A rede social de cada um

Sejam quais forem os perfis e interesses, o universo virtual oferece o infinito para quem está conectado

Por Redação em 16/05/2011

   

(Foto: Divulgação)
A rede social de cada um

O que a sua rede social diz sobre você? A pergunta pode parecer anacrônica para quem ainda não descobriu o universo de possibilidades oferecido pela tecnologia e pela internet. No entanto, quem já tem uma personalidade online garante que a comunicação eficiente não é mais possível sem as tais redes sociais, que a cada dia se apresentam mais diversas, segmentadas e inovadoras. Estar conectado, hoje, é mais do que simplesmente postar fotos ou manter um diário virtual.

Para entender o significado de "estar conectado", é preciso, primeiro, corrigir a frase que abriu este texto: ela tem que estar no plural. O avanço na tecnologia e o surgimento de ferramentas e aplicativos estão acelerando o processo de segmentação do gosto das pessoas pelas redes sociais. Isso quer dizer que não é mais preciso escolher uma. Os conectados, hoje, estão em todas as redes que lhes interessam.

— Podemos estar em muitas redes, sem problemas, pois atualizamos tudo rapidamente, por meio de poucas plataformas. E acessamos informações de todas. Tudo é muito rápido e muito junto. Acho que isso é uma característica do nosso tempo — afirma a analista de Redes Sociais Anne Rech, que atua na construção e manutenção de perfis de empresas na internet.

Em tempos de profusão de redes sociais — em que há desde sites com o perfil profissional do indivíduo (o Linkedin é o mais popular) até comunidades de apaixonados por receitas de drinks (o Kooler) — uma delas se destaca pela capacidade de gerenciar muitas outras. Cheio de ferramentas que permitem interagir em muitas instâncias virtuais, o Facebook vem ganhando rapidinho a preferência dos internautas. Uma pesquisa da consultoria ComScore mostra que entre os meses de dezembro de 2009 e 2010, o Face cresceu 258%, contra 28% de crescimento do Orkut. Esta ainda é a rede mais acessada pelos brasileiros, mas o concorrente mostra que tem fôlego para virar o jogo em pouco tempo.

A possibilidade de postar fotos, fazer upload de vídeos, comentar e compartilhar informações interessantes e ainda gerenciar contas em outras redes sociais, como o Twitter, é o que torna o Facebook tão interessante, segundo a vice-presidente da Associação Brasileira das Agências Digitais, Lívia Lampert. Ela afirma que essa capacidade de aglutinar interesses já foi há muito percebida pelas empresas, que investem para criar um perfil adequado no Facebook e fazer dele mais uma ferramenta de negócio e comunicação com clientes e público.

Com tantas opções, um dos maiores desafios diante da tela do computador (ou do i-Pad, ou do smartphone, ou, ou, ou) é saber usar tudo o que a conexão oferece. Lívia comenta que as pessoas estão começando a entender que a superexposição das intimidades cotidianas não é o mais interessante, além de ser inconveniente para a própria imagem. Redes sociais mais segmentadas, com o compartilhamento de informações específicas para cada grupo de interesse, são a tendência.

Saber posicionar-se no universo público da internet é um dos pilares para uma relação saudável com a conectividade. O outro é aproveitar o que todo este aparato oferece de bom: informação. Com a capacidade de escolha ampliada em milhares de vezes, o jeito de informar-se muda a cada dia, com pessoas buscando somente aquilo que lhes convém. Todo esse movimento, no entanto, pode ter outro lado.

— Corremos o risco da superficialidade, pois dificilmente vamos na essência das coisas. Não comentamos mais, não discutimos ou trocamos ideias sobre os assuntos que nos dizem respeito. Apenas damos um RP ou curtimos. E já partimos para outra — comenta Anne Rech.

Conversa ao vivo para entender o mundo virtual

Para compreender um pouco melhor esse novo mundo, propusemos a alguns conectados convictos um jeito bem old-fashion de conversa: a mesa de um café em Porto Alegre. Com o cheirinho dos expressos penetrando os sentidos, o assunto já começou em ritmo alucinante, com i-Pads ligados, I-phones conferindo como andava o trânsito das redes e gente fazendo a vida virtual acontecer.

— Ganhei dois followers durante essa entrevista — disse Lízia Bueno, de 14 anos, uma das personagens desse encontro.

Enquanto os convivas trocavam ideias sobre redes, tecnologias e as implicações disso tudo na vida moderna, o editor de fotografia de Zero Hora, Ricardo Chaves, espreitava com sua câmera a postos. De vez em quando, em meio ao papo high-tech, ele relembrava alguma história dos tempos em que as fotos eram feitas em negativos ou que o maior avanço em termos de instantaneidade era o bip. Ao que imediatamente ganhava o apoio — e alguma historieta adicional — do jornalista e escritor Eduardo Bueno, que também estava presente.

Ao fim do bate papo, poucas conclusões definitivas. Uma delas foi que, neste universo virtual, definitivo não é uma boa palavra. Outra foi que as redes sociais, sejam quais forem, são a expressão de um mundo que se comunica cada vez mais rapidamente. E, por fim, ninguém pôde negar que um encontro real, em que se ouvem vozes, se olham rostos, se apertam mãos e se sente o cheiro do café, tem lá o seu valor.

Mundo de pai X Mundo de filha

— Quando vinham me falar dos telefones que fazem tudo, eu sempre dizia que só compraria um quando pudesse mexer neles com o dedo. Eu achava que isso era impossível até que me apresentaram um desses touch. Como fiquei sem argumento, comprei um.

Esse personagem que tentou resistir à luxúria tecnológica é o jornalista e escritor Eduardo Bueno, que até se aventura em algumas redes sociais, mas gosta mesmo é de um bom papo e não dispensa, por nada, uma história vivida e contada ao vivo ou nas páginas de um livro.

Na outra ponta da mesa está Lízia Bueno, 14 anos, filha dele. Conectada ao máximo, ela não larga o i-Phone nem para dar entrevista.

— Ela fala com a mãe pelo Twitter, sendo que as duas estão na mesma casa!

— Pai, não exagera. Aliás, vai embora, por que tu não gosta dessas coisas.

— Fala a verdade, quantas horas por dia tu passa conectada?

— Hummm... muitas.

E por aí vai o papo de pai e filha que mais parece uma anedota da diferença entre as gerações. Bueno não é o tipo de pessoa que possa se chamar de desplugado. Para trabalhar, encontrar os amigos ou simplesmente buscar informação, ele até que se mantém conectado. Mas nada se compara à realidade virtual da filha. O Twitter é a rede que ela mais usa e na qual tem mais de mil seguidores, com os quais compartilha contos e outros textos, além de informações cotidianas. Pelo Tumblr — a melhor coisa do mundo, segundo Lízia — ela descobre e encontra os amigos.

— Meus melhores amigos, que eu amo muito, conheci pelas redes sociais. Encontrei a minha amiga mais querida apenas uma vez durante 20 minutos aqui em Porto Alegre, pois ela mora no Paraná. Mas isso não impede que nos falemos sempre — afirma.

Encontros, aliás, têm um outro conceito para Lízia e os amigos que fez. Poder vê-los é, sim, uma grande alegria, mas disso não depende a amizade. Integrante de redes sociais desde os nove anos, a menina já cresceu sabendo lidar com os relacionamentos virtuais. Coisa que o pai, até hoje, custa a entender. Mas não perde o bom humor.

— Fala pra eles quanto deu a conta do celular no mês passado. Mas não mente! — diz Bueno.

— É, foi alta. Mas tô diminuindo, pai. O Skype ajuda muito — completa.

Coisas de pai e filha que, mesmo com tanta mudança de comportamento, permanecem sempre iguais.

Saiba "quem é quem":

:: Twitter

É um microblog em que os usuários postam informações e compartilham conteúdos em, no máximo, 140 caracteres por post. Pode ser atualizado pelo site, pelo celular ou por softwares e específicos para o gerenciamento. Tudo o que é postado aparece, em tempo real, na página do usuário e também para seus seguidores, ou seja, os contatos cadastrados na rede social. Utilizado por pessoas de todas as idades e também por empresas, chega a ser chamado de SMS da internet, em função da sua rapidez e popularidade.

:: Tumblr

A plataforma de blog que virou febre entre os adolescentes permite que os usuários publiquem textos, imagens, vídeo, links, citações e áudio, tudo em textos curtos _ mas não tão pequenos como no Twitter. Pode ser considerado um meio termo entre os blogs convencionais e o Twitter. A vantagem é a simplicidade, já que em poucos minutos é possível criar uma conta e começar a postar.

:: Facebook

Desenvolvida nos moldes do Orkut e Myspace, é uma rede social que oferece mais opções ao usuário do que suas antecessoras. Com um perfil no Facebook é possível atualizar e navegar em outras redes sociais, como o Twitter, além de postar vídeos, fotos e textos e compartilhar informações. Muitas empresas já usam a ferramenta como divulgação de marca, contato com clientes e até como ferramenta de negócio, expondo ou vendendo produtos através do site. É a rede social que mais cresce no mundo.

:: Foursquare

É uma mistura de game com rede social. Com um celular e uma conta no site é possível localizar amigos e compartilhar informações sobre os locais visitados com eles. Basta baixar o aplicativo disponível para Android, i-Phone, Palm e Blackberry. Por meio da conexão via satélite, o GPS do aparelho localiza o usuário assim que ele faz o "check-in". Quem acumula o maior número de check-ins em determinado local, torna-se prefeito. O serviço também serve para a troca de informações e dicas entre os usuários.

:: LinkedIn

É uma rede de relacionamento voltada para o mundo dos negócios e é utilizada, quase sempre, por profissionais. O principal objetivo do site é permitir que usuários registrados possam manter uma lista detalhada de contatos de gente que eles conheçam e confiem em empresas — chamados de conexões. Os usuários podem convidar qualquer pessoa para tornar-se uma conexão.


Fonte: clicrbs.com.br

   
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