Encontre o erro na educação

A Capital das Pedras Preciosas preocupa educadores após a divulgação do Ideb nesta semana

Por Ana Mello em 17/08/2012

   

(Foto: Guilherme Lara Campos / Fotoarena)
Encontre o erro na educação

De um lado famílias desestruturadas e a falta de incentivo escolar. De outro, profissionais de educação insatisfeitos com o salário e com a perda do respeito à categoria. Na elite, estudantes buscam um futuro profissional adequado o que, por sua vez, exige a dedicação aos estudos, de outro, a democratização dos espaços impede que a inclusão seja plena e igualada aos mesmos jovens que necessitam trabalhar, desde cedo. Nos investimentos, falhas. Nas estruturas, mudanças significativas. No aprendizado, nenhum resultado expressivamente positivo acontece. Este é um ciclo. Este será o futuro, o cenário político, econômico e social do Brasil, do Pampa e da Capital das Pedras Preciosas. Como diria Chico Buarque, uma pergunta: A gente estancou de repente, ou foi o mundo então que cresceu?

Os índices do IDEB foram divulgados esta semana e, de fato, foram preocupantes, principalmente para o Rio Grande do Sul, que já esteve entre os melhores sistemas educacionais na avaliação da mesma prova em outros anos. Hoje, o RS apresenta um dos piores resultados na educação no Ensino Fundamental e Médio. Em Soledade, não foi diferente, pelo contrário, apesar de ter aumentos quanto à nota, quase nenhuma meta foi alcançada. A reportagem do ClicSoledade, buscando saber a que se deve estes resultados, abordou autoridades de educação estadual e municipal, professores e alunos, com o objetivo de desenhar a realidade soledadense quanto a educação.

O Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) foi criado em 2007 para medir a qualidade de cada escola e de cada rede de ensino. O indicador é calculado com base no desempenho do estudante em avaliações do Inep e em taxas de aprovação. Assim, para que o Ideb de uma escola ou rede cresça é preciso que o aluno aprenda, não repita o ano e frequente a sala de aula. O índice é medido a cada dois anos e o objetivo é que o país, a partir do alcance das metas municipais e estaduais, tenha nota 6 em 2022 – correspondente à qualidade do ensino em países desenvolvidos.

Em busca de uma realidade contextualizada
Coordenadora da 25ª CRE critica a forma como o Ideb avalia a educação


Para Celeste Teixeira, coordenadora da 25ª CRE, receber os índices do Ideb não foi agradável, porém, a educadora afirma não acreditar na realidade do Ideb. “Eu já imaginava que os índices do Ideb não seriam animadores. Claro que nós queríamos resultados maiores, mas eu acho que o Ideb não é real, pois ele é avaliado de uma forma muito superficial, ele não compreende a realidade escolar de um município. Simplesmente escolhe, aleatoriamente, alunos para fazer uma prova. Às vezes, podem escolher os melhores alunos, às vezes os com menos conhecimento. O Ideb pra mim acaba sendo um jogo de sorte e não uma prova que avalia a qualificação do ensino, de verdade, em sua forma real. Pois, Minas Gerais tem uma realidade, o Rio Grande do Sul tem outra, e a prova é igualada, o que acaba sendo injusto, sim”, pontua Celeste.

A Coordenadora ainda defende o crescimento na escolaridade soledadense no âmbito municipal. “Em 2005, nossos índices eram de 4,2%, já em 2011 cresceu para 5,1%. Percebo que mudanças importantes estão acontecendo à medida que a educação está sendo reestruturada. Esses índices, indubitavelmente vão aumentar, nem que isto aconteça em longo prazo”, observa.

Ao analisar o sistema educacional, Celeste se lembra da profissão de educadora na década de 60 e ao avaliar as mudanças, aponta uma das problemáticas continentes a democratização do acesso. “Não é uma questão preconceituosa, mas não podemos deixar de lembrar que a educação tem um histórico que reflete hoje, sim. Nas décadas de 60 e 70, praticamente só mulheres eram professoras e, não eram valorizadas, pois o machismo ainda beirava no país. Sem esquecer que antes, só estudavam as pessoas da elite. Avançamos nisto, de certa forma, pois, hoje a categoria tem homens e mulheres, e alunos não só de elite, mas a inclusão social, oportunizou o estudo a todos. A problemática vem ao encontro do choque, que sim, acaba unindo alunos que podem se dedicarem aos estudos integralmente àqueles que infelizmente, não tem uma estrutura para isto. E, esta democratização dos espaços, de certa forma, resultou em baixos índices, das duas partes, obviamente”, pontuou.

Na rede estadual, os índices do Ideb superaram as metas nas séries iniciais, mas, foram baixos nas séries finais.

Secretária Municipal analisa dados do Ideb em Soledade
“A situação no Brasil é caótica” - Élia Valendorff


Ao receber os índices de educação divulgados pelo Ideb, a Secretaria de Educação de Soledade, Élia Valendorff, analisou o contexto soledadense e apontou problemas que possam estar prejudicando o desenvolvimento educacional no país.

“A situação no Brasil é caótica. Ainda que em Soledade quase superamos as metas. O grande problema vem de encontro a falta de investimentos na qualificação profissional. Também acho que precisa existir uma participação da comunidade na escola. Os pais devem incentivar e acompanhar o avanço”, observou Élia.

Em 2008, o ensino municipal de Soledade apresentava uma nota de 3,8 nos dados do Ideb, hoje o número aumentou para 4,5, mas ainda não supera as metas estabelecidas pelo programa. “O investimento que estamos fazendo surte resultados, mas ainda não são suficientes. Hoje temos um convênio com a UPF no projeto de formação continuada dos professores e tem sido positivo. Também trabalhamos com a Formação de Gestão de Qualidade que visa aperfeiçoar ainda mais as direções das escolas. O que falta no Brasil é mais investimento na formação e, principalmente o incentivo aos estudos”, pontuou.

Conforme a Secretária, as Escolas Municipais de Soledade estão praticamente instaladas em periferias, o que significa a maioria dos alunos não tem estrutura para estudar, entretanto, Élia afirma que a Rede Municipal tem investido em estrutura e isto dá resultados.

Confira os índices do Ideb em Soledade

Soledade - 1ª a 4ª série
Rede Municipal

2009 - 4,4 (meta 4,2)
2011 - 4,5 (meta 4,6)

Soledade - 1ª a 4ª série
Rede Estadual

2009 - 4,7 (meta 4,4)
2011 - 5,0 (meta 4,8)

Maria de Abreu e Lima
2009 - 4,9
2011 - 5,7

Capistrano de Abreu
2009 - 4,1
2011 - 4,3

Polivalente
2009 - 5,0
2011 - 5,2

São José
2009 - 4,7
2011 - 4,7

Soledade - 5ª a 8ª série
Rede Municipal

2009 - 3,7 (meta 3,9)
2011 - 3,9 (meta 4,2)

José Atílio Vera
2009 - 3,5
2011 - 3,9

Valdemar Rocha
2011 - 3,9

Soledade - 5ª a 8ª série
Rede Estadual

2009 - 3,7 (meta 3,9)
2011 - 3,8 (meta 4,1)

Abreu e Lima
2009 - 4,3
2011 - 4,1

Júlia Lopes
2009 - 3,6
2011 - 3,4

Capistrano de Abreu
2009 - 3,7
2011 - 4,6

Maurício Cardoso
2009 - 5,6
2011 - 5,9

Polivalente
2009 - 3,5
2011 - 3,0


São José
2009 - 2,7
2011 - 3,5

Veja como é a educação em outros países
(Fonte: Terra)

Argentina

Na Argentina, a educação obrigatória, a chamada Educación General Básica (EGB), é dividida em três ciclos de três anos cada. O primário é compreendido pelos dois primeiros ciclos da EGB, mas, às vezes, pode ter mais um ou dois anos. Finalizando os três ciclos, o estudante pode optar porPolimodal, uma etapa em que são oferecidas diferentes orientações. Apesar de não ser obrigatório, o Polimodal é requerido para entrar nas universidades do País.

Austrália

Na Austrália, a estrutura escolar depende muito de cada Estado ou região. Há lugares do país em que a pré-escola faz parte do primário, mas esta não é a regra. O normal é que as crianças, um ano antes da 1ª série, cursem o "pré-primário", onde é feita uma ambientação à rotina escolar. Aos 12 anos, elas entram no secundário, que também é chamado de High School, onde permanecem por seis anos.

Estados Unidos

Com um sistema parecido com o francês, os americanos dividem o sistema escolar em duas fases, primário e secundário, sendo que este último também tem duas etapas. Aos seis anos, os alunos entram no Ensino Fundamental, a Elementary School. Esta fase, em que há apenas um professor (às vezes dois) por turma, se estende por cinco anos. Aos 11, começa a Middle School, quando começa a divisão clara de disciplinas. Por fim, dos 14 aos 18, os estudantes cursam o High School, onde há aulas eletivas preparatórias para determinados campos de atuação profissional.

França

Na França, o processo de alfabetização é iniciado antes do ensino primário. No último ano do jardim de infância, chamado de maternelle, as crianças já são introduzidas à leitura. Quando entram no Enseignement Primaire, equivalente ao Ensino Fundamental brasileiro, aos 6 anos, elas aprendem a escrever e aperfeiçoar a leitura durante o cours préparatoire. Aos 15, iniciam o secundário, que é divido em collège, com duração de quatro anos, e o lycée, que tem três anos. E já no final do lycée, os franceses começam a se preparar para uma profissão, no chamado Baccalauréat.

Itália

Na Itália, o ensino básico é dividido em duas etapas: Scuola elementare eScuole Medie. A primeira fase é equivalente ao nosso Ensino Fundamental, mas tem uma duração menor, cinco anos. Ao final, o estudante inicia naScuole Medie, que também é dividida em duas etapas, Medie Inferiori eMedie Superiori. Elas têm duração de três e cinco anos, respectivamente. Ao final de cada um dos Medie, o aluno faz uma avaliação. Diferentemente da maioria dos demais países, o italiano tem, normalmente, 13 anos de escolaridade. Hoje, o Brasil tem 11. Com a inclusão de mais um ano no Ensino Fundamental, passará a ter 12.

   
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