Municípios isolados à espera de serviços de desbloqueio da RSC–153

Demora do Daer para desbloquear a RSC-153, em Vale do Sol, prejudica comunidades próximas e força o uso de atalhos

Por Portal GAZ em 04/07/2014

   

(Foto: Lula Helfer)
Municípios isolados à espera de serviços de desbloqueio da RSC–153

Quem esperou com ansiedade pela conclusão da RSC–153, inaugurada há três anos e meio, mal acredita que precisa voltar ao passado e de novo utilizar estradas de chão para se locomover. A rodovia está bloqueada entre os quilômetros 300 e 311, em Vale do Sol, mas o maior deslizamento de terra, rochas e árvores, ocorrido na noite de sábado, está concentrado no quilômetro 307 e obstrui os dois sentidos. Outros dois desmoronamentos são verificados no trecho, mas possuem menor proporção e bloqueiam parcialmente a via.

O Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), responsável pela rodovia, deu início ao estudo geológico ontem. Para qualquer intervenção, é necessário que o levantamento seja concluído, por isso não há previsão de quando o material será removido da pista para a liberação do trânsito. Enquanto nada de efetivo acontece, moradores daquela região e condutores que precisam da via são obrigados a traçar rotas alternativas para chegar ao seu destino. Até os ônibus de linha precisam desviar da RSC–153 e encarar estradas de chão para continuar atendendo a comunidade. A rodovia é conhecida por ser um corredor de exportação que liga o Norte do Estado ao Porto de Rio Grande, por isso sua importância.



Como o trajeto atingido possui sinalização insuficiente, alguns condutores só percebem o bloqueio ao chegar no trecho com problemas. Foi o que aconteceu com o motorista de uma empresa de lanches, Wagner de Oliveira Roldão, que saiu de Soledade no final da manhã de ontem para fazer entrega em Santa Cruz do Sul. Por volta das 12h45, o condutor se deparou com a principal obstrução na via. O pai dele, Pedro Silva Roldão, que o acompanhava na viagem, criticou as deficiências na sinalização. “Passamos pela primeira barreira e os cones estavam colocados bem em cima do bloqueio”, diz, referindo-se ao fato de eles não terem visto a obstrução com antecedência. Em um intervalo de 15 minutos, cinco automóveis, um caminhão e uma carreta precisaram fazer o retorno.

Em Herveiras, um dos municípios mais prejudicados pelo bloqueio junto com Vale do Sol, Gramado Xavier, Barros Cassal e outros, a descrença em um serviço ágil é tão grande que o comentário é de que vai levar um mês para a estrada ser desbloqueada. O proprietário de uma loja de móveis em Herveiras e presidente da Associação Comercial e Industrial, Jonas de Melo, teme pelo retrocesso. Esta semana, mercadorias de porte pequeno chegaram até o estabelecimento por meio de ônibus, como acontecia antes de a RSC–153 ser construída.

À época, o frete para Herveiras era mais caro e os empresários daquela região precisavam contar com o bom senso dos fornecedores na hora da entrega, já que nem todos topavam distribuir produtos em um município sem infraestrutura rodoviária. “Vamos voltar aos velhos tempos de não ter estradas nem acessos”, avalia Melo. Segundo relata, sua loja de móveis está no aguardo de mercadorias e as empresas fornecedoras pediram mais prazo para a entrega. “Estão pedindo paciência até a rodovia ser liberada”, afirma.

   
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