O Apartheid israelo-palestino: Soledadense visita as origens e mostra todos os lados da vida na Palestina

Sahar Baja, acompanhada da sua irmã, Hanan Baja e seu pai Juma Baja, que mora há mais de 40 anos no Brasil, passou cerca de um mês na Palestina e, após retornar, contou ao ClicSoledade sobre as curiosidades da cultura em que se originou

Por Ana Mello em 05/07/2012

   

(Foto: Sahar Baja / Arquivo Pessoal)
O Apartheid israelo-palestino: Soledadense visita as origens e mostra todos os lados da vida na Palestina

Palestina. Israel. De um lado, o comércio gritante e as burcas que viraram moda. Do outro, a praia e uma vida quase americana.

Na Mesquita a percepção de novas fés arregalam os olhos. No berço do cristianismo, o cheiro de incenso. Em todos os lugares, rastros do Brasil. Churrasco. Caetano Veloso e, até “Ai se eu te pego”.

A quebra do tabu do casamento com várias mulheres. As mulheres trocando o casamento pela vida independente. E, separando esses mundos, muros, grades elétricas, intolerância e, medo. Sahar Baja, soledadense, conta tudo sobre o conflito entre judeus e palestinos.



Sahar Baja, 25, nasceu em Soledade, mas, seus pais e toda sua família são de origem palestina. A soledadense conta ao ClicSoledade que já esteve na Palestina há cerca de 15 anos quando o clima com os judeus já era tenso, porém ela não entendia. Hoje, após passar quase um mês e vivenciar um pouco das consequências geradas pela labuta por terras entre os povos, Sahar não sabe definir o que sente. “Eu fiquei encantada e chocada, ao mesmo tempo. Com medo e com esperança, não sei como explicar”, diz.



Desde sempre, os palestinos e os judeus brigam por Jerusalém. Hoje, a Terra Sagrada está assentada para os judeus. Com isso, Sahar explica que os palestinos sentem-se humilhados. “É quase um Apartheid, se não for né?! Eles tratam muito mal os palestinos, eles são oprimidos”, aponta.

Segundo ela, embora estejam perto, a diferença entre os povos é significativa. “A vestimenta e tradições são diferentes, os judeus têm uma vida normal, é praia. Já os palestinos são mais reservados”.

Como o centro principal é Jerusalém, hoje, após ser assentada, para entrar na cidade, mesmo sendo turista, é de fato, como entrar em uma “prisão” como define a soledadense. “Para entrar lá, você passa por uma espécie de prisão a céu aberto, eles fizeram um muro com cerca elétrica. Dois caras com metralhadoras revistam os carros, é muito desconfortável e humilhante para nós, palestinos. Depois as pessoas passam por detectores. Enfim, se eles autorizarem você pode passar. Se estiver de ônibus você desce por um túnel. É mais rigoroso do que um aeroporto. São várias barreiras judaicas. O território palestino em que o povo pode ir e vir, é muito pouco, a maioria das vezes precisa de autorização dos judeus. Mas não é todo dia guerra, eles conseguem conviver, acredito que eles acabaram se acostumando. Toda minha família mora lá, e eles se acostumaram. Eu fiquei apavorada mesmo quando eu cheguei a Jerusalém. Eu estava com uma expectativa e cheguei lá, vi outra coisa, fiquei totalmente chocada. Depois quando entrei e conheci, fiquei encantada, pois o lugar é lindo. Eu queria mesmo é que isso acabasse”, afirma Sahar apontando que a destruição da Mesquita em Jerusalém seria o estopim da guerra.



Sahar chegou a participar de uma manifestação do “Return” (o retorno). “Enquanto alguns judeus estavam em cima de um muro, com metralhadoras, o povo se manifestava, pois queria voltar à Terra”, conta. Na região, as religiões predominantes são o cristianismo, o islamismo e o judaísmo. Para Sahar, Jerusalém é o único lugar que consegue concentrar as maiores religiões do mundo.

O Brasil na Palestina

Ao falar com os palestinos sobre o Brasil, Sahar disse ficar orgulhosa do país em que nasceu. “Todo mundo quer vir pro Brasil, para eles, aqui é o país das maravilhas. Lá eles ganham muito dinheiro, porém eles acham que aqui encontrarão o emprego dos sonhos. O Brasil é muito bem visto lá”, conta.



Sahar ainda observa que as diferenças nos aspectos culturais são “gritantes”. “Dá pra sentir que lá eles matam e morrem pela cultura. Tanto que todo este conflito, que acontece desde sempre, é, de certa forma, cultural. Aqui no Brasil, o povo é mais tranquilo, não sei se é porque não valoriza, ou porque temos liberdade de ir e vir e se expressar, que acaba tornando algo banal. No entanto, é importante que todo brasileiro saiba a sorte que tem, pois hoje, o maior sonho do meu povo, é ter liberdade. E aqui, a gente pode ir, vir, se expressar, temos que valorizar mais”, aconselha.

O Brasil está presente na Palestina desde o churrasco que eles tentam preparar, como conta Sahar, até as músicas que tocam nos bares e até nas ruas das cidades palestinas. “Eu entrei em um bar e de repente, começa a música do Michel Teló, “Ai se eu te pego”, achei engraçado, pensei: “Ah não! Até aqui?!”. Outro dia, estava andando pelo comércio e ouvi de longe uma música do Caetano Veloso, fiquei feliz, a música era boa. Dá pra ver rastros do Brasil na Palestina nitidamente”, diz Sahar.

Em Ramallah ao lado de um monumento pró Yasser Arafat, Sahar participou de uma homenagem que fizeram aos brasileiros em uma Rua chamada Brasil.

A cara da mulher palestina

Conforme Sahar, as mulheres ainda usam burcas e, os lenços, que antes eram uma obrigação, se transformaram em moda. “Você estar de lenço virou uma moda e não é uma obrigação. As cidades receberam muitos americanos e brasileiros, bem como, outros imigrantes, o que, muda, significativamente a cultura. Então, usar lenço é um charme. Assim como se vê muitas usando, se vê muitas não usando, a opção de utilizar, é livre e conforme a crença de cada uma”, explica.



Segundo ela, houve uma certa “abertura de cultura”, no que tange respeito aos casamentos palestinos. “Eles estão pensando diferente. Agora, as mulheres querem estudar, pra depois casar. O acesso à educação foi expandido. Muita gente estuda no Egito ou nas faculdades da Jordânia. Lá nada é tão caro como aqui. Então, com isso, o casamento ainda é muito valorizado, mas, em certos casos, ficou em segundo plano. Os homens já não têm mais do que uma mulher, e as mulheres, muitas vezes, trocam o casamento pelo estudo. Depois pensam em casar”, diz.

Sahar ainda explica que antigamente as mulheres até eram prometidas. Hoje, elas podem escolher, e, antes de noivar e casar, conhecer melhor o homem, para tomar a decisão.

O Berço do Cristianismo

Ao visitar Bethlahem (Belém), o berço do cristianismo, onde se concentra toda história de Jesus Cristo, Sahar conta que mudou sua visão em relação à história dele na Terra. “O Sepulcro, quando você põe a mão lá, sai algo que eu não sei explicar, tipo um incenso. Eu me senti muito bem depois que eu fui no local”, conta.



Curiosidades sobre a comida: “todo mundo acha que a comida é muito forte e tal. A comida é maravilhosa. Eles fazem uma espécie de churrasco. São fortes e tal... mas vale a pena experimentar”, aconselha Sahar.

Curiosidades sobre o clima: “lá é dividido as estações, se é verão é verão, e se é inverno é frio”, finaliza.

Abaixo é possível conferir algumas fotos feitas por Sahar Baja durante sua visita à Palestina, Israel e Jordânia.

   
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