Fórum de Educação

Gestores buscam alternativas para melhoria da qualidade de Ensino

Por Redação em 14/04/2011

   

nao. (Foto: Fernando Rezende)
Fórum de Educação

Quais os principais desafios para qualificar o atual sistema de ensino? Os cerca de 500 gestores municipais ligados à área de educação, presentes no segundo dia do 22º Fórum das Secretarias Municipais de Educação do RS, realizado nesta quarta-feira, 13 de abril, no salão de eventos do Plaza São Rafael em Porto Alegre, acompanharam uma série de palestras que buscou responder o questionamento. Frente ao baixo desempenho dos alunos, distante das metas propostas pelo Novo Plano Nacional de Educação, a iniciativa da FAMURS – Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul e da União dos Dirigentes Municipais de Educação do RS (Undime-RS), definiu estratégias importantes para melhoria da qualidade do ensino nos Municípios.

15% das crianças e jovens entre 4 e 17 anos estão fora da escola no Rio Grande do Sul. A taxa de analfabetismo dos alunos de 10 a 14 anos é de 1,4 %, chegando a 4,6% naqueles com idade aos 15 anos. Os dados foram apresentados por Andrea Bergamaschi, coordenadora-geral do Movimento Todos Pela Educação, uma iniciativa do governo Federal. Na visão da educadora, o primeiro passo para se contribuir com a melhoria da Educação Básica é conhecer e entender o estágio atual que atravessa o setor.

- Nosso programa prevê 5 indicadores que vão de encontro com o proposto pelo Novo Plano Nacional de Educação. Apresentamos a importância de levar estes dados para dentro da escola – explicou Andrea.

Os números oficiais por Municípios e escolas podem ser acessados pelo site http://www.todospelaeducacao.org.br/.

Na visão de Ester Gross, presidente do Grupo de Estudos sobre Educação, Metodologia de Pesquisa e Ação (Gempa), a problemática do ensino está na prática empregada nas salas de aula, especialmente nas bases teóricas adotadas. Ester afirma que os métodos aplicados em Universidades para a qualificação dos professores não contemplam a real necessidade do ensino público.

- Constatei que as prefeituras investem maciçamente na qualificação do seu quadro de professores, e os resultados estão longe do ideal – afirmou.

Universalizar o ensino fundamental para toda a população de 6 a 14 anos é uma das metas do novo PLE, e, de acordo com Zuleika de Felice Murrie da Universidade de São Paulo (USP), é fundamental as escolas assumirem maior responsabilidade sobre o ensino.

- Não está claro porque não discutimos o que cada aluno tem que aprender em cada série e em cada disciplina. É inadmissível não saber por que os alunos não aprendem aquilo que a escola se propõe a ensinar – afirmou.


O painel ‘Qualidade no Ensino Fundamental: compromisso com a aprendizagem, fluxo e conclusão’, foi mediado pela ex-presidente da Undime-RS, Jane Aline Kuhn. Além de alcançar os percentuais propostos pelo novo PNE para a
universalização do atendimento da Educação Infantil, outro desafio previsto no projeto é a ampliação da jornada escolar de toda a rede pública de ensino em 50%. O painel ‘Ensino fundamental: a jornada escolar e a qualificação dos diretores’ pretendeu avaliar os impactos nos Municípios dessa medida. Os secretários de educação também questionaram se o aumento da jornada ampliada de ensino representa efetivamente maior qualidade de ensino.

Segundo Eloisa Barbosa de Oliveira de Blasis, coordenadora do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação (Cenpec), a expansão do tempo de permanência dos alunos nas escolas deve ser realizada gradativamente, principalmente sobre aqueles alunos com maior vulnerabilidade social. Além disso, critérios específicos devem ser definidos pelos Municípios para auxiliar esse processo, envolvendo áreas como saúde e assistência social.

- Lembramos que esse trabalho passa por restrições como locação de recursos para estrutura, gerenciamento e qualificação dos professores. Essa nova escola irá exigir do gestor muito mais, para que não se transforme apenas em um depósito de alunos – afirmou.


Vera Peroni, coordenadora da Escola de Gestores, criticou a influência da rede privada na composição de metas do PNE. Vera defendeu a consolidação de uma gestão democrática participativa, dentro do que foi previamente discutido na Conferência Nacional de Educação.

- Há um conjunto de forças que influencia a construção dos PNE. Observamos o privado definindo a escola pública, discutindo o que é gestão. Precisamos ficar muito atentos a este momento histórico – destacou.

Riviane Bulher, também coordenadora da Escola de Gestores, avaliou que o novo paradigma exige a construção de novos gestores, com formação acadêmica e qualificação especializadas.

- Os Municípios devem apoiar a capacitação continuada do seu gestor, para que realmente possamos buscar qualidade - afirmou.

   
O Portal ClicSoledade não se responsabiliza pelo uso indevido dos comentários para quaisquer que sejam os fins, feito por qualquer usuário, sendo de inteira responsabilidade desse as eventuais lesões a direito próprio ou de terceiros, causadas ou não por este uso inadequado.

Publicidade