O sonho de morar na Austrália

A transformadora experiência de morar fora do país

Por Mariana Teixeira em 06/08/2009

   

nao. (Foto: Arquivo Pessoal)
O sonho de morar na Austrália

Antigamente por questões de sobrevivência, a locomoção dos homens era essencial, porém quando ser nômade deixou de ser fato, o motivo da peregrinação mudou.

Cada vez mais jovens saem do conforto de seu país para buscar algo fora, seja para realizarem o sonho da liberdade, para aprender outra língua, conviver com culturas diferentes, arrumar um emprego rentável, ou apenas fazer turismo, enfim, os motivos de ir, algumas vezes, nem eles mesmos sabem. Mas a transformação pessoal na volta é evidente.

Fabiane Lodi Rocha morou dois anos na Austrália. Está de volta no Brasil há poucas semanas, com muita saudade da família e dos amigos daqui, e também muitas histórias para contar.

Depois que se formou em Fonoaudiologia, no IPA em Porto Alegre no ano de 2007, Fabi resolveu passar um tempo fora do país, de preferência em um lugar que pudesse aperfeiçoar seu inglês e acabou optando pela Austrália. “Eu queria um país de língua inglesa. Europa e Canadá são muito frios, e os EUA nem pensar, eu odiava o Bush”, diz ela.

Fabiane não buscou nem uma ajuda de empresas de intercâmbios ou programas de estudo. Fez toda sua viagem por conta própria. “Procurei trabalho e casa para morar na internet e murais na rua, lá tem muito disso, sempre havia um procura-se em postes de rua e em lans houses”, conta Fabi.

Foi morar com um Italiano, barista, e uma Iogusláva, designer gráfica, que hoje considera como parte de sua família. “Quando decidi voltar para o Brasil, choramos durante uma semana”, comenta. Nos primeiros seis meses trabalhou como faxineira, e lavando louças, enquanto sua comunicação foi melhorando, mas se encontrou cuidando de idosos, em uma espécie de SPA para ingleses aposentados. “Finalmente havia achado o emprego perfeito, tanto para a minha profissão, quanto para minha realização pessoal”, comenta ainda.

A Soledadense percorreu todos os pontos turísticos de Sydney, cidade com aproximadamente 4 milhões de habitantes, localizada a 300 Km da capital Camberra. E ainda, os principais lugares da Austrália, como Hyde Park, Gold Coast, Harbour Bridge, entre outros. “Tudo lá é maravilhoso, porém nada se compara a riqueza dos aborígenes, o próprio povo de lá”. Segundo Fabiane ela conheceu boa parte da cultura local trabalhando como voluntária em “Festivais” que lá ocorrem durante todo o ano pelos interiores de Sydney, como o Festival de Blue Mountains, por exemplo, que eram basicamente festas em locais abertos da cidade, regadas a muita música folk, artesanatos, cinema, teatro, apresentações da cultura local, enfim, muita arte e história própria, valorizando o povo australiano. “A cultura lá é muito rica e presente, não havia um dia em que andando pelas ruas não visse algo incrível, como uma caminhada pela paz ou algo parecido”, segundo ela. O cuidado com o meio ambiente é regra. “Não existe lixo no chão e a separação é respeitada, tanto nas ruas quanto em casa”, ainda diz.

Em relação à comida, o churrasco é substituído pelo barbacue, que consiste em bife, salsichão, pão e catchup, sendo feito em qualquer parque da cidade. Também há muitas comidas do mar e saladas. O “arroz e feijão” australiano era purê de batatas, salsichão ou bife de frango à milanesa e molho.

Fabi conheceu pessoas de várias nacionalidades, da qual fez amizades e conviveu diariamente, entre eles, japoneses, colombianos, franceses, africanos e descendentes da Ilha de Fiji, onde através de uma colega, compareceu há um casamento desta comunidade, em que ao invés do tradicional sapato que recolhe dinheiro para os noivos na nossa tradição, dançarinas com trajes típicos passavam pelo salão com óleo no corpo para serem coladas as notas de dinheiro que iriam presentear os noivos. E não há como esquecer dos conterrâneos, “Quanto mais perto da praia, mais havia brasileiros, de todos os lugares possíveis”, conta Fabiane.

Ela esteve presente em alguns shows que ocorreram por Sydney, mais um marcou sua memória, conta Fabi: “Eu fui apresentada, através de um amigo para Nano Stern, o cara que faria um show acústico no local onde estávamos naquela noite, ele era chileno e no meio da festa pediu licença para mim e tocou Trem das Onze, em português perfeito, foi lindo”.

A Austrália foi um país colonizado, principalmente, pelos britânicos. É tecnologicamente e industrialmente avançado, e ainda possui alta qualidade de vida, considerado um próspero país multicultural, com um clima que varia do Temperado ao Tropical. Fabi diz que sua escolha por viver em outro país não poderia ter sido melhor. “A Austrália era como um sonho, e realmente foi”, finaliza.


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