8 tecnologias que destruíram negócios

Hoje, é mais frequente uma tecnologia provocar mudanças radicais nos negócios

Por Redação em 08/11/2011

   

(Foto: Divulgação)
8 tecnologias que destruíram negócios

Ao longo da história, são muitas as situações em que uma tecnologia chegou e tomou o espaço de outra mais antiga. Há exemplos óbvios no decorrer do tempo, como o fim da navegação comercial a vela depois da invenção do navio a vapor. Mas o processo se acelerou nas últimas décadas. Hoje, é mais frequente uma tecnologia provocar mudanças radicais nos negócios.

Empresas especializadas na criação de cenários para o cinema, por exemplo, viram boa parte do seu trabalho ser substituído por paisagens digitais, inteiramente criadas no computador, como aconteceu no filme A Origem, que ganhou o Oscar de melhores efeitos especiais neste ano (imagem ao lado).


O iPod sucede o Walkman

Conta-se que Akio Morita, um dos fundadores da Sony, desejava ter uma maneira de ouvir suas óperas prediletas durante as viagens de avião que fazia nos anos 70. Para atendê-lo, o engenheiro Nobutoshi Kihara desenvolveu o primeiro player de música realmente portátil, o Walkman. A Sony vendeu 210 milhões de unidades de seu pequeno aparelho de fita cassete desde 1979 – um dos grandes sucessos na história da companhia.

Mas tanto o Walkman como a própria fita cassete passaram a ser vistos como artefatos pré-históricos em 2001, quando surgiu o iPod, da Apple. Os players de MP3 anteriores ao iPod eram pouco práticos e não chegaram a fazer muito sucesso. O iPod, ao contrário, era compacto e fácil de usar e tinha enorme capacidade de armazenamento. Sua primeira versão já comportava cerca de mil músicas, enquanto numa fita cassete cabiam, no máximo, umas 30 faixas. Em uma década, a Apple vendeu mais de 300 milhões de unidades. A marca Walkman ainda é usada em celulares da Sony Ericsson (que, agora, se torna parte da Sony com a saída da Ericsson da sociedade). Mas a fita magnética saiu de cena definitivamente.


O e-book conquista o mundo

No início deste ano, Amazon.com divulgou que suas vendas de livros digitais haviam superado as de obras impressas. Esse marco simbólico mostra que, 40 anos depois da sua invenção, o e-book finalmente ganhou popularidade a ponto de ameaçar a indústria gráfica. Ela não deve morrer tão cedo, mas os livros digitais vão avançar cada vez mais.

O primeiro e-book foi criado pelo escritor americano Michael Stern Hart. Em 1971, ele digitou a declaração de independência dos Estados Unidos num mainframe da Universidade de Illinois. Fascinado com aquela maneira de armazenar e difundir conhecimento, Hart deu início ao Projeto Gutenberg, pioneiro acervo de livros digitais que tem, hoje, 36 mil títulos. Durante mais de três décadas, porém, os e-books eram basicamente textos acadêmicos, manuais técnicos e obras literárias de domínio público. Apesar de inúmeras tentativas nos anos 90, esse tipo de livro não tinha sucesso comercial.

Isso começou a mudar em 2004, quando a Sony lançou, no Japão, o Librié, primeiro e-reader com tela do tipo e-Ink. Essa mesma tecnologia seria empregada nos e-readers Kindle, que a Amazon.com passou a vender em 2007, e em muitos outros. De repente, tornou-se possível levar uma biblioteca inteira num aparelho com o formato e o peso de uma revista. De 2010 em diante, essa praticidade se estendeu também aos tablets como o iPad e o Kindle Fire (foto ao lado). Era o que faltava para o e-book decolar de vez.


Cliques digitais enterram o filme

Desde 1888, quando a Kodak lançou a primeira câmera fotográfica fácil de usar, a indústria de filmes prosperou. Há apenas uma década, em qualquer canto do planeta, havia lojas vendendo filmes, laboratórios para revelá-los e gente fotografando com eles. Calcula-se que haja um trilhão de fotos registradas em filmes e papeis fotossensíveis no mundo, o suficiente para cobrir uma área de 10 mil quilômetros quadrados, quase o dobro do tamanho do Distrito Federal.

A Kodak foi a marca número um na era do filme. E foi nela que surgiu a invenção que acabaria matando seu próprio negócio. Em 1975, num laboratório da Kodak, o engenheiro Steven Sasson usou um sensor de luz conhecido como CCD (sigla em inglês de dispositivo de cargas acopladas) para construir a primeira máquina fotográfica eletrônica. Mas a câmera de Sasson ficaria confinada ao laboratório. Quem lançou o primeiro modelo comercial foi a Sony. Sua Mavica, que começou a ser vendida em 1981, captava imagens analógicas que eram armazenadas num disquete magnético. Em 1997, a linha Mavica evoluiu para um sistema digital. Nessa época já havia outras concorrentes no mercado.

Nos últimos dez anos, com a evolução da tecnologia, as câmeras digitais ficaram mais práticas e passaram a produzir fotos de melhor qualidade (ao lado, a Olympus XZ-1). Isso, junto com o acréscimo de câmeras aos celulares, selou o destino da fotografia química, que ficou restrita a alguns trabalhos artísticos. A Kodak, que já foi sinônimo de fotografia, fechou fábricas e encolheu. E muitas lojinhas que revelavam filmes também tiveram de mudar de ramo.


Do disco de vinil ao iTunes

Veteranos da indústria do disco devem sentir saudade dos anos 70 e 80. Naquela época, artistas de sucesso geravam montanhas de dinheiro para as gravadoras, os empresários e eles próprios. O álbum mais vendido da história, Thriller, gravado por Michael Jackson em 1982, passou de 110 milhões de cópias.

No início dos anos 90, o CD tomou o lugar do disco de vinil, mas seu reinado foi curto. Em 1993, Karlheinz Brandenburg, engenheiro da empresa alemã Fraunhofer, desenvolveu a tecnologia que daria um golpe quase mortal na indústria do disco. Brandenburg criou o MP3, formato de áudio digital que emprega técnicas avançadas de compressão. Com ele, tornou-se possível gravar o conteúdo de dez CDs onde antes cabia apenas um.

Na metade dos anos 90, os compactos arquivos MP3 passaram a circular pela internet. Era o começo de tudo que viria depois – do pioneiro serviço de troca de músicas Napster à loja iTunes, da Apple, inaugurada em 2003. A cada novo avanço, ficava mais conveniente obter músicas na internet e o interesse do público pelos CDs diminuía. As lojas de discos foram sendo fechadas e recordes de vendas como os do álbum Thriller tornaram-se coisa do passado.


Os correios encolheram

Para os mais jovens, pode ser difícil imaginar que, há menos de 20 anos, enviar uma mensagem a alguém quase sempre significava escrevê-la num papel, colocá-la num envelope, colar um selo e depositar a carta numa caixa de correio. Depois, era só aguardar vários dias até que chegasse a resposta.

Ainda que inúmeras formas de comunicação tenham aparecido nas últimas décadas, aquela que teve maior impacto no correio tradicional foi o e-mail. O correio eletrônico ganhou seu formato atual 40 anos atrás. Em 1971, o programador americano Ray Tomlinson implementou um sistema para a troca de mensagens entre os usuários da Arpanet, a rede que daria origem à internet. Foi ele quem primeiro usou o sinal arroba para separar o nome da pessoa do endereço. O sistema de Tomlinson foi rapidamente adotado em toda a Arpanet e, numa etapa posterior, na internet.

O impacto do e-mail (na imagem ao lado, o Yahoo! Mail) no correio tradicional demorou a aparecer. Nos Estados Unidos, o volume de correspondência entregue manteve-se mais ou menos estável até 2007, quando passou a declinar rapidamente. A tendência é que isso aconteça também no Brasil e no resto do mundo.


Como a Blockbuster faliu

Em setembro de 2010, 25 anos depois da sua fundação, a Blockbuster, rede global de locadoras de vídeo, faliu nos Estados Unidos. A empresa tinha mais de 3 mil lojas só naquele país. O fato marcou o fim de uma era em que alugar fitas de videocassete e, depois, DVDs, fez parte do cotidiano de milhões de pessoas. Era o que a maioria dos consumidores fazia quando queria assistir a um filme em casa.

A Blockbuster e as outras locadoras foram mortas por um conjunto de tecnologias. Primeiro, as redes de TV a cabo espalharam-se pelo planeta e quem recebia meia dúzia de canais passou a ter acesso a dezenas deles. Em seguida, serviços de filmes sob demanda e gravadores digitais de vídeo permitiram que as pessoas assistissem aos programas no horário mais conveniente. Não havia mais necessidade de ira à locadora e alugar um DVD para isso. Nos Estados Unidos, a fundação da Netflix, em 1997, tornou o próprio ato de alugar um DVD bastante mais cômodo. As pessoas passaram a pagar uma assinatura mensal e a receber os filmes em casa.

A etapa seguinte veio com o acesso à internet em banda larga, que facilitou o compartilhamento de filmes entre os usuários, além de possibilitar o aparecimento de sites de streaming como o YouTube. Depois, a Netflix e outras empresas passaram a distribuir filmes por streaming cobrando uma assinatura mensal. Embora a Netflix esteja num mau momento, ninguém questiona que o vídeo sob demanda deve continuar se expandindo. E a Blockbuster, definitivamente, ficou no passado. No Brasil, sua rede foi vendida às lojas Americanas, que transformaram as locadoras em lojas de conveniência.


A verdadeira máquina de escrever

Trinta anos atrás, não havia escritório sem máquinas de escrever. O clique claque dos tipos batendo contra o papel era um som constante e universalmente reconhecido. Nas primeiras oito décadas do século XX, milhões dessas máquinas foram fabricadas por empresas como IBM, Olivetti e Remington. Em 1958, 8% da receita da IBM vinha delas.

Mas a barulhenta máquina de escrever começou a morrer assim que o computador pessoal foi inventado. Em 1976, o cineasta e programador Michael Shrayer criou o Electric Pencil, aplicativo que permitia escrever textos formatados no pioneiro microcomputador Altair. Muitos programas desse tipo viriam depois dele. Só o pacote Office, da Microsoft, que inclui o processador de textos Word (imagem ao lado), já passou de 500 milhões de cópias vendidas. E hoje, esses programas convivem com aplicativos gratuitos na web, como o Google Docs.

Em abril deste ano, o jornal India Business Standard noticiou que a última fábrica de máquinas de escrever manuais do mundo estava encerrando a produção. A indiana Godrej & Boyce tinha apenas 500 unidades em estoque e não fabricaria mais nenhuma. Era o fim de uma era. Mas ainda resta pelo menos um fabricante de máquinas de escrever elétricas. A americana Swintec fornece esses equipamentos para presídios onde os detentos são proibidos de usar computadores.


Fonte: http://exame.abril.com.br

   
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