Impasse entre Hospital Frei Clemente e médicos deve ter um desfecho

Conversas entre a direção da casa de saúde e o SIMERS podem resultar em acerto entre as partes

Por Lucas Bicudo em 18/07/2014

   

(Foto: Lucas Bicudo / ClicSoledade)
Impasse entre Hospital Frei Clemente e médicos deve ter um desfecho

O impasse entre alguns profissionais médicos e a direção do Hospital de Caridade Frei Clemente (HCFC), deve ter um desfecho nesta sexta-feira (18). As formalizações de propostas estão sendo mantidas entre a casa de saúde e os advogados do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS), com vistas a entrarem num entendimento para o estabelecimento de um novo contrato de trabalho para prestação de atendimento pelo SUS nas especialidades de Pediatria, Obstetrícia, Cirurgia Geral, Traumatologia e Anestesia.

Conforme salienta a vice-presidente do Sindicato, Maria Rita de Assis Brasil, há um mês se esgotou as possibilidades de negociação. “No dia 17 de junho, a direção do hospital foi notificada do fim dos contratos com os médicos. Então se teve todo este tempo para que houvesse uma negociação, porém não evoluiu, e por esta razão que tornamos público a situação para a população”, explicou.

Ela afirma que é preciso uma revisão do contrato de trabalho que é prestado por algumas especialidades médicas. “Entre os pontos de pauta, se busca a formalização de um contrato, especificando as condutas, mas, especialmente, se quer oferecer uma remuneração igualitária a todos os profissionais, pois existem médicos que prestam atendimentos na mesma especialidade e que tem remuneração díspares. O que os profissionais estão pedindo não é fora do propósito, é apenas uma modulação”, aduziu.

Maria Rita destaca que nos últimos dias vem se mantendo uma conversa mais próxima com a direção do Frei Clemente, com vistas a chegar a um acordo. “Estou otimista de que possa haver um acerto. Este é o desejo do SIMERS, dos médicos e, com certeza, da população de Soledade e região, que certamente teme com a possibilidade de ficar desassistida em razão desta situação”, argumentou.

A vice-presidente diz que lamenta o fato de não ter se estabelecido um entendimento anterior, e ter que trazer a público a situação. “Firmamos contatos com hospitais de todo o Estado, e em muitos deles conseguimos chegar a um acordo com os gestores, sem ao menos a população ficar sabendo de tal situação. Mas esperamos que se estabeleça um acordo e que o atendimento não seja suspenso”, concluiu Maria Rita de Assis Brasil.

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Contraponto

A presidente do HCFC, Maria Arlinda de Oliveira Daroit, juntamente com os demais membros da sua diretoria, estão trabalhando para que haja um acerto entre as partes. “Estamos conversando com o SIMERS e já avançamos em alguns pontos das reivindicações dos médicos. Somos de acordo de estabelecer um contrato formal e também da criação de um calendário de pagamento. Porém, eles estão irredutíveis na questão do pagamento de um piso mínimo mensal para cumprirem sobreaviso”, esclareceu.

A gestora da casa de saúde afirma que compreende e acha justo que os profissionais médicos recebam estes valores. “São merecedores em razão do serviço que prestam, mas o Hospital de Caridade Frei Clemente não suporta pagar este valor, temos que nos adaptar a realidade financeira do HCFC”, assinalou.

Ela expos que no momento o hospital está passando por dificuldades financeiras, em razão de o contrato com o SUS ainda não ter sido assinado e também por questão dos convênios com os municípios. “Temos expectativa de sermos chamados para assinar com a Secretaria Estadual de Saúde no dia 30/7. Por outro lado, tínhamos convênios com oito municípios, mas apenas quatro estão em vigência, os outros ainda estão em processo de negociação. Estas duas receitas representam 85% da fonte de recursos que entram no hospital, o que gerou um déficit”, afirmou.

Maria Arlinda pondera que foi apresentada propostas aos médicos, mas que foi rejeitada. “Agora formatamos uma nova, com valores que perfazem R$ 20 mil de julho até dezembro de 2014, e de R$ 22 mil de janeiro a junho de 2015. Este é o valor ao qual podemos chegar, analisando as finanças da nossa casa de saúde. Estes números foram baseados em pesquisas que realizamos em hospitais da região que tem o mesmo porte que o nosso”, ponderou.

A presidente do Hospital de Caridade Frei Clemente acredita que possa haver este entendimento. “Caso não aconteça, nós temos um plano B montado e que colocaremos em prática. A situação está sob controle e se caso ocorrer a suspensão dos atendimentos, estamos com uma estratégia já estabelecida”, sinalizou.

A situação foi exposta aos membros do Grande Conselho, durante a reunião realizada na noite de quinta-feira, 17/7, na sala de reuniões do HCFC.

   
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