantemente lembrando a minha filha mais velha, Posy, de que eu sou a mãe e que cuidar de todo mundo é minha responsabilidade, não dela", diz Julie Cole, mãe de 6 filhos. "Não quero que ela seja uma adulta em miniatura".

* Alguns cuidados: Primogênitos sempre recebem muito incentivo, mas também precisam saber que não tem problema se eles não forem os melhores em tudo, de natação a montar quebra-cabeças. Vale a pena contar para seu filho mais velho sobre aquela vez em que você não ganhou o jogo de futebol – qualquer situação em que você tentou algo e as coisas não aconteceram exatamente como você tinha planejado. Mas, por favor, conte histórias com final feliz: ressalte que ficou tudo bem no final e explique como você aprendeu com seus erros. Permita-se cometer erros na frente dele e mostre que
não tem nada demais em errar.

O filho do meio
* Filhos do meio famosos: Ayrton Senna, Donald Trump, David Letterman, Anne Hathaway, Joe Jonas, Owen Wilson.

* Pontos fortes: Filhos do meio são do tipo que seguem o fluxo. Quando um irmão mais novo chega, eles precisam aprender a negociar, constantemente, para garantir seu espaço. Não é surpreendente que as crianças do meio sejam mais afáveis do que os seus irmãos mais velhos e também do que os mais jovens. Por receberem menos atenção em casa, filhos do meio tendem a forjar laços mais fortes com os amigos e ser menos ligados à família do que seus irmãos e irmãs. Eles são, geralmente, os primeiros entre os irmãos a viajar sozinhos com a família do amiguinho ou a quererem passar a noite na casa da avó. Tracie Chuisano, mãe de três filhos, percebe essas características no filho do meio: "Eu o deixei ficar na casa de um amigo com 7 anos. Com o mais velho, foi bem mais tarde."

Fique atento: Filhos do meio já foram uma vez o bebê da família, até serem destronados por um novo irmão. Muitas vezes eles acham que não recebem tanta atenção dos pais quanto os mais velhos e não são tão amados quanto os mais novos, e sentem que suas necessidades e desejos são ignorados. Crianças do meio estão em uma posição difícil mesmo, porque eles pensam que não são valorizados. E há algum fundo de verdade para essa angústia: uma pesquisa realizada pelo site TheBabyWebsite.com revelou que um terço dos pais com três filhos admitiu darem ao seu filho do meio muito menos atenção do que aos outros filhos.

* Cuidados necessários: Ache maneiras de colocar o filho do meio no centro das atenções. A maior queixa entre as crianças do meio é que elas não são ouvidas. Mas, com gestos simples - como deixá-la
escolher o restaurante ou o filme que todo mundo vai assistir – podem significar tudo para ela. Grande parte do tempo, os filhos do meio acabam fazendo dos desejos e necessidades dos irmãos, as suas. Então faça o que puder para que ele tenha algum tipo de poder na família.

Os caçulas
* Caçulas famosos: Mahatma Gandhi, Karl Marx, Billy Crystal, Steve Martin, Margareth Thatcher, Cameron Diaz, príncipe Harry, Blake Lively.

* Pontos fortes: Os caçulas, geralmente, não são os melhores alunos da sala. Por isso eles desenvolvem suas próprias maneiras de ganhar atenção. Eles são encantadores (os bebês da família, ainda que já tenham 5 ou 6 anos) e têm espírito aventureiro. Filhos mais novos são mais abertos a experiências novas e a correr riscos do que seus irmãos. Enquanto os mais velhos preferem praticar tênis, os mais novos gostam de futebol.

* Fique atento: Filhos mais novos costumam ser acometidos por aquela sensação de que “nada que eu faço é importante." Nenhum de seus feitos parecem originais. Seus irmãos já aprenderam a falar, ler e andar de bicicleta, antes. E ele é mais um a fazer isso. Assim, os pais tendem a aplaudir com menos entusiasmo as suas realizações e podem até se perguntar: “Por que ele não anda mais rápido?” ou “Acho que o mais velho falou mais cedo”. Filhos caçulas também aprendem a usar o jeitão de bebê para conseguirem o que querem. E também tendem a ser menos disciplinados. É verdade: os pais muitas vezes mimam o menor, dando muito mais desconto do que davam aos mais velhos. "Meu filho mais novo é desligado e não se preocupa com detalhes", diz Christine Kiefer, mãe de cinco filhos. “Esperava mais do meu filho mais velho quando ele tinha a idade que hoje tem o caçula", confessa.

* Alguns cuidados: mimar demais seu bebê pode transformá-lo em um adulto dependente dos outros e despreparado para o mundo. Portanto, não subestime o seu filho. Caçulas são mestres em se safar das tarefas e muitas vezes são vistos como "muito pequenos" para participar de qualquer coisa. Café com leite, aquela coisa... Mas, mesmo uma criança de 2 anos pode fazer algumas tarefas simples, como guardar os brinquedos. Dê a eles responsabilidades de acordo com suas capacidades.

Vai ser bom pra ele. E seja coerente: as regras da casa valem pra todo mundo, incluindo os mais novos.


Fonte: terra.com.br

   
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