“CEUS pode fechar”

Declaração polêmica do Presidente da Entidade gera repercussão entre alunos e autoridades

Por Douglas Perin em 18/06/2013

   

(Foto: Douglas Perin / ClicSoledade)
“CEUS pode fechar”

Após afirmar em uma rádio da cidade que o CEUS poderia “fechar”, Filipe Bianchi Cunha, presidente do Centro de Estudantes Universitários de Soledade, convocou uma assembleia que foi realizada no sábado (15) no Salão Azul, para discussão de temas polêmicos como inadimplência, consumo de bebidas no interior dos ônibus, valores pagos por universitários e alunos de cursinhos, situação do convênio entre a associação e a Prefeitura e a abertura do CEUS durante todas as manhãs.

Com relação ao consumo de bebidas, conforme lei federal que proíbe o consumo no interior de ônibus, Filipe deixou claro que não será tolerado, e o aluno que estiver consumindo álcool será convidado a sair do ônibus.

Sobre as reclamações do valor pago pelas viagens por alunos de cursinhos pré-vestibulares, que é quase o dobro da quantia paga pelos alunos universitários, Filipe disse que conforme o convênio firmado com a prefeitura, além do estatuto do CEUS, o dinheiro repassado pelo convênio é destinado para transporte de universitários, e sendo assim, alunos que não são universitários não têm subsídios da prefeitura. Conforme lavrado em ata, será cobrada multa e juros de boletos em atraso, além de possível protesto caso não seja pago ao dia 30 de cada mês.

Quando foi indagado pela imprensa por que o CEUS passa por dificuldades e por que o convênio com a prefeitura só foi renovado no final do semestre, o mesmo respondeu que “depois que falei no rádio que o CEUS poderia fechar devido a inadimplência, mais de 60% dos alunos que não estavam com os pagamentos em dia já acertaram as dívidas”. Já referente à demora em assinar o convênio, Filipe não conseguiu explicar.



Em conversa com o Prefeito Paulo Cattaneo, nesta segunda-feira (17), juntamente com o chefe de gabinete Alisson Ferronato e com a equipe contábil, o prefeito Cattaneo disse que “o CEUS não entregou uma prestação de contas aceitável” e mostrou à imprensa presente a prestação de contas apresentada pela entidade, com recibos feitos à mão, sem carimbos, sem especificações, e ressaltou que recibos não são válidos em prestação de contas.

Conforme relatado pela equipe contábil da prefeitura, o CEUS foi avisado desde janeiro que não seria renovado o convênio enquanto não fossem apresentadas notas ao invés dos recibos. E que esta situação só foi normalizada no final do mês de maio.

O setor contábil informou ainda que chegou a ligar e se dirigir diversas vezes até a Associação dos Universitários, a fim de avisar que o dinheiro não seria repassado enquanto não regularizassem a prestação de contas, mas na maioria das vezes o CEUS estava fechado.

Referente ao aumento do valor do convênio, o prefeito Paulo Cattaneo ressalta que não aumentou o valor, porque além dos R$ 260 mil repassados ao CEUS, conforme acordo renovado há poucos dias, a prefeitura está pagando R$ 41 mil divididos em 4 parcelas, referentes a uma dívida da prefeitura com a Entidade do semestre passado. Esta teria sido deixada pela antiga administração, quando a instituição teve que alugar um ônibus terceirizado, já que o cedido pela prefeitura na época quebrou e ficou inativo em determinado momento. Até hoje existe esta dívida do CEUS com as empresas prestadoras de serviço de transporte referente a esse período.

Cattaneo disse ainda que após o repasse da primeira parcela de R$ 11 mil, referente à dívida da administração passada e que o CEUS deveria repassar às empresas de transporte, foi procurado novamente por membros da entidade solicitando adiantamento de mais dinheiro, pois parte dos “R$ 11.000,00 depositados na conta do CEUS foram abatidos em dívidas de empréstimos” em uma determinada entidade de crédito. Sendo assim, Cattaneo adiantou mais uma parcela do valor acertado no convênio 2013.

Sobre a possibilidade de o CEUS fechar, “não é o presidente que fecha a Entidade, assim como não é o prefeito que fecha a prefeitura, se o CEUS não quer administrar, nós administramos”, disse Cattaneo.

Em conversa com o ex-prefeito Gelson Cainelli, sobre o valor do convênio e a dívida de R$ 41 mil, Cainelli afirmou que “optou por comprar um ônibus novo do que aumentar o valor do convênio”. Referente a esta dívida, Gelson disse que a intenção era vender o ônibus antigo e com o dinheiro arrecadado pagá-la, porém após perder as eleições, o prefeito eleito Cattaneo solicitou que não fosse feita a venda do ônibus, e o mesmo atendeu ao pedido. No final, enfatizou que “saldos a pagar não foram privilégio da prefeitura de Soledade”.

A fim de esclarecer a situação financeira do CEUS, a equipe do Clic solicitou informações através de um requerimento entregue em mãos ao presidente Filipe Cunha. Porém até a publicação desta matéria não foi obtido retorno da Entidade.

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Atualizado às 18h15min (18/06/2013)

A Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Soledade emitiu a seguinte nota após a publicação desta matéria:

"O Prefeito Cattaneo afirma que nunca interferiu, ou ainda, pediu qualquer coisa na administração do ex-prefeito Cainelli. Lembrando que até o dia 31 de dezembro de 2012 todas as decisões tomadas pela gestão anterior eram de responsabilidade do ex-prefeito Cainelli.

Paulo Cattaneo foi surpreendido, em janeiro de 2013, com uma dívida em torno de 10 milhões de reais, entre elas, a do CEUS, de 41.350,00. Ele ainda destaca que nunca na história de Soledade um prefeito deixou dívida para os estudantes universitários, lembrando que Cattaneo foi presidente do CEUS por 4 anos, durante seus 5 anos de faculdade".

   
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