Como o carnaval mexe com a economia brasileira

Rio espera mais de 750 mil turistas para a festa, com gastos de R$ 950 milhões; em Salvador, evento deve movimentar R$ 1 bilhão

Por Redação em 01/03/2011

   

nao. (Foto: Divulgação)
Como o carnaval mexe com a economia brasileira

Tem um lado do carnaval que não se vê nos espetáculos que as escolas de samba preparam para a data nem nos crescentes blocos carnavalescos: a irrigação de recursos por toda a economia do País. Não há estimativas oficiais sobre quanto a festa de Momo movimenta a cada ano, mas são milhões de turistas, outro tanto em confecção e venda de roupas e fantasias, sem contar os patrocínios publicitários aos meios de comunicação e aos eventos da própria festa.

No Rio de Janeiro são esperados quase 2,7 milhões de turistas em toda a temporada de verão. Somente no carnaval, a expectativa da Riotur, o departamento de turismo da prefeitura, é receber 756 mil turistas, que irão movimentar cerca de R$ 950 milhões. “No Réveillon, recebemos 645 mil turistas, que geraram uma renda de aproximadamente US$ 476 milhões” (R$ 800 milhões), informa a Riotur.

Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Rio (Abih) projeta uma ocupação de 87,5% da rede hoteleira no carnaval, com base nas reservas feitas até meados do mês de fevereiro. O presidente da associação, Alfredo Lopes de Souza Júnior, está otimista. Ele diz que a meta é atingir a lotação máxima durante o carnaval. "Na zona sul e no centro da cidade, eu não tenho dúvida de que a gente vai chegar lá.”

Salvador também está animada com os recursos que o fluxo de turistas deve proporcionar à cidade. A prefeitura estima um movimento na economia de cerca de R$ 1 bilhão por conta dos eventos na cidade, sendo o carnaval o maior deles. Além da venda de cotas de publicidade, que gera cerca de R$ 15 milhões, a própria prefeitura tem um gasto de cerca de R$ 30 milhões, compensados em parte com a arrecadação de impostos.

São Paulo

São Paulo, que no passado foi taxado como “o túmulo do samba” pelo poeta Vinícius de Moraes, já não passa mais vergonha diante das festas de outras capitais. No ano passado, foram 107 mil pessoas que participaram da folia nas escolas e blocos, mais as cerca de 120 mil que participaram como platéia desses eventos. Os dados são do primeiro censo do samba paulistano, realizado pela Prefeitura de São Paulo.

Os números ainda são distantes daqueles exibidos pela festa no Rio: foram 800 mil turistas em 2010, mas os números paulistanos também são vistosos. Só as escolas do Grupo Especial investiram R$ 27 milhões nos desfiles. A prefeitura investiu outros R$ 22,7 milhões nas escolas e blocos. O número de turistas computado foi de 35 mil, sendo 24,6% estrangeiros, que deixaram R$ 51 milhões na cidade. De acordo com o censo, o gasto médio foi de R$ 1.300 durante a permanência de cada um.

Além dos turistas e foliões, há uma multidão que trabalha para realizar o evento. Segundo o censo, as agremiações contam com 4.391 empregados assalariados, com ganho médio de R$ 350.

O movimento do comércio popular da região da rua 25 de Março, no Centro de São Paulo, funciona como um parâmetro do potencial do carnaval para a economia da cidade. O libanês Pierre Sfeir, que há 36 abriu a Festas e Fantasias na região, afirma que o mês em que ocorre o carnaval é o campeão de faturamento nas suas quatro lojas. “As vendas crescem entre 40% e 50%”, afirma, sem revelar valores. A única pista que ele dá é que o faturamento neste ano está 15% melhor que em 2010.

“Carnaval é uma festa muito democrática. Tem gente que vem aqui na loja e gasta R$ 10 e tem gente que gasta R$ 200”, diz Sfeir. Segundo ele, todos os anos os fabricantes de máscaras e fantasias trazem novidades. Neste ano, são as máscaras do deputado Tiririca que estão nas vitrines. "Mas os campeões de vendas, sem dúvida, são os tradicionais confetes e serpentinas."

A radiologista Marcela Saavedra é frequentadora das lojas da 25 de Março. Como vai passar o carnaval em uma chácara com amigos em Vinhedo, no interior de São Paulo, resolveu comprar artigos de decoração para a festa. “Comprei diversos enfeites em neon, colares e sprays, mas ainda não achei tudo”, conta Marcela. “No total, devo gastar cerca de R$ 250, mas com artigos para todo o meu grupo, de dez pessoas.”

A Casa Costa, especializada em plumas e pedrarias, fatura com artigos para o carnaval durante o ano todo. É que seus artigos são muito demandados pelos componentes das escolas para a confecção de fantasias, trabalho que é feito muito antes das festas. “Na época do carnaval, o que mais vendemos são as plumas”, afirma Nildo Brás, gerente da loja, que tem uma filial no Rio. “Os clientes deixam para comprar esses itens bem perto das festas, para não estragarem”, conta.


Fonte: ig.com.br

   
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