Diário de Bordo de Gustavo Brito Teixeira

Soledadense trabalhou durante seis meses em uma Companhia Marítima

Por Redação em 19/12/2012

   

(Foto: Arquivo Pessoal)
Diário de Bordo de Gustavo Brito Teixeira

Sou Gustavo Brito Teixeira, adorei ler a história de vida da Fabiane Lodi, morando na Austrália, e gostaria de contar um pouco também de como é a vida trabalhando a bordo de um navio.

Bem, quando você consegue esse tipo de trabalho é um sonho, você pensa muito legal que consegui uma oportunidade dessas, pelo menos pra mim foi a assim. Consegui o trabalho do nada. Através dos classificados do domingo no jornal Zero Hora, mandei um e-mail para companhia Espanhola Pullmantur e fui selecionado como tripulante.

Minha história eu relaciono com destino, pois durante o período que fui acadêmico, sempre falava que se tivesse a oportunidade de fazer um intercâmbio quando acabasse o curso, eu faria de olhos fechados. E foi o que aconteceu, acabei que contatando essa companhia de cruzeiros mais ou menos um mês antes da minha formação. Tudo foi muito rápido, fiz um curso de uma semana em Porto Alegre, chamado STCW95, que se baseia em segurança marítima, alguns exames de saúde e estava apto ao embarque. Defendi meu trabalho de conclusão de curso no dia 12 de dezembro de 2011 e no dia 14 já estava embarcando no navio, com um contrato de 6 meses ou 180 dias.

Bom, literalmente joguei tudo pro ar, namoro, família, amigos e fui atrás de novas experiências, muito feliz, mas também muitas vezes a saudade de estar em terra, quase me fazia desanimar. Fui forte e levava como meta a missão que tinha a cumprir e não desistiria, confesso que algumas vezes tinha vontade de desembarcar, porém superei. Adaptei-me e acabei me divertindo demais, afinal de contas meu trabalho era a motivação pros meus dias.

Em relação ao trabalho, é muito trabalho, você chega a trabalhar 12 horas por dia na temporada Brasileira, e 14 horas na Europa. É puxado, mas ao mesmo tempo você se diverte com as outras pessoas que estão ali junto, acaba conhecendo muitas pessoas e sem falar que é um trabalho sem rotina, pois você está cada dia em um lugar diferente, não se tem gastos com moradia, comida e academia e se ganha Dólares e Euros.

Fiz muitas amizades no decorrer desses seis meses, tanto com passageiros como com a tripulação. Tenho amigos em Santa Catarina, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Bahia, e até alguns de outros países como México, Colômbia, Guatemala, Honduras, Indonésia, Romênia e Espanha. No trabalho você tem que ser muito dedicado, agradar passageiros e ainda mais seus chefes, pois assim você se dá bem, e sendo cordial e um bom funcionário, além da possibilidade de se ganhar uma promoção, tudo se torna mais fácil.

Bom esse é uma pequena história de todos os momentos que eu vivi “on board”, mas que com certeza me fazem pensar que eu tomei a atitude certa. Tudo que passei de negativo serviu para o meu aprendizado, e o que veio de positivo como “se virar sozinho”, aprender a “ablar” Espanhol, convivência com outras pessoas, dividir cabine com pessoas diferentes, lidar com o psicológico da saudade, só me acrescentou. Cada lugar que passei, ficará eternamente gravado na minha memória e nas fotos que eu tirei.


Passei por lugares maravilhosos que talvez nunca mais passe, conheci o Rio de Janeiro, Santos, São Francisco, Cabo Frio, Búzios, praia privativa que até então eu só conhecia pela revista Caras, Buenos Aires, Montevidéu, Salvador, Recife, até vi a ilha de Fernando de Noronha, Sta Cruz de Tenerife, Ilha da Madeira-Funchal, Arrecife, Cabo Verde na África e Portugal. Lembro-me que de Recife a Portugal levamos 13 dias de navegação, isso com toda a tecnologia que se tem hoje, imagina no tempo das caravelas como era.

Depois de Lisboa fomos a uma cidade chamada Porto, depois fizemos Espanha, nas cidades chamadas Málaga, Bilbao La Coruña, posteriormente fomos conhecer a cultura do Marrocos nas cidades de Agadir e Casablanca, fomos ainda a Gibraltar na Inglaterra. Foi uma viagem linda, apesar de trabalhosa, mas o melhor ainda estava por vir. Fomos para a Holanda, em Amsterdam, lugar fantástico, muito lindo e pra quem aprecia essa cultura, da até vontade de ficar morando, depois Londres, França e Alemanha.

Bom, e o navio segue, pois o mesmo jamais para a não ser alguns portos para manutenção. Meu contrato já estava chegando ao final, sentido a capital da Dinamarca, Copenhagen, e ai minha data de retorno já estava contada, os dias estavam voando nesse tempo, a partir deste momento começamos a fazer uma rota pelos Fiordes da Noruega, lugar lindo, até neve nas montanhas tinha. Conheci algumas cidades deste país, como Alesund, Trondheim, Flaam, Stavanger e Bergen, que por sinal é muito linda e foi umas das cidades da Noruega que mais me chamou a atenção, com sua paisagem, seus parques e suas construções.


Resumindo então, foi um experiência de vida e tanto que eu nunca mais vou esquecer. Bom atualmente eu moro em São Paulo, trabalho em uma Clínica de Cardiologia como Biomédico e estou realizado com minha profissão, porém eu fui chamado pra trabalhar novamente no mar, um novo contrato, agora de 8 meses, outra companhia, chamada Costa, e também outra rota a ser desbravada, a vontade é grande, o embarque é em dezembro novamente. Acho que meu destino mesmo é ser nômade e viver experiências, deixo nas mãos de Deus, pois ele sabe o melhor caminho que devo seguir, mas deixo a dica pra quem quiser se aventurar nesse tipo de experiência. Os brasileiros estão sendo muito requisitados pra esses trabalhos, pois nas épocas que os navios se encontram pela costa brasileira é necessário que se tenha em torno de 25 a 30% de tripulação brasileira, e o navio que eu estava tinham 750 tripulantes e acomodava 2.200 passageiros, os embarques eram de 7 em 7 dias nos portos de Santos e Itajaí.

Pra quem se arrisca, coragem, e eu desejo boa sorte! Acha que é fácil? Então encara essa bronca :)

   
O Portal ClicSoledade não se responsabiliza pelo uso indevido dos comentários para quaisquer que sejam os fins, feito por qualquer usuário, sendo de inteira responsabilidade desse as eventuais lesões a direito próprio ou de terceiros, causadas ou não por este uso inadequado.

Publicidade