Simpósio Nacional mostra que é possível prevenir e enfrentar secas, estiagens e inundações

V Simpósio Nacional sobre o Uso da Água na Agricultura que encerrou nesta quarta-feira (19) apresentou ferramentas, tecnologias e ações para prevenir e minimizar eventos climáticos críticos

Por Natália Fávero em 20/06/2013

   

(Foto: Natália Fávero / Coaju)
Simpósio Nacional mostra que é possível prevenir e enfrentar secas, estiagens e inundações

O V Simpósio Nacional sobre o Uso da Água na Agricultura debateu os impactos das secas, estiagens e inundações sobre a economia, o ambiente e o bem-estar social no país e, em especial, no Rio Grande do Sul. O evento foi realizado no Centro de Eventos da Universidade de Passo Fundo (UPF) nos dias 18 e 19 de junho de 2013. Foram apresentadas modernas ferramentas e avanços tecnológicos necessários para a análise de ocorrência e minimização dos impactos de eventos climáticos críticos, o uso de técnicas modernas para o mapeamento de riscos e vulnerabilidades e seu uso no planejamento do enfrentamento.

Acadêmicos, professores, gestores públicos e profissionais da área tiveram a oportunidade de conhecer técnicas de prevenção de eventos críticos através da experiência e conhecimento de dezesseis especialistas de órgãos como o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), do Ministério do Meio Ambiente (MMA), da Agência Nacional das Águas (ANA), da Defesa Civil do Estado do Rio Grande do Sul, da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA), da Embrapa e do Instituto de Pesquisas Hidrológicas (IPH/UFRGS).

O coordenador do evento, Claud Goellner, disse que o Simpósio teve como objetivo salientar a importância da implantação de políticas públicas eficientes, com mudanças de atitudes no público e no privado para a criação de uma agenda positiva para enfrentar estes eventos críticos. “O Simpósio comprova que temos condições e ferramentas para prevenir e enfrentar as secas, as estiagens e as inundações que ocorrem de maneira cíclica em nosso Estado e no país. O que não podemos é esperar de braços cruzados os próximos eventos climáticos”, ressaltou Goellner.

“Agricultor sozinho não tem condições de enfrentar as estiagens”

O professor doutor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Fernando Meirelles, destacou a importância de trabalhar as questões de estiagens e inundações de uma maneira mais ampla e dentro de um sistema. “A lógica para enfrentar as secas, estiagens e inundações tem que ser baseado em um sistema de recursos hídricos. É preciso trabalhar a bacia como um todo. O agricultor sozinho não tem condições de enfrentar problemas de estiagens e a falta de armazenamento de água no solo”, disse o especialista.

Meirelles salientou que desde a última estiagem nada mudou e conforme informação divulgada no simpósio, a região de Passo Fundo levará em média 16 anos para recuperar a capacidade de armazenamento de água no solo. “É preciso ter o entendimento que estes eventos como a estiagem tem um efeito de médio a longo prazo”, explicou o professor do IPH.

Uma das ações que pode contribuir para a prevenção e minimização destes eventos críticos é o Plano de Irrigação de Usos Múltiplos da Água (Piuma/RS) que está sendo elaborado pelo governo do Estado. A ideia do Piuma é criar um conjunto de diretrizes, acordos sociais e programas de ação para propiciar o aumento da área e a diversificação de culturas irrigadas, melhoria da renda do produtor e o enfrentamento das sucessivas estiagens. Os resultados deste plano deverão ser palpáveis em dois anos.



Sistema de monitoramento e alerta de desastres

Chefe da Divisão de Planejamento do Departamento de Recursos Hídricos (DRH), João Manoel Trindade da Silva, informou que está sendo elaborado uma política e um sistema estadual de gestão de risco coordenado pela Secretaria de Planejamento. A Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) está contribuindo neste plano para a criação de um sistema de monitoramento e alerta com informações em tempo real para disponibilizar para a Defesa Civil e demais órgãos que necessitam fazer ações de mitigação e prevenção aos desastres. A sala de monitoramento deverá ser inaugurada em julho. “O sistema possibilitará prever estiagens com até seis meses de antecedência, quais as regiões que serão atingidas e as ações que deverão ser implantadas pelos órgãos competentes”, informou Silva.

Defesa Civil investe na prevenção

Uma das ações da Defesa Civil do RS na gestão de desastres é a prevenção. O coordenador estadual da Defesa Civil, Paulo Roberto Locatelli, enfatizou o discurso da Organização das Nações Unidas (ONU) que afirma que a cada dólar investido em prevenção poupa sete dólares gastos em reconstrução. “Estamos trabalhando com os planos de contingências, análises preliminares de risco e simulados. Queremos que as pessoas que trabalham com este tema nas prefeituras sejam qualificadas e que elas sigam o padrão nacional do Ministério de Integração Nacional”, disse Locatelli.

   
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