Médicos podem suspender atendimento pelo SUS no Hospital Frei Clemente

A medida foi proposta pelo SIMERS, em razão de que os profissionais não recebem há dois meses pelo serviço prestado. Direção da casa de saúde diz que situação já está sendo trabalhada

Por Lucas Bicudo em 15/07/2014

   

(Foto: Lucas Bicudo / ClicSoledade)
Médicos podem suspender atendimento pelo SUS no Hospital Frei Clemente

O atraso no pagamento dos médicos que prestam atendimento pelo SUS no Hospital de Caridade Frei Clemente (HCFC) pode acarretar na suspensão dos serviços a partir do dia 18 de julho, caso a situação não seja regularizada. Esta medida é uma orientação do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS), que emitiu nota à população soledadense, considerando a situação um completo descaso da administração da casa de saúde.

O comunicado, que é assinado pelo presidente do Sindicato, Dr. Paulo de Argollo Mendes, diz que a direção da instituição foi notificada do fim dos contratos com os médicos em 17 de junho, formalizando os 30 dias de aviso. Também menciona que esta medida foi adotada diante da completa precarização dos contratos e atrasos habituais no pagamento dos médicos, que há dois meses estão sem receber pelo trabalho realizado.

Na nota, é expresso que a administração do Hospital de Caridade Frei Clemente foi procurada várias vezes pelo Sindicato, em busca de um acordo para garantir a assistência. O comunicado termina salientando que o SIMERS e os médicos reafirmam o interesse em manter o atendimento e esperam que a direção do hospital seja sensível às reivindicações, que são todas justas e legais. Caso não tenha acordo, as especialidades que serão afetadas são a de Pediatria, Obstetrícia, Clínica, Cirurgia Geral, Traumatologia e Anestesia.

Contraponto

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Ao falar sobre a situação, a presidente do HCFC, Maria Arlinda de Oliveira Daroit, admite que exista este atraso referente aos meses de maio e junho. “Ocorre que nosso contrato com o SUS encerrou no dia 18/6 e ainda não foi renovado, mas já encaminhamos todas as documentações e fizemos as negociações necessárias. Agora, estamos no aguardo da Secretaria Estadual de Saúde nos chamar para procedermos à assinatura do novo contrato”, informou.

Outro fato que também impacta são os convênios mantidos com os municípios da região. Dos oito que eram conservados, apenas quatro já foram firmados, os outros ainda estão em processo de negociação. “Estas duas receitas, o convênio SUS e os co-financiamentos com os municípios, representam 85% da fonte de recursos que entram no hospital e que são usados para o pagamento do pessoal”, ponderou a presidente. Ela chama a atenção que para os demais convênios, os médicos estão recebendo normalmente, e os pagamentos estão em ordem.

Ao ser questionada sobre o atraso no pagamento do salário dos funcionários, Maria Arlinda justifica dizendo que se tratou de uma situação excepcional, motivada também pelos fatos relatados anteriormente. “Pagamos nossos colaboradores sempre no quinto dia útil de cada mês. Ocorre que em junho tivemos que dividir o salário em duas vezes, pagando 50% dele no início do mês e agora no dia 15/7, completamos o vencimento”, aduziu.

A presidente do hospital considera que as receitas do HCFC poderiam ser maiores se as pessoas procurassem mais os profissionais de Soledade. “Os pacientes só são internados em nossa casa de saúde por meio da prescrição dos médicos”, declara. O uso não consciente do Pronto Atendimento de Urgência e Emergência também colabora para que a casa de saúde tenha dificuldades financeiras. “O custo fixo do P.A fica em torno de R$ 280 mil por mês, incluindo pagamento de médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, pessoal de apoio, medicamentos, exames, equipamento, entre outros”, citou.

Por fim, Maria Arlinda enfatiza que nesta terça-feira, 15/7, às 18h, na sala de reuniões da casa de saúde, será realizado um novo encontro com os médicos. “Queremos avançar nas negociações e poder chegar a um acordo no valor a ser pago por mês aos profissionais que prestam o atendimento pelo SUS”, concluiu. Ela acrescenta ainda que quando o SIMERS esteve no HCFC, sempre foram recebidos e quando enviavam correspondências, igualmente todas elas eram respondidas.

Atualmente, o quadro funcional é composto por 162 funcionários, sendo 75 enfermeiros e técnicos de enfermagem, 45 da equipe de apoio, 8 na farmácia, 4 no Centro de Diagnóstico e 25 na recepção e nos serviços especializados. Conforme informações da direção, o custo médio mensal da folha de pagamento alcança R$ 260 mil. Além disso, 36 médicos prestam atendimento no Hospital de Caridade Frei Clemente, porém a grande maioria deles não possuem vínculo com a casa de saúde.

   
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