Cobrança da água é uma das ferramentas para uso consciente

IV Simpósio Nacional sobre o uso da água na Agricultura e I Simpósio Estadual sobre os usos múltiplos da Água

Por Redação em 14/04/2011

   

nao. (Foto: Divulgação/ Coaju)
Cobrança da água é uma das ferramentas para uso consciente

A cobrança da água e a utilização eficiente no setor da agricultura foram os destaques do terceiro dia de atividades do IV Simpósio Nacional sobre o uso da água na Agricultura e I Simpósio Estadual sobre os usos múltiplos da Água. A agricultura é o setor que mais consome água. No Brasil representa 69% dos chamados usos consuntivos e no Rio Grande do Sul, em média, pode chegar a mais de 80% em muitas bacias hidrográficas. Nesse sentido, a cobrança da água bruta, ou seja, da água retirada dos rios, entra como uma ferramenta para tentar implantar o uso eficiente e conscientizar as pessoas que a água é um bem escasso e por isso, tem valor econômico.

O seu uso racional e eficiente é de fundamental importância para a sobrevivência da própria atividade e para a manutenção da quantidade e qualidade dos recursos hídricos. Um dos grandes problemas é os baixos índices de eficiência, devido a inúmeros fatores técnicos, climáticos, de manejo do solo e das culturas.

A produção agrícola está cada vez mais vinculada à irrigação e ao uso da água. Das pequenas às grandes produções, a irrigação ajuda a aumentar o rendimento e acrescenta valor econômico à produção agrícola. Segundo o professor do Departamento Técnico de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília, Oscar de Moraes Cordeiro Netto, a irrigação proporciona vários benefícios, mas ao mesmo tempo gera inúmeros impactos. Por isso, há necessidade dos agricultores fazerem o uso eficiente para evitar perdas e desperdícios.

Netto revela que o diálogo com o setor ainda é difícil. “Parte do setor agrícola que irriga ainda não está organizado e alguns não irrigam de forma contínua durante o ano. Por isso, saliento que essa aproximação com o agricultor deve acontecer mais facilmente através dos Comitês de Bacias que conhecem a realidade de cada região”, enfatizou o especialista.


Consumo na região da Bacia do Alto Jacuí e Passo Fundo

Conforme o professor e coordenador do evento, Claud Goellner, devido a agricultura ser o maior usuário é preciso que esse setor use de maneira eficiente para que os demais não sejam prejudicados. Na Bacia do Alto Jacuí que compreende 47 municípios e uma população de 376 mil habitantes a irrigação consome 69,4% da água retirada do rio, seguido pelo consumo da pecuária animal com 18,8%. Na Bacia do Rio Passo Fundo que abrange 30 municípios e cerca de 186 mil habitantes, a pecuária animal é o maior usuário com 46,1%. A irrigação consome 28,2% dos recursos hídricos.


Cobrança da água

A implantação da cobrança da água bruta deverá acontecer a partir de junho desse ano. O pagamento deverá ser feito pelos gaúchos que moram na Região Hidrográfica do Guaíba, que compreende nove comitês de bacias (Guaíba, Gravataí, Sinos, Taquari-Antas, Baixo Jacuí, Alto Jacuí, Caí, Pardo e Vacacaí e Vacacaí Mirim). Esta cobrança será estendida a todos os usuários dos setores de abastecimento, saneamento, indústria, mineração, agricultura, pecuária, turismo e lazer e navegação.

O alemão Philipp Hartmann, de Hamburgo, autor de um livro sobre a cobrança de água no Brasil, salientou que em outros países onde a cobrança já existe a cerca de 50 anos, a mudança comportamental mudou bastante. Ele acredita que o valor cobrado no Brasil ainda é muito baixo e para alguns setores ainda é mais barato poluir. “É preciso aumentar esses valores, porque infelizmente as pessoas só sentem quando dói no bolso”, disse Hartmann.


Simpósio encerra nesta quinta-feira

Entre os assuntos que estarão em pauta no último dia de Simpósio está as modificações climáticas e seus efeitos na disponibilidade da água. Especialistas mostrarão o que está acontecendo no país em relação aos períodos de cheias e estiagens e mostrarão maneiras de reservar a água corretamente.

   
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