Aberta oficialmente a 16ª Jornada Nacional de Literatura em Passo Fundo

Evento acontece até sexta-feira, 6 de outubro, juntamente com a 8ª Jornadinha Nacional de Literatura.

Por Redação em 03/10/2017

   

(Foto: Divulgação / UPF)
Aberta oficialmente a 16ª Jornada Nacional de Literatura em Passo Fundo

“Jornada entre lendas, centauros, poesia... Leremos e seremos!”. As palavras da coordenação geral da 16ª Jornada Nacional de Literatura e da 8ª Jornadinha Nacional de Literatura deram uma prévia do que será esta edição das Jornadas Literárias, que acontece de 2 a 6 de outubro, na Capital Nacional de Literatura, em Passo Fundo/RS. Uma Jornada “jornalizada”, que pretende integrar, democratizar e ler a igualdade e enfrentar os medos. A abertura da Jornada foi realizada na segunda-feira, 2 de outubro, e contou com a presença de autoridades locais, estaduais, nacionais, escritores e muitos leitores.

“Ler é ser” é o tema da música oficial desta edição da Jornada. A formação de leitores e a democratização da leitura é um dos principais objetivos das Jornadas Literárias. “Ler é ser, mas também é estar em diferentes circunstâncias. A leitura pode ser individual e solitária, mas deve sempre, de alguma forma, compartilhar-se, seja nos espaços formais, como a escola, seja nos espaços informais de convivência. Leremos a igualdade e enfrentaremos os medos em mais uma Jornada Nacional de Literatura. Estaremos entre leitores de todas as idades, transitaremos entre lendas, centauros, poesia... Leremos e seremos!”, declarou uma das coordenadoras da Jornada, professora Fabiane Verardi Burlamaque, durante a solenidade de abertura.

Um dos grandes diferenciais e novidades em 2017 é envolver toda a comunidade, em um processo apelidado e denominado de “jornalização”. O também coordenador da Jornada, professor Miguel Rettenmaier, ressaltou as atividades da Pré-Jornada e da Pré-jornadinha, realizadas de maio a setembro, envolvendo milhares de estudantes, professores e comunidade em geral na cidade e na região, como o Jornalendo, as Estações de Leitura e o aplicativo oficial JornadApp. “A Jornada de 2017 teve novos condicionantes, em um contexto de restrições materiais, em um momento de grande instabilidade política. A Jornada ouviu a sociedade, elaborou diagnósticos, chegou a conclusões e mais uma vez mudou, como sempre em sua história, dialogando com o contexto”, destacou Rettenmaier.

A grande lona, agora “batizada” de Espaço Suassuna, uma homenagem ao escritor Ariano Suassuna, nestes cinco dias de Festa da Literatura, será ocupada por leitores, escritores, artistas, pesquisadores, editores, livreiros, músicos, atores, professores, alunos, patrocinadores e apoiadores culturais.

Em seu discurso, o reitor da Universidade de Passo Fundo (UPF), José Carlos Carles de Souza, agradeceu e pediu uma salva de palmas para a idealizadora das Jornadas Literárias, Tania Rösing, que liderou a iniciativa de aproximar escritores e leitores em uma movimentação literária. “Destemida e ousada, ela deixa sua marca na Instituição”, ressaltou o reitor, enfatizando ainda que a Jornada evoluiu e se tornou atrativa, dinâmica e moderna sem se afastar da sua essência, que é a formação de leitores. “Ela foi reestruturada, readequada e adequada ao momento atual”, salientou o reitor.

Na oportunidade, o reitor referendou diversas pessoas que foram fundamentais para a trajetória da Jornada, que neste ano comemora 36 anos de história.
A Jornada será marcada por diversas temáticas de interesse literário, cultural e social. Igualdade de gênero, monstros, medos, imagens e grandes nomes da literatura serão destaques na programação do Palco de Debates da Jornada de Literatura, que tem novos coordenadores nesta edição: escritores Alice Ruiz, Augusto Massi e Felipe Pena, os quais também estiveram presentes na solenidade.

A ideia é fazer com que a Jornada, além de envolver e dialogar com os inscritos na movimentação literária, circule pela cidade. “Com orgulho, podemos dizer: estamos felizes, a Jornada voltou! E ela voltou porque muitos trabalharam para que ela voltasse. É mais uma conquista da nossa cidade, uma obra provavelmente das maiores que já fizemos, de construção coletiva, de todos nós. Nós estamos aqui porque fizemos todos juntos e a muitas mãos”, pontuou o prefeito de Passo Fundo, Luciano Azevedo.

Citando os poetas Fernando Pessoa e Castro Alves, o deputado estadual Juliano Roso, representando o presidente da Assembleia Legislativa do RS, Edegar Pretto, destacou a participação do professor na construção das Jornadas Literárias. “Que esta Jornada possa valorizar especialmente o professor, que é aquele bendito que semeia livros à mão cheia e manda o povo pensar. ‘O livro, caindo n’alma, é germe que faz a palma, é chuva que faz o mar’. Viva a Jornada de Literatura de Passo Fundo, viva Passo Fundo!”, disse.

A Jornada também tem como finalidade proporcionar, por meio da literatura e da leitura, formar leitores multimidiais, emancipados e críticos. “Crise, trabalho e superação. Essa Jornada mostra que a comunidade supera dificuldades. Passo Fundo faz a Jornada viver a cultura”, observou o secretário da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer do RS, Victor Hugo Alves da Silva, representando o governador do estado do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori.

Também estiveram presentes na abertura da Jornada o presidente da Câmara de Vereadores de Passo Fundo, Patric Cavalcanti; o ex-deputado federal Beto Albuquerque (propositor da lei que reconheceu Passo Fundo como a Capital Nacional da Literatura); os representantes do comitê gestor da Jornada; a vice-reitora de Extensão e Assuntos Comunitários da UPF, Bernadete Maria Dalmolin; e o secretário municipal de cultura, Pedro Almeida; entre outras autoridades e representantes de diversas instituições. Os vice-reitores da UPF Rosani Sgari (Graduação), Leonardo José Gil Barcellos (Pesquisa e Pós-Graduação) e Agenor Dias de Meira Junior (Administrativo), além da presidente da Fundação Universidade de Passo Fundo (FUPF), Maristela Capachi, diretores de Unidades Acadêmicas e campi, além de representantes de empresas e instituições que patrocinaram e apoiaram, também participaram.

Na programação da Jornada de 2017, os leitores poderão participar de oficinas, tratar da literatura e do jornalismo na Flicom, de pesquisas de caráter acadêmico no Seminário Internacional e Pesquisa em Leitura, Literatura e Linguagens, e ainda, da literatura do Rio Grande do Sul, no Seminário Literatura Gaúcha: Cena contemporânea. A Jornada ainda oferece um aplicativo, o JornadApp, disponível gratuitamente para os sistemas Android e IOS, com informações sobre a movimentação cultural e com diferentes atividades, além de uma proposta de jogo: O Projeto Transversais: Rotas Leitoras, pelo qual os caminhantes poderão circular pela cidade e acessar desafios em quatro rotas específicas: da igualdade, dos homenageados, das imagens e dos Medos e Monstros.

O maior espetáculo que esta terra já viu
Um lugar de sentimentos, igualdade, com poesia para todo o lado e repleto de gente que vê o mundo pelas palavras. Um mundo mágico feito de livros onde os sonhos se tornam realidade. Foi esse universo inspirado nas obras dos quatro autores homenageados – Ariano Suassuna, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector e Moacyr Scliar – que abriu a programação da 16ª Jornada Nacional de Literatura. Criado pela Cia da Cidade, o espetáculo “Jornada de livros e sonhos” também foi apresentado na noite de abertura, após a sessão solene, e encantou o público presente em uma produção que uniu todos os tipos de arte: a literatura, as artes visuais, o teatro, o circo, a dança e a música.

No centro disso tudo esteve Maria, que, ao lado de João Grilo e Chicó, embarca em uma jornada de aventuras até chegar à Jornada de Literatura. No caminho, índios, tigres, centauros, a poesia em pessoa e Nossa Senhora, que dá sua bênção para que a Jornada comece. “Maria representa cada um dos participantes de todos os tempos da Jornada, cada uma dessas pessoas que buscam abrir novas janelas, novos horizontes, por meio da leitura e do conhecimento”, explicou o diretor do espetáculo Piéterson Duderstadt.

Para chegar a esse resultado, foram cerca de dois meses de preparação para criar essa história, que envolveu cerca de 130 artistas, entre bailarinos, artistas circenses, cantores, músicos e atores, além de 35 técnicos vindos não só de Passo Fundo, mas também de São Paulo, do Rio de Janeiro, do Paraná e de outras cidades do Rio Grande do Sul. A produção contou ainda com mais de 500 peças de figurino e sete músicas, produzidas exclusivamente para esse momento, e com um gigante painel de LED que se transformou em um grande cenário virtual e transportou a plateia a vários ambientes.

A grande surpresa, no entanto, ficou para o final, com a “presença” dos quatro homenageados, que, por meio de ilusionismo, apareceram no palco para mostrar que “sim, o amor é belo e sublime. E é bom ter sonhos, é bom acreditar neles. E é melhor ainda transformá-los em realidade”, como bem disse Moacyr Scliar.

A 16ª Jornada Nacional de Literatura e a 8ª Jornadinha Nacional de Literatura são promovidas pela Universidade de Passo Fundo (UPF) e pela Prefeitura de Passo Fundo. Os eventos contam com os patrocínios do Banrisul, da Corsan, da Ambev, da Companhia Zaffari & Bourbon, da Ipiranga, da Panvel, da SulGás, da Triway e da TechDEC; com o apoio cultural da BSBIOS, do Sesi e da Coleurb; patrocínio promocional da Capes, da Fapergs, da Italac e da Oniz; com a parceria cultural do Sesc; financiamento do Governo do Estado – Secretaria da Cultura – Pró-cultura RS LIC; e realização do Ministério da Cultura.

   
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