'Obra de Lévi-Strauss se renova a cada leitura', diz tradutora

Beatriz Perrone-Moisés fez a tradução de algumas obras do francês. Para ela, antropólogo deixa como legado muitas lições de respeito.

Por Bruno Quevedo em 04/11/2009

   

nao. (Foto: Pascal Pavani/AFP)

por Paulo Guilherme

Doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo, Beatriz Perrone-Moisés fez a tradução para o português de alguns livros importantes da obra do antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, como “Olhar, Escutar, Ler”, “Antropologia Estrutural”, “A Origem dos Modos à Mesa” e “O Cru e o Cozido”. Manter a fidelidade do texto de Lévi-Strauss, que morreu no último domingo (1º), foi um emocionante desafio para a antropóloga.

“Traduzir Lévi-Strauss é um desafio sobretudo pela beleza do texto”, afirma Perrone-Moisés, que considera que a clareza dos textos do francês só se compara à elegância e originalidade das ideias que expressam. ” O mais difícil é manter sua cadência, seu movimento, quando a passagem para outra língua obriga a transformações. Creio que ainda não se pode falar de modo definitivo sobre a influência de sua obra, que continua capaz de propor novos caminhos, renovada a cada nova leitura. A capacidade de intrigar e mesmo encantar nossos jovens alunos é testemunho de sua vitalidade. “

A antropóloga lembra com carinho o encontro com Claude Lévi-Strauss, para uma entrevista, em seu escritório no Laboratoire d'Anthropologie Sociale, em Paris, em 1998. “A lembrança mais forte que tenho desse encontro é a de homem extremamente delicado e atencioso, que sabia como evitar que o interlocutor se sentisse abafado por sua evidente sabedoria.”

Para Beatriz Perrone-Moisés, o antropólogo deixa com legago muitas lições de respeito “pelo pensamento dos ainda chamados primitivos, em especial pelo dos povos indígenas das Américas; pelas diferenças culturais, sem as quais a criatividade humana cessa; e por tudo quanto há no mundo, que havia antes e haverá depois da passagem dos humanos pelo planeta”.

Na opinião da tradutora, a melhor homenagem que se pode fazer a Lévi-Strauss é respeitar em suas diferenças os povos indígenas com quem convivemos neste país. “Lévi-Strauss dizia ter com eles aprendido o que ensinava.” Segundo a antropóloga, Lévi-Strauss escolheu recentemente algumas fotos que tirou no Brasil, dos Bororo, dos Nambikwara, dos Caduveo e dos Tupi, como uma espécie de testamento.

Fonte: G1

   
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